Sandra Moura Arquitetura

Restaurante Mangai, Brasília

Fichas técnicas
Fornecedores
Plantas, cortes e fachadas
As portas de aço repetem o desenho da caixa do elevador
Os fechamentos combinam vidro e eucalipto. As portas de aço repetem o desenho da caixa do elevador
Arquitetura leva à capital sotaque e sabores do Nordeste
A culinária contemporânea do Nordeste é a especialidade do Mangai, nome que faz referência às feiras populares do interior da Paraíba. O restaurante começou como simples bodega em João Pessoa e pouco depois ganhou filial em Natal e um terceiro endereço em Brasília, no setor de clubes esportivos, próximo da ponte JK. A arquiteta Sandra Moura buscou inspiração nas sedes de engenho para a ambientação rústica e intimista.

Para consolidar a marca do restaurante Mangai não só pela gastronomia, mas também como referência para os nordestinos que vivem longe de sua terra, o primeiro passo dado pelos proprietários das bem-sucedidas casas em João Pessoa e Natal foi a abertura da filial em Brasília. Como as raízes culturais deveriam permear o projeto, este foi desenvolvido pela arquiteta paraibana Sandra Moura, responsável pelas unidades anteriores.

As dimensões generosas do lote, marcado por aclive com 4,5 metros de diferença entre as cotas, permitiram a construção de um amplo restaurante em dois níveis (térreo e subsolo para serviços), cercado por mais de 4 mil metros quadrados de área verde. No nível inferior, o estacionamento de 6 mil metros quadrados tem vagas para 298 veículos e liga-se ao restaurante por um elevador, que ganhou como invólucro uma escultural caixa de aço corten SAC 50 com recortes elaborados pela arquiteta e inspirados no desenho da palma, um tipo de cacto comum na caatinga.

Com referências diretas a casas de engenho e olarias, o restaurante é pontuado pelo artesanato paraibano. O sistema construtivo é misto de aço e concreto, protegido pela cobertura de quatro águas com telhas cerâmicas. Uma viga de concreto contorna o volume e embute caixas de luz que, quando acesas, fazem com que o telhado pareça flutuar. Os grandes alpendres com móveis mineiros e redes pelos cantos oferecem um espaço para o cliente se deitar após a refeição. “As redes dão um clima de casa da família”, diz Sandra.

Guardanapos de tecido branco formam a luminária da área vip
Guardanapos de tecido branco formam a luminária da área vip
Casas de engenho e olarias são a fonte de inspiração da arquitetura do Mangai
Casas de engenho e olarias são a fonte de inspiração da arquitetura do Mangai
A ampla varanda com piso cerâmico é decorada com móveis mineiros, redes e artesanato paraibano
A ampla varanda com piso cerâmico é decorada com móveis mineiros, redes e artesanato paraibano

Seis chaminés - três alinhadas com a face principal e três na área central - embutem alguns dos pilares da construção. Com nove metros de altura e revestimento de tijolos, elas são acesas durante a noite, recurso que cria um marco visível a distância. Os fechamentos combinam grandes panos de vidro e arremate de eucalipto e são pontualmente recortados pelas portas vazadas, que repetem o desenho da caixa do elevador. O único volume opaco da construção é o dos sanitários, revestido externamente por pedras.

O amplo salão interno, com piso de cimento queimado, é ocupado por grandes mesas comunitárias e algumas poucas menores, com capacidade total para mil pessoas. Texturas marcantes, desenhadas pela arquiteta, aparecem em destaque no espaço. “Não temos no Nordeste os mesmos recursos encontrados em outras cidades do país e isso exige muito do arquiteto que quer fazer arte, que quer fazer diferente”, afirma Sandra. Entre os itens criados por ela estão o enorme lustre feito com guardanapos de tecido branco, o que dá efeito inusitado à área vip, e os pendentes circulares elaborados com palha-da-costa. Este mesmo material reaparece na cortina de gomos moldados na forma de sabugo de milho, usada para dividir visualmente o salão. Três luminárias pendentes, em forma de pião, foram confeccionadas artesanalmente a partir de mil desses pequenos brinquedos de madeira.



Texto de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 355 Setembro de 2009


Sandra Moura (FAU/Universidade Federal da Paraíba, 1987) especializou-se em estrutura metálica e lighting design. É titular do escritório de arquitetura que leva seu nome
Os pendentes no mesmo material foram desenhados pela arquiteta
A cortina de palha-da-costa, com gomos moldados na forma de sabugo de milho, divide visualmente o espaço. Os pendentes no mesmo material foram desenhados pela arquiteta
Os fechamentos de vidro exploram a vista para o lago Paranoá
O amplo salão tem piso de cimento queimado e telhas cerâmicas aparentes. Os fechamentos de vidro exploram a vista para o lago Paranoá
A área do buffet repete o piso cerâmico do alpendre
A área do buffet repete o piso cerâmico do alpendre
 
O boneco faz as vezes de pintor no acesso ao banheiro feminino. Esculturas de Lampião e Maria Bonita, ao lado de mandala de bonecas de pano, aguardam os clientes para fotos
Os três pendentes foram criados artesanalmente a partir de pequenos piões de madeira
Croqui
Croqui