RAF Arquitetura
Instituto Nacional de Traumatologia Ortopédica, Rio de Janeiro
- Detalhes
- 04 de Novembro de 2011. Visitas: 7.097
O edifício de nove andares que abrigou o JB, incorporado ao projeto do Instituto Nacional de Traumatologia Ortopédica (Into), contrasta com as novas edificações de até três pavimentos propostas pelo escritório RAF Arquitetura, que adotou a solução conhecida como placa e torre - trata-se da contraposição imediata das tipologias horizontal e vertical. Há pelo menos três justificativas para esse princípio projetual.
Uma é inerente ao local, de modo a preservar a vista para a baía de Guanabara. Outra é intrínseca ao programa, com o objetivo de desmembrar o fluxo tripartido de pacientes (exames, internações e pós-operatório) e de veículos.
A terceira é de natureza ambiental, pois as novas construções constituem uma barreira física à poluição sonora do entorno, tendo em vista que o hospital está localizado nas imediações da Perimetral, avenida de tráfego intenso que contorna a zona portuária do Rio de Janeiro.
Assim, a volumetria fragmentada e predominantemente horizontal reflete a preocupação de dar fluidez aos deslocamentos pelo hospital. Nesse aspecto destaca-se, nos afastamentos entre as edificações, a criação de pequenas praças ou átrios semipúblicos e de uma rua interna de pedestres, recoberta por estrutura metálica de perfil inclinado.
Com isso, é possível cruzar transversalmente todo o lote, de modo a conectar as entradas de pacientes e visitantes, pela avenida Rio de Janeiro, à privativa e de serviços, feita pela avenida Brasil.
São quatro as novas construções: um edifício pavilhonar que acomoda as recepções, no térreo, e estacionamentos nos andares superiores; o átrio central, que tangencia a antiga edificação interligando os dois eixos viários do entorno; e duas torres de circulação vertical.
Revestidas por vidro espelhado e posicionadas a cada terço da largura do antigo edifício, elas respondem a critérios de segurança e acessibilidade, levando-se em conta que o volume de concreto projetado por Henrique Mindlin para abrigar a sede do Jornal do Brasil foi quase todo ocupado pela área de hotelaria do hospital.
Há 23 centros de tratamento específico, 21 salas cirúrgicas, outras três dedicadas ao hospital-dia e duas preparadas para o acompanhamento remoto das intervenções médicas.
A isso somam-se 64 consultórios e 400 leitos, distribuídos segundo o princípio de corredor duplamente carregado, ou seja, circulações paralelas tangenciando os núcleos centrais de enfermagem, como explica Flávio Kelner, um dos sócios do escritório RAF Arquitetura.
“O dimensionamento estrutural concebido por Henrique Mindlin no prédio existente nos deu muita liberdade de projeto. Os grandes vãos tornaram relativamente simples a tarefa de setorizar as lajes livres”, relata o arquiteto, enfatizando ainda o fato de terem sido criados inúmeros shafts e aberturas de lajes, visando a praticidade e eficiência das instalações.
Uma das premissas do projeto foi preservar ao máximo a arquitetura do prédio moderno, para o que se fez o restauro do concreto das fachadas e dos interiores do átrio central, adornado por painel de Athos Bulcão.
Também o setor de administração foi mantido na cobertura da edificação, que conta com vista privilegiada para a baía de Guanabara e para a ponte Rio-Niterói.
Já no que diz respeito às novas construções, o destaque vai para o invólucro de aço corten do edifício de consultórios e garagem - totalizando 300 metros de testada -, que faz menção à ambiência portuária do entorno.
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 379 Setembro de 2011



Os arquitetos Rodrigo Sambaquy, Aníbal Sabrosa e Flávio Kelner, formados pela Universidade Santa Úrsula/RJ em 1988, fundaram o escritório RAF Arquitetura em 1989. Desde 1995, integra a equipe o arquiteto Henri Medalla (formado em Toulouse, França), que se tornou sócio da empresa. Em 2010 abriram escritório em São Paulo, em associação com a arquiteta Cynthia Kalichsztein
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