Nave Arquitetos Associados

Residência, São Paulo

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Metade vidro, metade concreto

Metade vidro, metade concreto, a residência projetada por Márcio Coelho, Marcos Ribeiro,
Roberto Fialho, Sílvio Sguizzardi e Valéria Santos,
do escritório Nave, é dessas agradáveis novidades que aparecem no bairro de Vila Madalena.

A reinterpretação do sobrado geminado traz maior transparência nos planos verticais e fluidez aos espaços internos. A amistosa relação com a vizinhança foi “roubada” da edificação original do lote.

A residência situa-se na área central do bairro, caracterizado por intensa concentração de espaços gastronômicos, culturais e artísticos. A edificação ocupa o lugar de antiga casa térrea, e seu desenho preserva, de certa maneira, a disposição espacial da moradia anterior.

A solicitação foi a de uma habitação mínima, destinada a um jovem casal, a ser implantada no lote onde já existia a pequena casa térrea de dois cômodos, relata o arquiteto Roberto Fialho, um dos sócios do Nave.

Inicialmente, cogitou-se acrescentar à estrutura existente um piso superior para abrigar dormitório, banheiro e quarto de vestir/escritório. A hipótese foi abandonada: paredes antigas, ausência de estrutura de concreto e fundação, cupins nas estruturas de madeiras foram alguns dos problemas que levaram, afinal, à demolição, conta Fialho.

Mas a nova proposta, com personalidade autônoma, nem por isso entrou em confronto com o entorno.
Ela respeita a memória da casa anterior, a começar pela implantação dentro dos limites da edificação original. Da mesma forma, foi preservada a fraternal relação com as construções vizinhas.

A casa assobradada tem a forma aproximada de um cubo constituído parte em concreto e parte em vidro - esta estruturada por perfis metálicos. “A estrutura resume-se a dois pilares em concreto aparente que sustentam as lajes do piso e da cobertura e formam os espaços funcionais da casa”, explica Fialho.

A solução estrutural concentrada nos pilares (paredes frontal e de fundo) libera o restante do perímetro da construção para as superfícies envidraçadas. A configuração é uma das qualidades do projeto, pois, a partir da incidência da luz solar e do contato com o jardim, as dimensões dos cômodos aparentam ser maiores.

O acesso ao pavimento superior é feito por
escada metálica localizada na faixa envidraçada, com farta luz natural; o dormitório, porém, é isolado pelo armário do quarto de vestir. “O controle da luminosidade das superfícies envidraçadas é realizado por brises de madeira fixados nos montantes da caixilharia”, detalha o arquiteto.

Um bloco central, que concentra os banheiros e as colunas de alimentação de água, é também utilizado como poço de iluminação e ventilação - solução semelhante à de outro projeto do escritório.


Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 282 Agosto de 2003

Nas costas do armário que veda a parte íntima,
painel desenhado por Roberto Fialho
Pavimento superior: no teto, mão-francesa fornece apoio complementar à parte em balanço da laje de cobertura
Os perfis metálicos servem de apoio ao vidro, protegido
pelos brises; a laje de cobertura está em balanço
Concreto, vidro e madeira coexistem na
versão contemporânea do sobrado paulistano
Vista noturna da residência
A nova casa situa-se nos limites ocupados pela edificação original. Jardins e árvores originais foram mantidos
A escada metálica disposta na área envidraçada
recebe intensa luz natural