Sérgio Roberto Parada Arquitetos Associados

Residência, Brasília

 
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O bloco social tem caixilhos piso-teto protegidos pelo brise em malha metálica
O bloco social tem caixilhos piso-teto protegidos pelo brise em malha metálica
Público e privado em relação amistosa
Com proposta de Sérgio Parada, Rodrigo Biavati e Rodrigo Marar, a residência localizada no lago Sul, em Brasília, valoriza o acesso por meio de um jardim de entrada que dá continuidade ao espaço público, o que estabelece uma transição suave e uma relação mais respeitosa com a rua. A casa é composta por volumes independentes que se conectam pelo setor social e ganha forte identidade por meio do brise metálico que filtra a luminosidade diurna e à noite transforma a construção em uma caixa de luz.

São relativamente comuns nas áreas habitacionais dos lagos Sul e Norte, em Brasília, grandes residências que, embora obedeçam ao recuo exigido por lei, parecem avançar sobre os transeuntes e criam uma ligação pouco amistosa com a rua.

“Três metros de recuo frontal é pouco, ainda está muito perto da calçada. Por isso optamos por posicionar a casa mais aos fundos e deixamos área maior para o acesso, com jardim e rampa suave. Dessa maneira conseguimos abrir uma praça interna que dá continuidade espacial à rua e define uma relação respeitosa entre o público e o privado”, afirma Sérgio Parada, autor do projeto desta moradia no lago Sul.

A casa foi implantada de modo a tirar o melhor partido da vista panorâmica, que, abrangendo o lago, a esplanada dos Ministérios e parte da cidade, mais parece um cartão-postal de Brasília.

Paredes externas e internas são revestidas por emboço rústico com agregados graúdos, sem reboco
Paredes externas e internas são revestidas por emboço rústico com agregados graúdos, sem reboco
Vista da rua para a praça de acesso. O volume vertical abriga a caixa da escada
Vista da rua para a praça de acesso. O volume vertical abriga a caixa da escada

A construção espalha-se sobre três platôs naturais do terreno, o que exigiu pequenas compensações de corte e aterro. Mantendo princípios que caracterizam o modernismo, o projeto valoriza ao máximo os espaços de convívio.

As áreas íntima, social e o escritório acomodam-se em blocos independentes, porém conectados entre si, o que resulta em uma volumetria rica e dinâmica.

Setor de serviços, dependências de empregados, sauna e sala de ginástica estão no patamar mais baixo, no nível do jardim, que também é escalonado.

Observando-se a construção a partir da entrada, fica em evidência o volume escultural da circulação vertical, que dá mais privacidade à casa.

Na lateral da ala íntima, o espaço de transição é protegido por marquise metálica atirantada
Na lateral da ala íntima, o espaço de transição é protegido por marquise metálica atirantada
O pavimento inferior abre-se para o jardim escalonado
O pavimento inferior abre-se para o jardim escalonado

Ele apresenta grandes protuberâncias pré-fabricadas com aço perfurado pelo lado de fora e com vidro interno, que pode permanecer aberto ou fechado.

Durante o dia, essas peças levam luminosidade natural à escada e durante a noite deixam vazar a luz interna, reforçando o jogo de sombras e volumes.

Um dos elementos mais fortes do projeto, o grande brise de malha metálica envelopa o bloco social, formando uma fachada externa que filtra a luz solar e protege as salas de pé-direito duplo contra o excesso de insolação.

Na lateral da piscina, a ala íntima também faz referência moderna, com o volume dos quartos sobre pilotis e a linguagem limpa da fachada, recortada apenas pelos caixilhos piso-teto que se apropriam ao máximo da vista panorâmica.

O vão sob o bloco dos dormitórios responde pela transição entre interior e exterior e é protegido pela marquise metálica de 20 x 3 metros, atirantada e contraventada por mão francesas.

Os arquitetos priorizaram a riqueza espacial e materiais de acabamento simples, nada ostensivos. Tanto as paredes externas quanto as internas são revestidas por emboço com agregados graúdos, sem reboco.

O brise metálico envelopa a casa, como uma segunda fachada
O brise metálico envelopa a casa, como uma segunda fachada
Croqui
Croqui
Acesso principal, com o lago e a cidade ao fundo
Acesso principal, com o lago e a cidade ao fundo

Os pisos externos ganharam acabamento rústico, feito com agregado mineral jateado, contrastando com a madeira utilizada nos interiores.



Texto de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 386 Abril de 2012


Sérgio Roberto ParadaRodrigo Augusto Marar Menezes da SilvaRodrigo Mônaco Biavati Sérgio Roberto Parada (FAU/UFPR, 1973) é mestre em urbanismo pela Universidade Nacional Autônoma do México (1983) e titular do estúdio que leva seu nome, no qual desenvolve projetos para residências, indústrias, terminais aéreos, edifícios culturais e comerciais, entre outros.

Rodrigo Augusto Marar Menezes da Silva (FAU/USP, 1996) integra a equipe do estúdio.




Rodrigo Mônaco Biavati (FAU/UnB, 2004) atua desde 2005 no escritório de Sérgio Parada
Detalhe do espelho d’água entre a casa e o escritório
Detalhe do espelho d’água entre a casa e o escritório
Áreas de estar têm pé-direito duplo e materiais de acabamento simples
Áreas de estar têm pé-direito duplo e materiais de acabamento simples
O roupeiro no corredor dos quartos tem porta perfurada e vidro na face interna
O roupeiro no corredor dos quartos tem porta perfurada e vidro na face interna
A cozinha tem design funcional
A cozinha tem design funcional