Jozé Candido Sampaio de Lacerda Jr. e Alexandre Pessoa
Clínica da Família, Rio de Janeiro
- Detalhes
- 07 de Novembro de 2011. Visitas: 6.610
Na edição de 28 de julho, o Diário Oficial do Rio de Janeiro trouxe na capa a manchete “Prefeitura inaugura a 42ª Clínica da Família da cidade”. A notícia referia-se à unidade de Del Castilho, que se incorporava ao programa da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil, o qual prevê a construção de 70 dessas edificações.
A rapidez na conclusão das instalações - 40 dias, em média - é favorecida pelo projeto desenvolvido pelos arquitetos Jozé Candido Sampaio de Lacerda Jr., do escritório JC&S Arquitetos Associados, e Alexandre Pessoa, da Riourbe - Empresa Municipal de Urbanização.
A proposta se baseia num sistema construtivo modular idealizado pela dupla de arquitetos, tendo como premissa a adaptação a qualquer tipo de terreno, já que, explica Lacerda, sabia-se em que regiões os prédios seriam implantados, mas não exatamente em quais lotes.
A isso, somava-se a necessidade de uma construção rápida e de fácil manutenção, mas que não desprezasse o conforto dos usuários e dos profissionais de saúde.
Lacerda e Pessoa optaram por uma solução que tem estrutura metálica e vedação com placas também de aço com isolamento termoacústico, materiais que, na avaliação dos arquitetos, permitem uma construção rápida com baixo índice de desperdício e, em consequência, otimização de custos e ganhos de escala.
O sistema modular é montado sobre uma base com fundação em radier depois revestida com piso industrial de alta densidade e resistência à abrasão e a impactos.
A unidade do sistema, segundo Lacerda, são as salas de consultas, cada uma com 7,50 metros quadrados. Agrupadas em duas, deram origem à modulação básica de 5 x 5 metros.
em 2009
“Essa medida foi posteriormente ajustada por causa da modulação das placas de vedação, à qual foi acrescentada a circulação periférica. O módulo final adotado foi de 4,90 x 7,80 metros”, detalha o arquiteto. Em resumo, cada módulo apresenta 39 metros quadrados, sendo 24 de área construída.
A partir do módulo inicial foram desenvolvidas duas variações: uma que serve as áreas de depósitos, administração, salas de exame e observação; outra para ser empregada como elemento de conexão ou, isoladamente, para receber setores administrativos, salas de reuniões e auditórios.
Outros aspectos com os quais os arquitetos se preocuparam foram a eficiência energética e a sustentabilidade. As edificações têm sistema de aproveitamento da água da chuva (o caimento dos telhados é feito na parte externa do prédio e a água captada nas calhas é armazenada em compartimento separado para reúso), apropriam- se de técnicas de ventilação cruzada e privilegiam a luz natural.
Na cobertura, explica Lacerda, o afastamento do telhado em relação à cobertura das salas propicia a circulação do ar e evita a incidência direta de raios solares, aumentando a eficiência do sistema de condicionamento de ar.
Todas as unidades possuem jardim interno, que tem basicamente duas funções: permitir a ventilação cruzada em todos os compartimentos, a insolação nas circulações e a iluminação natural das áreas comuns; e dar maior conforto aos usuários, privilegiando a vista de uma área verde que articula as circulações internas e gera um espaço de espera mais agradável.
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 379 Setembro de 2011

Jozé Candido Sampaio de Lacerda Jr. formou-se em 1979 pelo Centro de Arquitetura e Artes da Universidade Santa Úrsula, onde é professor. É sócio fundador do do JC&S Arquitetos Associados, escritório constituído em 1982.Alexandre Pessoa (FAU/UFRJ, 1997) foi, entre 2009 e 2010, coordenador de projetos da Riourbe - Empresa Municipal de Urbanização. Atualmente é associado ao JC&S e leciona na FAU/UFRJ
1. Recepção / 2. Auditório / 3. Jardim / 4. Odontologia / 5. Consultórios / 6. Farmácia / 7. Observação / 8. Reuniões / 9. Agentes
10. Acesso de serviço / 11. Ultrassonografia / 12. Radiografia


