Nave Arquitetos Associados
Residência, São Paulo
- Detalhes
- 11 de Agosto de 2003. Visitas: 43.962

Metade vidro, metade concreto, a residência projetada por Márcio Coelho, Marcos Ribeiro,
Roberto Fialho, Sílvio Sguizzardi e Valéria Santos,
do escritório Nave, é dessas agradáveis novidades que aparecem no bairro de Vila Madalena.
A reinterpretação do sobrado geminado traz maior transparência nos planos verticais e fluidez aos espaços internos. A amistosa relação com a vizinhança foi “roubada” da edificação original do lote.
A residência situa-se na área central do bairro, caracterizado por intensa concentração de espaços gastronômicos, culturais e artísticos. A edificação ocupa o lugar de antiga casa térrea, e seu desenho preserva, de certa maneira, a disposição espacial da moradia anterior.
A solicitação foi a de uma habitação mínima, destinada a um jovem casal, a ser implantada no lote onde já existia a pequena casa térrea de dois cômodos, relata o arquiteto Roberto Fialho, um dos sócios do Nave.
Inicialmente, cogitou-se acrescentar à estrutura existente um piso superior para abrigar dormitório, banheiro e quarto de vestir/escritório. A hipótese foi abandonada: paredes antigas, ausência de estrutura de concreto e fundação, cupins nas estruturas de madeiras foram alguns dos problemas que levaram, afinal, à demolição, conta Fialho.
Mas a nova proposta, com personalidade autônoma, nem por isso entrou em confronto com o entorno.
Ela respeita a memória da casa anterior, a começar pela implantação dentro dos limites da edificação original. Da mesma forma, foi preservada a fraternal relação com as construções vizinhas.
A casa assobradada tem a forma aproximada de um cubo constituído parte em concreto e parte em vidro - esta estruturada por perfis metálicos. “A estrutura resume-se a dois pilares em concreto aparente que sustentam as lajes do piso e da cobertura e formam os espaços funcionais da casa”, explica Fialho.
A solução estrutural concentrada nos pilares (paredes frontal e de fundo) libera o restante do perímetro da construção para as superfícies envidraçadas. A configuração é uma das qualidades do projeto, pois, a partir da incidência da luz solar e do contato com o jardim, as dimensões dos cômodos aparentam ser maiores.
O acesso ao pavimento superior é feito por
escada metálica localizada na faixa envidraçada, com farta luz natural; o dormitório, porém, é isolado pelo armário do quarto de vestir. “O controle da luminosidade das superfícies envidraçadas é realizado por brises de madeira fixados nos montantes da caixilharia”, detalha o arquiteto.
Um bloco central, que concentra os banheiros e as colunas de alimentação de água, é também utilizado como poço de iluminação e ventilação - solução semelhante à de outro projeto do escritório.
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 282 Agosto de 2003
painel desenhado por Roberto Fialho
pelos brises; a laje de cobertura está em balanço
versão contemporânea do sobrado paulistano
recebe intensa luz natural


