Setepla Tecnometal Engenharia e Schulitz Architektur + Technologie

Arena Salvador, Salvador

Fichas técnicas
Plantas, cortes e fachadas
Sem pista de atletismo, arquibancada ganha espaço

Para atender às sugestões da Fifa, a proposta arquitetônica apresentada originalmente pelos escritórios Setepla Tecnometal (Brasil) e Schulitz (Alemanha) para adequar aos jogos da Copa o Estádio Octávio Mangabeira foi alterada pelos autores. Mais conhecido como Fonte Nova, o estádio pertence ao governo da Bahia.

De acordo com o arquiteto Marc Duwe, da Setepla, ao avaliar o projeto apresentado os técnicos da Fifa propuseram a remoção da pista de atletismo que atualmente envolve o campo, já que as arenas mais modernas procuram aproximar o público do palco da disputa. A sugestão foi acatada e isso determinou modificações na geometria do estádio. A mais significativa foi o acréscimo de um lance de arquibancada, que agora passam a ser três.

Como o partido arquitetônico e o resultado plástico externo da primeira proposta foram mantidos, segundo Duwe, o desenho em forma de ferradura e a abertura no lado sul permanecem. Se as alterações não se refletiram na volumetria, as obras serão desenvolvidas de outra forma: no projeto anterior, o anel inferior leste seria recuperado, com reforço da estrutura, e o lado oeste reconstruído para receber a área vip; na nova concepção, para o acréscimo de um nível de arquibancada, será necessário demolir o estádio existente.

Duwe (formado pela FAU/USP em 1993) avalia que a retirada da pista de atletismo otimizará a visibilidade na Fonte Nova, que agora o governo do Estado prefere chamar de Arena Salvador. A explicação para a mudança de nome é a possibilidade que vislumbra de associar o nome do estádio ao de um futuro patrocinador. Na Alemanha, o Allianz Arena, em Munique (projeto de Herzog & De Meuron), onde foram disputadas partidas da Copa de 2006, mostrou que isso é possível.

Além do estúdio Schulitz (seu titular, Claas Schulitz, é engenheiro e arquiteto pela Universidade Técnica, de Munique), é parceiro da Setepla Tecnometal na concepção da Arena Salvador o escritório alemão RFR, com sede na cidade de Stuttgart, que participou da solução adotada na cobertura. Conforme estava estabelecido na primeira proposta, o estádio deverá ser dotado de uma área de negócios, restaurante, café e um museu do futebol - esses elementos foram inseridos em níveis diferentes das arquibancadas e poderão funcionar independentemente de o equipamento ser ocupado com partidas de futebol.

A capacidade da arena foi reduzida. Os anteriores 55 mil lugares caíram para 50 mil durante os jogos da Copa e, posteriormente, diminuirão para pouco mais de 44 mil. Para cobrir a área de público, os projetistas recorreram a uma membrana de PTFE (politetrafluoretileno, um termoplástico translúcido e resistente) que se estenderá sobre perfis de aço tubulares em forma de arco conectados aos cabos radiais e fixados embaixo por cabos de aço, formando calhas para o escoamento da água de chuva. Os autores do projeto informam que o PTFE oferece proteção solar, é autolimpante e tem vida útil de 30 anos.


Texto de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 357 Novembro de 2009