Paulo Mendes da Rocha e Pedro Mendes da Rocha

Museu das Minas e do Metal, Belo Horizonte

Fichas técnicas
Fornecedores
Plantas, cortes e fachadas
A caixa cega é adequada para a realização de exposições
A caixa cega é adequada para a realização de exposições
Em edifício histórico, vidro e metal criam espaço para as minas
Inaugurado na segunda quinzena de junho, o Museu das Minas e do Metal, em Belo Horizonte, ocupa um imóvel histórico na praça da Liberdade, habilitado para o novo programa por Paulo e Pedro Mendes da Rocha. Volumes envidraçados, que contêm elevador e escadas, e blocos em forma de U, com revestimento metálico em tom vermelho, foram as soluções que os arquitetos - pai e filho - escolheram para resolver a circulação interna.

O convite veio pouco antes de Paulo Mendes da Rocha ser contemplado com o Pritzker, em 2006: sem ter nenhuma obra em Minas Gerais, ele foi chamado pelo governo do estado para desenvolver um dos projetos do Circuito Cultural Praça da Liberdade, programa idealizado para dar novo uso aos edifícios históricos que ficariam desocupados com a transferência da administração pública para a Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves.

A proposta previa que o imóvel construído em 1897 (projeto do pernambucano José de Magalhães), cujo último ocupante foi a Secretaria da Educação estadual, abrigasse o Centro de Indústria, Arte e Cidade (Ciac). A pretensão inicial não prosperou, mas foram mantidos a ideia de uso cultural e o convite ao arquiteto, que desenvolveu a adaptação do prédio para receber o Museu das Minas e do Metal, financiado pelo grupo EBX (do empresário Eike Batista), que atua na área de mineração. O grupo informa ter investido 25 milhões de reais no projeto.

O Museu das Minas e do Metal ocupa um prédio centenário na praça da Liberdade, em Belo Horizonte. É a primeira obra de Paulo Mendes da Rocha na cidade
O Museu das Minas e do Metal ocupa um prédio centenário na praça da Liberdade, em Belo Horizonte. É a primeira obra de Paulo Mendes da Rocha na cidade
O Museu das Minas e do Metal tem acervo material pequeno: a maioria de suas atrações é interativa
O Museu das Minas e do Metal tem acervo material pequeno: a maioria de suas atrações é interativa
Vista da cobertura de vidro do museu
Vista da cobertura de vidro do museu

As mais de 40 atrações do Museu das Minas e do Metal são, sobretudo, virtuais e interativas, tratando de temas que vão da importância dos metais na vida das pessoas à sua relevância para a economia do país. Os espaços expositivos espalham-se pelo três pavimentos aflorados da edificação (no embasamento ficam a biblioteca, a administração e a reserva técnica).

No térreo, chamado de nível Liberdade, são apresentadas informações sobre a cidade de Belo Horizonte, a praça da Liberdade e a implantação do museu. No primeiro andar estrutura-se o Museu das Minas e no segundo estão distribuídos os equipamentos com as atrações do Museu do Metal (por exemplo, uma maquete interativa que exibe as operações de uma mina de ferro).

A intervenção no prédio de Belo Horizonte se aproxima do projeto do Museu da Língua Portuguesa, dos mesmos arquitetos, não só por apostar na interatividade e compartilhar também o autor do projeto museológico, Marcelo Dantas.

Em ambos os casos, a principal exigência era acrescentar às edificações um sistema de circulação eficiente para receber um grande número de visitantes. Diferente do museu paulista, porém, no mineiro o acréscimo evidencia-se também na parte externa, estabelecendo um contraponto com a construção original.

O projeto concentrou-se no corpo posterior. Acrescentado ao prédio original na década de 1960 e arquitetonicamente irrelevante, ele foi parcialmente removido e sobre a parte remanescente implantou‑se o volume cego, composto de chapas metálicas de cinco milímetros. Também metálicas, fundações que independem da construção anterior sustentam a nova edificação, evidenciada pela cor vermelha dada pela pintura automotiva.

O pavimento novo, em forma de U, envolveu o vazio existente entre o edifício histórico e seu anexo. A conexão criou uma galeria que se junta aos salões expositivos do prédio antigo. Foram agregados ao bloco contemporâneo dois volumes de vidro laminado que equacionam a circulação de visitantes. O primeiro, que contém um elevador para passageiros e cargas, fica no extremo norte da edificação; o outro abriga a escada.

Se externamente o destaque da intervenção são os volumes novos, no interior chama a atenção o grande vazio central, o coração do espaço, que tem a altura de três andares. A cobertura envidraçada dessa área, segundo os autores, consolida uma intervenção executada nos anos 1980. Ela foi atualizada com o emprego de uma estrutura metálica de vigas-calha de seção V e de vidros transparentes.



Texto de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 366 Agosto de 2010


Paulo Mendes da RochaPedro Mendes da Rocha Paulo Mendes da Rocha formou-se em 1954 pela Universidade Mackenzie e em 2006 recebeu o Prêmio Pritzker. Pedro Mendes da Rocha graduou-se pela FAU/USP em 1986 e é titular do escritório Arte 3, que atua nas áreas de arquitetura, urbanismo, projetos de exposições e museográficos
A torre na lateral da edificação possui materialidade distinta do volume original
A torre na lateral da edificação possui materialidade distinta do volume original
No fundo do prédio, a caixa de vidro envolve a nova escada
No fundo do prédio, a caixa de vidro envolve a nova escada
Vidros transparentes montados sobre estrutura metálica fecham a nova área de circulação vertical
Vidros transparentes montados sobre estrutura metálica fecham a nova área de circulação vertical
Nova escada, no fundo do prédio, envolvida pela caixa de vidro
Nova escada, no fundo do prédio, envolvida pela caixa de vidro
A cobertura de vidro está montada sobre vigas‑calha de seção V
O novo elemento equaciona a circulação vertical para os visitantes e facilita o acesso de pessoas com dificuldade de mobilidade
Novo elemento equaciona a circulação vertical para os visitantes e facilita o acesso de pessoas com dificuldade de mobilidade