Mauro Munhoz
Residência, Gonçalves, MG
- Detalhes
- 23 de Novembro de 2007.
A disposição interna do pequeno pavilhão, coberto por telhado de duas águas, é muito simples. A planta é simétrica: a porção central destina-se ao estar/cozinha e em cada uma das duas extremidades há uma suíte. A simetria, a organização da planta e a transparência do ambiente central lembram projetos que contaram com a participação de Hélio Olga, como a casa em Carapicuíba, do escritório Una Arquitetos. Já a estrutura, a cobertura e os pormenores da casa de Gonçalves são completamente distintos.
A diferença das duas extremidades, o estar/cozinha possui balanço de cinco metros em direção ao abismo. Para essa interessante solução, a estrutura de cumaru conta, no piso, com o auxílio de mãos francesas (que parecem replicar de forma espelhada a inclinação das tesouras) e, na cobertura, com tirantes metálicos. Além disso, possui no sentido transversal uma espécie de treliça japonesa, que ajuda a configurar o balanço. “É uma viga armada que nunca tínhamos usado”, relata Hélio. O resultado desse esforço: ambas as quinas do espaço de estar ficam livres de pilares, potencializando a vista para os montes.
Mauro Munhoz é daqueles arquitetos contemporâneos que não têm medo de telhados de duas águas. Pelo contrário, sua pesquisa arquitetônica não se limita a coberturas com uma água ou planas - dois elementos clássicos entre os modernos. A exemplo de Wright e do velho Bratke, duas de suas referências, ele se aventura em soluções diversas. Em Gonçalves, o arquiteto usou telhas de vidro e um grande beiral para separar os dois telhados e, ao mesmo tempo, criar um desenho interessante e captar luz zenital para o interior do maior ambiente da casa.
de Fernando Serapião
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 332 Outubro de 2007
Mauro Munhoz formou-se em arquitetura e urbanismo pela FAU/USP em 1982; pela mesma instituição se tornou, em 2003, mestre na área de estruturas ambientais urbanas. Possui escritório próprio em São Paulo desde 1989

