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Entre os trabalhos realizados pelos arquitetos Marcelo Barbosa e Jupira Corbucci para a associação A Hebraica, em São Paulo, estão a elaboração de um plano diretor e a construção de um ginásio especial para ginástica olímpica, prédio contemporâneo que dialoga diretamente com a primeira sede do clube, um edifício moderno, de concreto, projetado por Gregori Warchavchik com a colaboração de Wolfagang Schoedon.
Com 800 m2, ele foi implantado na área antes ocupada por duas quadras remanejadas, de frente para a primeira sede da Hebraica. Uma terceira quadra, gramada, foi preservada no local para manter o vazio que assegura o diálogo entre os prédios.
“A edificação contemporânea se impõe como contraponto, e não como complemento”, explica Marcelo Barbosa. Essa oposição é dada pelas linhas leves e longilíneas do ginásio, construído com estrutura metálica de perfis tubulares e vedos laterais em chapas de aço corrugado.
O prédio é recortado por venezianas de PVC e apresenta embasamento com panos de vidro em quase toda a sua extensão, o que permite acompanhar de fora o treino dos atletas.
Pilares e vigas sustentam a cobertura do tipo shed feita com venezianas, também de PVC, voltadas para a face sul, de modo a assegurar ventilação e iluminação naturais permanentes, mas sem os inconvenientes da incidência solar direta; telhas metálicas do tipo sanduíche de lã de vidro completam a cobertura.
Dotado de fosso para cama elástica, pista de salto, área para solo, barras, argolas, cavalos e outros equipamentos, o novo ginásio foi planejado especificamente para abrigar treinos de ginástica olímpica. Ele atende a todas as exigências da modalidade e pode sediar competições oficiais.
Sua arquibancada, com capacidade para cem pessoas, foi instalada no nível superior, como uma projeção da estrutura metálica do edifício, complementada por cadeiras plásticas azuis.
No mesmo pavimento, a sala dos professores é um volume totalmente envidraçado, de onde se avista todo o conjunto.
O edifício que funcionou como a primeira sede do clube talvez seja o exemplar menos conhecido da obra de Gregori Warchavchik (1896-1972). O arquiteto ucraniano que se formou na Europa mas construiu sua carreira no Brasil, aqui chegou em 1923 para se tornar precursor do modernismo. Foi ele o autor do primeiro artigo sobre arquitetura modernista publicado no país (1925) e do projeto da casa da rua Santa Cruz (1927), a primeira residência brasileira a adotar os conceitos do movimento.
Com as sucessivas ampliações, feitas sem a orientação de um plano diretor, a primeira sede passou a ser o centro de um conjunto de edificações projetadas por diferentes arquitetos e gradativamente implantadas em seu entorno - um desses blocos posteriores, onde hoje funcionam a biblioteca e a sinagoga, também apresenta perfil modernista e foi desenhado por Jorge Wilheim na década de 1970.
O edifício de Warchavchik originalmente abrigava ginásio esportivo e instalações de apoio, mas concentrou também funções sociais e culturais até 1993, quando o térreo passou a ser área de eventos e passagem. Apoiado em pilares ritmados pelo revestimento com pastilhas de vidro, o prédio apresenta volumetria vigorosa diretamente relacionada às funções originais de cada espaço.
Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 275 Janeiro 2003
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