Sandra Moura Arquitetura
Restaurante Mangai, Brasília
- Detalhes
- 06 de Novembro de 2009. Visitas: 32.721
Para consolidar a marca do restaurante Mangai não só pela gastronomia, mas também como referência para os nordestinos que vivem longe de sua terra, o primeiro passo dado pelos proprietários das bem-sucedidas casas em João Pessoa e Natal foi a abertura da filial em Brasília. Como as raízes culturais deveriam permear o projeto, este foi desenvolvido pela arquiteta paraibana Sandra Moura, responsável pelas unidades anteriores.
As dimensões generosas do lote, marcado por aclive com 4,5 metros de diferença entre as cotas, permitiram a construção de um amplo restaurante em dois níveis (térreo e subsolo para serviços), cercado por mais de 4 mil metros quadrados de área verde. No nível inferior, o estacionamento de 6 mil metros quadrados tem vagas para 298 veículos e liga-se ao restaurante por um elevador, que ganhou como invólucro uma escultural caixa de aço corten SAC 50 com recortes elaborados pela arquiteta e inspirados no desenho da palma, um tipo de cacto comum na caatinga.
Com referências diretas a casas de engenho e olarias, o restaurante é pontuado pelo artesanato paraibano. O sistema construtivo é misto de aço e concreto, protegido pela cobertura de quatro águas com telhas cerâmicas. Uma viga de concreto contorna o volume e embute caixas de luz que, quando acesas, fazem com que o telhado pareça flutuar. Os grandes alpendres com móveis mineiros e redes pelos cantos oferecem um espaço para o cliente se deitar após a refeição. “As redes dão um clima de casa da família”, diz Sandra.
Seis chaminés - três alinhadas com a face principal e três na área central - embutem alguns dos pilares da construção. Com nove metros de altura e revestimento de tijolos, elas são acesas durante a noite, recurso que cria um marco visível a distância. Os fechamentos combinam grandes panos de vidro e arremate de eucalipto e são pontualmente recortados pelas portas vazadas, que repetem o desenho da caixa do elevador. O único volume opaco da construção é o dos sanitários, revestido externamente por pedras.
O amplo salão interno, com piso de cimento queimado, é ocupado por grandes mesas comunitárias e algumas poucas menores, com capacidade total para mil pessoas. Texturas marcantes, desenhadas pela arquiteta, aparecem em destaque no espaço. “Não temos no Nordeste os mesmos recursos encontrados em outras cidades do país e isso exige muito do arquiteto que quer fazer arte, que quer fazer diferente”, afirma Sandra. Entre os itens criados por ela estão o enorme lustre feito com guardanapos de tecido branco, o que dá efeito inusitado à área vip, e os pendentes circulares elaborados com palha-da-costa. Este mesmo material reaparece na cortina de gomos moldados na forma de sabugo de milho, usada para dividir visualmente o salão. Três luminárias pendentes, em forma de pião, foram confeccionadas artesanalmente a partir de mil desses pequenos brinquedos de madeira.
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 355 Setembro de 2009
Sandra Moura (FAU/Universidade Federal da Paraíba, 1987) especializou-se em estrutura metálica e lighting design. É titular do escritório de arquitetura que leva seu nome

