A crítica de arquitetura, crise da crítica?

Edson Mahfuz

Cinco perguntas aos críticos de arquitetura
A revista PROJETODESIGN (edição 266, abril 2002) e o portal ARCOweb promovem um debate a respeito da crítica de arquitetura no Brasil.

A questão é polêmica, como pode ser observado
nas respostas de alguns dos principais profissionais em atividade em nosso país.
Pode-se dizer que há crítica de arquitetura no Brasil, atualmente?
Seria uma leviandade afirmar que não há crítica no Brasil. Há algum tempo, uma série de arquitetos se dedica a escrever sobre arquitetura, e com bastante competência.

Mas isso se dá de modo esporádico, ao sabor dos interesses das revistas e jornais. Seria desejável que houvesse uma crítica regular e sistemática, e não apenas nas revistas de arquitetura, mas nas publicações de cultura e nos cadernos culturais dos nossos principais jornais.
Qual é (ou deveria ser) a formação do crítico de arquitetura? Não-arquitetos podem desempenhar essa função?
O normal, em todo o mundo, é que quem escreve sobre arquitetura tenha formação de arquiteto, pois penso que essa atividade exige conhecimento aprofundado de projeto.

No entanto, creio que não-arquitetos podem também fazê-lo, desde que tenham o conhecimento necessário - do contrário, a crítica perde todo o interesse.
Qual o papel do crítico de arquitetura, ou seja, para que (e para quem) serve a crítica?
O crítico tem um papel importante dentro da profissão, mas talvez sua maior relevância resida no papel de divulgador dos valores da prática arquitetônica para os leigos.

A crítica mais ampla pode possibilitar um entendimento da arquitetura que permita superar sua redução a modas e tendências, assim como sua vinculação atual aos caprichos do mercado.
A linguagem da crítica especializada, muitas vezes, é hermética (não por falta de conhecimento, mas em geral por excesso de jargão e falta de clareza). Em sua opinião, qual deveria ser a linguagem adotada pelos críticos?
A linguagem da crítica deve ser a mais clara e simples possível, para permitir o acesso do maior número de pessoas ao conhecimento arquitetônico.

Como já foi dito por alguém que não recordo,
´a simplicidade é a gentileza do poeta´.
Quais são os espaços para o exercício da crítica de arquitetura no Brasil atualmente? São suficientes e adequados ou precisaria haver mais espaços em outros veículos de comunicação, até na mídia geral, à semelhança do que existe em países europeus e mesmo na Argentina e Chile, entre outros?
Os espaços para o desempenho da crítica de arquitetura são poucos e irregulares, se considerarmos o tamanho do país e a importância que a arquitetura brasileira já teve no cenário cultural.

Ao contrário de outras manifestações artísticas, só se fala de arquitetura em situações excepcionais, positivas ou negativas.

Seria de extrema importância a existência da crítica de modo cotidiano e constante, tanto em veículos que atingem muitas pessoas (rádio, TV, jornais, revistas culturais) como nas próprias revistas especializadas, que muitas confundem opinião bem-intencionada com crítica de arquitetura.”
Clique nas fotos para ler as respostas
dos críticos.
Ana Luíza Nobre
Roberto Segre
Ruth Verde Zein
Edson Mahfuz nasceu em Porto Alegre (1953). É arquiteto pela UFRGS (1978). Fez pós-graduação na Architectural Association de Londres(1980); é PhD (1983) em arquitetura pela Universidade da Pensilvânia, EUA. É professor titular e coordenador da Propar/UFRGS. Tem escritório próprio em Porto Alegre