Tabith, Dubus; Portzamparc; Una, Segond Guyon; Vigliecca, Berger Villaamil, Giordano Lorente

Liceu Francês François Mitterrand, Brasília

Em Brasília, escola terá projeto franco-brasileiro
Entre os compromissos na agenda do presidente francês Nicolas Sarkozy no Brasil - convidado para participar das comemorações do Dia da Independência, no último dia 7, como parte dos eventos do Ano da França no Brasil - estava a solenidade de apresentação do projeto da nova sede do Liceu Francês François Mitterrand, que será construída em Brasília, com desenho dos escritórios José Tabith Arquitetos Associados e Jean Dubus/P(ar)k.
A escola mudou do Rio de Janeiro para Brasília em 1973, acompanhando a transferência da Embaixada da França, e na década de 1980 ganhou edifício próprio, criado por Oscar Niemeyer. Para escolher o projeto arquitetônico da nova unidade, a Associação de Pais de Alunos promoveu em 2008 um concurso de arquitetura, no qual se inscreveram cerca de 30 escritórios, observando uma das exigências da promotora: a associação entre estúdios brasileiros e franceses. Após a primeira fase de seleção, foram escolhidos, além da proposta de Tabith e Dubus, os trabalhos de outras três equipes, a serem aprofundados: Atelier Christian de Portzamparc (que possui uma unidade brasileira); Atelier d’Architectes Segond-Guyon e Una Arquitetos; e o trio formado por Vigliecca & Associados, Berger-Villaamil e Giordano Lorente (escritório uruguaio). Não houve classificação entre os três outros finalistas. A nova sede da escola será construída em terreno de 15 mil metros quadrados, localizado próximo do lago Sul, e terá área edificada de aproximadamente 10 mil metros quadrados.
Tabith/Dubus
Solução explora e valoriza bioma típico do cerrado
A proposta conceitual do projeto elaborado por José Tabith e Jean Dubus preocupou-se com a qualificação urbana, com a exploração dos vazios entre os blocos e com a valorização das características ambientais do cerrado, bioma típico da região. Tabith explica que os materiais previstos respeitam esses elementos, somando-se à preocupação com espaços permeáveis. O volume de maior dimensão é constituído por quatro blocos de dois pavimentos, que vistos da rua aparentam ser um único pavilhão, e abriga ambientes administrativos e setores de apoio ao programa escolar (biblioteca e auditório, entre outros). Alinhado à via pública, ele mantém, contudo, um recuo significativo. A área frontal, ocupada por uma alça de veículos, configura-se como praça e pretende promover a interação entre os espaços público e privado.

Posicionados perpendicularmente ao pavilhão frontal, quatro blocos menores e paralelos se destinam a salas de aulas, agrupadas de acordo com faixas etárias. O vazio entre eles será ocupado por pátios-jardins. Na extremidade norte ficam a área para esportes e o restaurante. A cobertura-jardim, presente na maior parte do conjunto, deve diluir a presença de uma massa construída de considerável dimensão. Tabith foi convidado a participar do concurso pelo parceiro europeu - “acredito que em função de nossas realizações e do currículo do escritório”, avalia. Ele informa ainda que é intenção da escola ter sua nova sede funcionando já em 2011. Depois da conclusão do projeto executivo, é viável realizar a obra no prazo de até 12 meses, prevê Tabith.
Portzamparc
Espaços se articulam em torno de hall ajardinado
O projeto do Atelier Christian de Portzamparc concentra a parte didática do programa num único volume, coberto por laje sinuosa. No centro da composição, a entrada do complexo escolar é demarcada pelo corpo da biblioteca, no pavimento superior.

No térreo ficam o acesso e a administração. Entre eles, o grande hall ajardinado - “bastante aberto, vegetal e luminoso”, define o memorial - direciona a circulação: à direita de quem entra está o setor de ensino primário e à esquerda, o secundário (ambos igualmente com pátios arborizados).

O acesso ao piso superior e ao terraço está também junto do hall ajardinado. Segundo o autor, a disposição das salas de aulas - “como pétalas que deixam entrar a vegetação em cada dobra” - busca privilegiar a calma e a concentração.

Completando o programa, volumes independentes na parte mais baixa do lote destinam‑se ao teatro, refeitório/cozinha, ginásio e piscina.
Una/Segond-Guyon
Pátios se comunicam por varandas em volume íntegro
Dois blocos de plantas retangulares, com vazios centrais e articulados perpendicularmente entre si, foram propostos por Atelier d’Architectes Segond-Guyon e Una Arquitetos. “Um volume horizontal metálico pousado sobre o promontório conforma em sua projeção a entrada da escola”, descreve o memorial dos autores.

O espaço resultante das sobreposições estabelece dois pátios que se comunicam por varandas contínuas. “Os pátios definem os recreios dos diversos ciclos, além de um espaço central com um amplo espelho d´água, para onde se voltam o refeitório e a biblioteca”, explicam. A entrada da escola é igualmente tratada como uma varanda e possui dois acessos diferenciados para os ciclos primário e secundário.

Na distribuição do programa, as crianças do maternal ficam no térreo e as salas de aulas do ciclo elementar, colégio e liceu, no segundo andar. A alameda frontal, para o estacionamento de veículos, contribui com a mediação entre o edifício e a via pública.
Vigliecca/Berger-Villaamil/Giordano Lorente
Construção é tratada como clareira em meio a parque
A solução de Vigliecca & Associados, Berger-Villaamil e Giordano Lorente parte de uma constatação do plano diretor local, que prevê para aquela região a implantação de um parque. Assim, o volume foi concebido como uma clareira em meio ao verde - “ele [o volume] cria uma interface entre o parque e a cidade em consolidação”, explicam os arquitetos no memorial.

A volumetria é prevalentemente ortogonal: “Utilizando um vocabulário simples e direto, a linguagem manifesta a modernidade e a vontade de excelência daquela escola”, avaliam. O programa está distribuído em três edifícios. O maior deles, que contém acesso, administração, sala de professores e ambientes de apoio às atividades escolares, cria um limite construído para a via. Nos menores, perpendiculares ao primeiro, foram dispostas as áreas do ensino primário e do secundário.


Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 356 Outubro de 2009