Monica Drucker Arquitetos Associados
Condomínio residencial, São Paulo
- Detalhes
- 26 de Fevereiro de 2009. Visitas: 56.357
O lote em aclive, com sete metros entre o ponto mais baixo e o mais alto, foi o local escolhido para a implantação do Giardino Pirandello, conjunto formado por seis casas geminadas, cada uma com 380 metros quadrados, nas imediações do condomínio Pirandello, também projetado por Monica Drucker (leia PROJETO DESIGN 297, novembro de 2004). Em comum, ambos apresentam poucas unidades, massas arbóreas preservadas e grandes aberturas que proporcionam ventilação cruzada, farta luminosidade natural e vista para o exterior. “O mercado imobiliário costuma oferecer casas de vila com interiores escuros e pouca privacidade, sem insolação. Mas começa a haver a percepção de que o cliente não se importa se a residência é geminada ou não. O que ele quer é vista, sol e ventilação”, afirma a arquiteta.
O projeto encontrou boa parte das respostas à demanda do cliente ao usar a topografia a seu favor - a intervenção mais significativa no lote foi o corte na altura do nível intermediário das casas, para acomodar as piscinas. As construções, todas de frente para a rua, distribuem-se em três pavimentos e têm seus principais setores valorizados pela vista para as árvores pre-existentes e para a cena urbana, que se desenrola alguns metros abaixo. Essa vegetação e os grandes balanços protegem as aberturas generosas contra a incidência direta da luz solar vespertina.
O desalinhamento entre as fachadas resguarda a privacidade dos moradores, mesma preocupação que deu origem à parede que veda uma das laterais da varanda. No canto fechado, uma abertura circular na laje permite a entrada de luz para compensar o sombreamento causado pela empena. “A ideia inicial era fazer pérgolas nesse ponto, mas o cliente optou pelo recorte”, detalha Monica.
Outro ponto diferencial é a infraestrutura, que permite reduzir as despesas de condomínio. Uma grande cisterna recebe águas pluviais para uso em irrigação, limpeza das áreas comuns, bacias sanitárias e, após filtragem, também nas piscinas. Todas as unidades têm placas de captação de energia solar para aquecimento de água, complementando o sistema a gás. “Com esses recursos, a taxa de condomínio fica em torno de mil reais; sem eles, ficaria por volta de 2,5 mil reais”, compara a arquiteta.
As casas apresentam plantas iguais, com pequenas diferenças nos terraços da unidade que ocupa o extremo mais próximo da esquina. O térreo, que dá acesso direto à rua interna, é ocupado por hall social, quatro vagas de garagem, depósito e setores de serviços. Esse piso se estende em direção aos fundos até encontrar um muro de arrimo, que funciona como apoio para os níveis superiores. No andar intermediário foram alocadas as áreas sociais, cozinha e jardim com piscina; o último pavimento é ocupado por quatro suítes.
De acordo com Monica, o projeto é modulado, para racionalizar procedimentos e minimizar desperdícios. Vigas e pilares de concreto resultam em vãos fechados por tijolos de barro maciço, o que confere mais conforto acústico aos interiores. “Como são casas geminadas, esse cuidado é essencial”, ela afirma. Os materiais de acabamento são neutros e de fácil manutenção, como esquadrias de alumínio na cor branca, revestimentos em porcelanato e tacos na área íntima. Considerando necessidades individuais dos moradores, as unidades possuem espaço reservado e infraestrutura elétrica para permitir a instalação de elevador interligando os três pisos.
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 347 Janeiro de 2009
Monica Drucker é arquiteta formada pela FAU/USP em 1986. Trabalhou e cursou pós-graduação na Itália entre 1988 e 1989. Foi professora da FAU/Mackenzie entre 1993 e 1998 e desde 1994 tem escritório próprio
e piscina
do bairro

