Paulo Bruna Arquitetos Associados

Teatro, São Paulo

Fichas técnicas
Plantas, cortes e fachadas
Reconstruído, Cultura Artística terá maior área e amplo foyer

Há exatamente um ano, a edição 336 de PROJETO DESIGN trazia o projeto de Paulo Bruna (FAU/USP, 1964) para a ampliação do Cultura Artística, teatro paulistano desenhado por Rino Levi e Roberto Cerqueira César e inaugurado em março de 1950, com concertos de Heitor Villa-Lobos e Camargo Guarnieri. Não houve, porém, tempo para viabilizar a proposta e ampliar o teatro, reconhecido por suas excelentes acústica e curva de visibilidade e também considerado uma referência histórica e arquitetônica da cidade. Na madrugada de 17 de agosto de 2008, um incêndio de grandes proporções destruiu o edifício, que era tombado pelo patrimônio histórico municipal e estadual. Ficaram de pé apenas a fachada com a bilheteria no térreo, os caixilhos do primeiro andar e o painel de pastilhas de vidro com oito metros de altura por 48 metros de comprimento, criado por Emiliano Di Cavalcanti. “Rino estruturou a fachada com uma série de pilares entre duas paredes de alvenaria para que ela não viesse a apresentar trincas por movimentação. A parede interna chegou a ser calcinada, mas a externa permaneceu”, detalha Bruna ao explicar por que a fachada conseguiu sobreviver às chamas.

O fato de o painel ter resistido foi um dos motivos que levaram a diretoria da Sociedade Cultura Artística a optar pela reconstrução do teatro no mesmo local. “Eles entendem que isso ajudará na revalorização da área quando a praça Roosevelt for revitalizada”, afirma Bruna. O projeto para o novo teatro inclui a preservação da antiga fachada, infraestrutura multiúso para permitir todos os tipos de espetáculo e a instalação de recursos não habituais à época de sua construção, mas sempre buscando manter coerência com a lógica do desenho de Levi. Entre as novidades estão o amplo foyer, fosso para orquestra, modernos equipamentos cênicos e de iluminação, camarins de nível internacional, pavimento administrativo e subsolo para garagem e máquinas. “Isso exigirá cuidadoso escoramento para evitar que a fachada desabe durante as escavações”, diz Bruna.

O novo programa ocupará uma área anexa ao teatro, que já pertencia à sociedade, e antes era usada para carga e descarga de materiais, comenta a arquiteta Camila Zanchetta (FAU/Mackenzie, 2004), coautora do projeto. Para abrir espaço para o novo foyer, Bruna optou por elevar a plateia, o que libera cerca de 80% da área térrea para circulação e ainda permite a instalação de bar com mesinhas, chapelaria e ponto para venda de programas e CDs. O novo térreo resolve uma deficiência do antigo projeto, uma vez que o espaço não comportava todos os espectadores durante os intervalos e criava dificuldades quando eram servidos coqueteis.

O saguão dará acesso à plateia por meio de escadas rolantes e elevadores. Antes dividido em duas salas, a maior com capacidade para 1.171 pessoas, o Cultura Artística passará a ter um só auditório com cerca de 800 assentos, complementado por balcões e camarotes, totalizando 1.406 lugares. “Dessa forma, mesmo que a lotação não esteja completa, não haverá a sensação de casa vazia”, explica Bruna. A profundidade original da sala, de 23 metros, será mantida. “Alguns atores dizem que do palco dava para ver o olho do espectador na última fila”, comenta o arquiteto.

As três primeiras fileiras da plateia ocuparão uma plataforma móvel que permitirá elevar ou abaixar o fosso da orquestra. O palco, de formato italiano, será dotado de todas as condições e tecnologias necessárias a um teatro multiúso e apresentará dimensões generosas - altura de 27 metros, largura total de 25 metros e boca de cena com 13 por 10 metros -, e infraestrutura de apoio, com sanitário para os artistas e camarim para trocas rápidas de figurino durante as apresentações. No fundo do palco, elevadores darão acesso ao pavimento dos camarins, logo acima do balcão superior. No piso acima serão alocadas a administração e as instalações para funcionários, tais como vestiários e refeitório. O novo prédio terá gabarito de aproximadamente 35 metros e fachadas neutras de granito, fazendo pano de fundo ao painel de Di Cavalcanti.

A previsão é que o teatro reabra as portas em 2012, ano do centenário da Sociedade Cultura Artística. A prefeitura e os órgãos do patrimônio histórico já aprovaram o novo projeto e as obras devem ter início ainda no primeiro semestre de 2009, com a demolição e retirada dos escombros e restauro da fachada. As demais etapas ainda aguardam a aprovação do orçamento e a captação de recursos.



Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 348 Fevereiro de 2009
Croqui
Croqui