Sérgio Roberto Parada Arquitetos Associados
Residência, Brasília
- Detalhes
- 13 de Junho de 2012.
São relativamente comuns nas áreas habitacionais dos lagos Sul e Norte, em Brasília, grandes residências que, embora obedeçam ao recuo exigido por lei, parecem avançar sobre os transeuntes e criam uma ligação pouco amistosa com a rua.
“Três metros de recuo frontal é pouco, ainda está muito perto da calçada. Por isso optamos por posicionar a casa mais aos fundos e deixamos área maior para o acesso, com jardim e rampa suave. Dessa maneira conseguimos abrir uma praça interna que dá continuidade espacial à rua e define uma relação respeitosa entre o público e o privado”, afirma Sérgio Parada, autor do projeto desta moradia no lago Sul.
A casa foi implantada de modo a tirar o melhor partido da vista panorâmica, que, abrangendo o lago, a esplanada dos Ministérios e parte da cidade, mais parece um cartão-postal de Brasília.
A construção espalha-se sobre três platôs naturais do terreno, o que exigiu pequenas compensações de corte e aterro. Mantendo princípios que caracterizam o modernismo, o projeto valoriza ao máximo os espaços de convívio.
As áreas íntima, social e o escritório acomodam-se em blocos independentes, porém conectados entre si, o que resulta em uma volumetria rica e dinâmica.
Setor de serviços, dependências de empregados, sauna e sala de ginástica estão no patamar mais baixo, no nível do jardim, que também é escalonado.
Observando-se a construção a partir da entrada, fica em evidência o volume escultural da circulação vertical, que dá mais privacidade à casa.
Ele apresenta grandes protuberâncias pré-fabricadas com aço perfurado pelo lado de fora e com vidro interno, que pode permanecer aberto ou fechado.
Durante o dia, essas peças levam luminosidade natural à escada e durante a noite deixam vazar a luz interna, reforçando o jogo de sombras e volumes.
Um dos elementos mais fortes do projeto, o grande brise de malha metálica envelopa o bloco social, formando uma fachada externa que filtra a luz solar e protege as salas de pé-direito duplo contra o excesso de insolação.
Na lateral da piscina, a ala íntima também faz referência moderna, com o volume dos quartos sobre pilotis e a linguagem limpa da fachada, recortada apenas pelos caixilhos piso-teto que se apropriam ao máximo da vista panorâmica.
O vão sob o bloco dos dormitórios responde pela transição entre interior e exterior e é protegido pela marquise metálica de 20 x 3 metros, atirantada e contraventada por mão francesas.
Os arquitetos priorizaram a riqueza espacial e materiais de acabamento simples, nada ostensivos. Tanto as paredes externas quanto as internas são revestidas por emboço com agregados graúdos, sem reboco.
Os pisos externos ganharam acabamento rústico, feito com agregado mineral jateado, contrastando com a madeira utilizada nos interiores.
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 386 Abril de 2012


Sérgio Roberto Parada (FAU/UFPR, 1973) é mestre em urbanismo pela Universidade Nacional Autônoma do México (1983) e titular do estúdio que leva seu nome, no qual desenvolve projetos para residências, indústrias, terminais aéreos, edifícios culturais e comerciais, entre outros.Rodrigo Augusto Marar Menezes da Silva (FAU/USP, 1996) integra a equipe do estúdio.
Rodrigo Mônaco Biavati (FAU/UnB, 2004) atua desde 2005 no escritório de Sérgio Parada

