Paulo Cesa Filho
Residência, Gramado - RS
- Detalhes
- 20 de Agosto de 2002. Visitas: 49.179
e arquitetura vernacular
A beleza natural e a qualidade de vida da cidade de Gramado, na serra gaúcha, motivaram o arquiteto Paulo Cesa Filho a construir no município a sua residência. No projeto, Cesa recorreu à madeira como principal elemento construtivo, utilizando-a à maneira da tradicional arquitetura gramadense.
A linguagem, contemporânea, faz uso de materiais típicos da arquitetura vernacular. O projeto de Cesa incorpora elementos da tradição construtiva local e busca, na escolha dos materiais típicos da arquitetura vernacular daquela região serrana (madeira, pedra, tijolo in natura e telha metálica), uma relação harmoniosa com a paisagem.
A linguagem, no entanto, é contemporânea.
“O projeto reedita alguns fetiches da tradição local sem realizar os pastiches ou simulacros tão comuns na cidade”, avalia o autor.
Segundo o arquiteto e crítico gaúcho Maturino Luz,
o turismo predador estimulado pelo poder público contribuiu para que a paisagem cultural de Gramado fosse paulatinamente descaracterizada,
a partir da década de 1970.
A vertente projetual adotada por Cesa, porém, busca resgatar a cultura local. O programa da residência distribui-se em dois volumes principais e um secundário, interposto. No primeiro volume, mais próximo da rua, está o estúdio, espaço de cobertura plana que tem à frente um terraço com deque panorâmico e vista para os pinheiros da borda do lago Negro.
No segundo, ao fundo e visualmente marcado por meia água, fica a casa propriamente dita. No térreo estão os setores sociais e de serviços; a cozinha se integra com os ambientes de estar e de jantar, voltados para o pátio dos fundos, no qual há outro deque e a piscina. No pavimento superior - um sótão -, os dormitórios configuram-se entre as tesouras da estrutura. Nesse mesmo nível, a conexão entre o volume do estúdio (com terraço no teto) e a casa se dá por uma espécie de ponte. Ainda entre a casa e o estúdio, acomoda-se um pátio com cobertura em vidro e a torre em tijolos dos banheiros e reservatório.
Torre e ponte formam o volume secundário.
“Algumas compartimentações são feitas com painéis móveis. Com isso, o setor íntimo pode integrar-se parcialmente com o mezanino e o vazio do estar”, explica Cesa. O princípio da planta livre também está presente no estúdio, que se relaciona com a habitação por meio de portas de correr.
Da mesma forma, o autor busca a integração com os pátios. É o caso da área de jantar - a caixa de vidro das refeições, como a chama Cesa -, onde uma grande porta corre sobre trilho nos jardins dos fundos.
O sistema construtivo em madeira exibe a estrutura principal. Já a secundária é revestida, constituindo paredes duplas - pranchas dispostas horizontalmente com encaixes do tipo macho-e-fêmea - cujo interior é preenchido com isolante térmico. “A casa foi concebida para uma grande exposição solar devido ao frio característico da região e também para permitir apreciar a beleza natural do lugar através das grandes superfícies envidraçadas”, diz Cesa. O tijolo foi trabalhado de modo a formar painéis decorativos, sendo também elemento de suporte estrutural. Algumas lajes foram projetadas com cerâmica armada.
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 270 Agosto de 2002
e um intermediário que os conecta
da casa, remetendo à arquitetura vernacular da região
integra-se visualmente ao mezanino-sótão


