RAF Arquitetura

Instituto Nacional de Traumatologia Ortopédica, Rio de Janeiro

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Hospital agrega novas construções a edificação preexistente
O hospital agrega novas construções a uma edificação preexistente
Hospital incorpora antiga sede do JB
Estava prevista para agosto passado a abertura do Instituto Nacional de Traumatologia Ortopédica (Into), cuja concepção pela equipe do escritório RAF Arquitetura começou em 2007. O hospital público ocupa as instalações da antiga sede do Jornal do Brasil, um edifício de concreto armado de autoria do arquiteto moderno Henrique Mindlin. Para complementá-lo e acomodar o denso programa, os autores propuseram novas construções, com a tipologia de nome placa e torre.

O edifício de nove andares que abrigou o JB, incorporado ao projeto do Instituto Nacional de Traumatologia Ortopédica (Into), contrasta com as novas edificações de até três pavimentos propostas pelo escritório RAF Arquitetura, que adotou a solução conhecida como placa e torre - trata-se da contraposição imediata das tipologias horizontal e vertical. Há pelo menos três justificativas para esse princípio projetual.

Uma é inerente ao local, de modo a preservar a vista para a baía de Guanabara. Outra é intrínseca ao programa, com o objetivo de desmembrar o fluxo tripartido de pacientes (exames, internações e pós-operatório) e de veículos.

A terceira é de natureza ambiental, pois as novas construções constituem uma barreira física à poluição sonora do entorno, tendo em vista que o hospital está localizado nas imediações da Perimetral, avenida de tráfego intenso que contorna a zona portuária do Rio de Janeiro.

Fotomontagem
Fotomontagem
Torres verticais de circulação foram sobrepostas ao antigo prédio
Duas torres verticais de circulação foram sobrepostas transversalmente ao antigo prédio
Entrada social pelo terréo da edificação
A entrada social, para pacientes e médicos, se dá pelo térreo da edificação com 300 metros de testada, cujos andares superiores abrigam as garagens

Assim, a volumetria fragmentada e predominantemente horizontal reflete a preocupação de dar fluidez aos deslocamentos pelo hospital. Nesse aspecto destaca-se, nos afastamentos entre as edificações, a criação de pequenas praças ou átrios semipúblicos e de uma rua interna de pedestres, recoberta por estrutura metálica de perfil inclinado.

Com isso, é possível cruzar transversalmente todo o lote, de modo a conectar as entradas de pacientes e visitantes, pela avenida Rio de Janeiro, à privativa e de serviços, feita pela avenida Brasil.

São quatro as novas construções: um edifício pavilhonar que acomoda as recepções, no térreo, e estacionamentos nos andares superiores; o átrio central, que tangencia a antiga edificação interligando os dois eixos viários do entorno; e duas torres de circulação vertical.

Revestidas por vidro espelhado e posicionadas a cada terço da largura do antigo edifício, elas respondem a critérios de segurança e acessibilidade, levando-se em conta que o volume de concreto projetado por Henrique Mindlin para abrigar a sede do Jornal do Brasil foi quase todo ocupado pela área de hotelaria do hospital.

Há 23 centros de tratamento específico, 21 salas cirúrgicas, outras três dedicadas ao hospital-dia e duas preparadas para o acompanhamento remoto das intervenções médicas.

A isso somam-se 64 consultórios e 400 leitos, distribuídos segundo o princípio de corredor duplamente carregado, ou seja, circulações paralelas tangenciando os núcleos centrais de enfermagem, como explica Flávio Kelner, um dos sócios do escritório RAF Arquitetura.

O partido de construções dispersas, interconectadas por áreas abertas, deu origem aos diversos volumes horizontais que acomodam consultórios, áreas de exame e centro cirúrgico
Átrio central tangencia edificação existente
O átrio central tangencia a edificação existente, conectando as duas vias do entorno

“O dimensionamento estrutural concebido por Henrique Mindlin no prédio existente nos deu muita liberdade de projeto. Os grandes vãos tornaram relativamente simples a tarefa de setorizar as lajes livres”, relata o arquiteto, enfatizando ainda o fato de terem sido criados inúmeros shafts e aberturas de lajes, visando a praticidade e eficiência das instalações.

Uma das premissas do projeto foi preservar ao máximo a arquitetura do prédio moderno, para o que se fez o restauro do concreto das fachadas e dos interiores do átrio central, adornado por painel de Athos Bulcão.

Também o setor de administração foi mantido na cobertura da edificação, que conta com vista privilegiada para a baía de Guanabara e para a ponte Rio-Niterói.

Detalhe da passagem entre o edifício-garagem e a praça aberta, no térreo do complexo. À direita pode-se ver o invólucro de aço corten das rampas de veículos, uma menção à linguagem portuária do entorno
Vista em direção à rampa de acesso de veículos, na cobertura da edificação frontal
Vista em direção à rampa de acesso de veículos, na cobertura da edificação frontal

Já no que diz respeito às novas construções, o destaque vai para o invólucro de aço corten do edifício de consultórios e garagem - totalizando 300 metros de testada -, que faz menção à ambiência portuária do entorno.



Texto de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 379 Setembro de 2011


Rodrigo SambaquyAníbal SabrosaFlávio KelnerHenri Medalla Os arquitetos Rodrigo Sambaquy, Aníbal Sabrosa e Flávio Kelner, formados pela Universidade Santa Úrsula/RJ em 1988, fundaram o escritório RAF Arquitetura em 1989. Desde 1995, integra a equipe o arquiteto Henri Medalla (formado em Toulouse, França), que se tornou sócio da empresa. Em 2010 abriram escritório em São Paulo, em associação com a arquiteta Cynthia Kalichsztein
Perspectiva
Perspectiva
Croqui
Croqui
Detalhes do encontro entre a torre de circulação vertical e o edifício existente
Detalhes do encontro entre a torre de circulação vertical e o edifício existente
É abundante a luminosidade natural dos interiores, como se nota no átrio principal de circulação dos pacientes externos
É abundante a luminosidade natural dos interiores, como se nota no átrio principal de circulação dos pacientes externos
O antigo lobby do Jornal do Brasil foi restaurado, destacando-se o painel decorativo concebido por Athos Bulcão
O revestimento envidraçado dissimula a inserção
no novo volume
A área administrativa ocupa a cobertura da edificação existente