Copa 2014
Arquitetos debatem os desafios da especificação das arenas e projetos de infraestrutura de 2014
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- 08 de Abril de 2011. Visitas: 5.799
Da esquerda para a direita: Aníbal Coutinho, Fernando Serapião, Eduardo de Castro Mello e Mario Biselli
Para discutir os desafios que a indústria da construção civil precisa superar a fim de atender às necessidades dos profissionais envolvidos em obras de infraestrutura e dos estádios para a Copa de 2014, a revista PROJETO DESIGN reuniu arquitetos e fornecedores, em outubro de 2010, no auditório da Associação Brasileira de Fundição (Abifa), em São Paulo. Participaram da mesa de debates Aníbal Coutinho, titular do escritório carioca Coutinho Diegues Cordeiro, responsável pelo projeto do estádio do Corinthians, na capital paulista; Eduardo de Castro Mello, titular de Castro Mello Arquitetos, que assina o projeto do Estádio Nacional, em Brasília; e Mario Biselli, do estúdio Biselli e Katchborian Arquitetos Associados, autor dos projetos do aeroporto de Florianópolis e do novo terminal do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. A plateia foi composta de cerca de 120 arquitetos e representantes da indústria fornecedora de materiais. A moderação ficou a cargo de Fernando Serapião, editor executivo de PROJETO DESIGN.
Gostaria que os senhores relatassem brevemente alguns aspectos dos projetos de estádio e de infraestrutura em que estão envolvidos.
Eduardo de Castro Mello - Por ser responsável pelo projeto do Estádio Mané Garrincha, em Brasília, no começo da década de 1970, nosso escritório foi contratado pelo governo local para remodelar o estádio para a Copa de 2014, e as obras estão em andamento. Para o projeto da arena do Rio de Janeiro, uma consultoria nos chamou para fazer um estudo preliminar para o estádio do Maracanã. O estudo serviu ao propósito de classificar a cidade entre as 12 escolhidas. Desenvolvemos completamente, ainda, o projeto do estádio de Cuiabá. O governo do Mato Grosso nos pediu, no começo de dezembro, um projeto que deveria ser entregue em 15 de janeiro. O prazo era curtíssimo, mas atendemos e entregamos a proposta que classificou Cuiabá. Alguns meses depois tivemos a notícia de que ela havia sido substituída por outra, mas não recebemos nenhuma explicação sobre o motivo.
Mario Biselli - Nosso escritório está mais envolvido com a infraestrutura de aeroportos. Em janeiro de 2011 deve começar a obra do novo terminal do aeroporto de Florianópolis, que projetamos entre 2005 e 2007. Recentemente tivemos o encargo de fazer o terceiro terminal do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica, no qual estamos trabalhando. Também temos alguns projetos esportivos, como o do Centro Olímpico de Camaçari, na Bahia, que está em processo de viabilização.
Aníbal Coutinho - Trabalhando no projeto do Estádio das Dunas, em Natal, que agora está em licitação para uma parceria público-privada. Ainda não se tem uma noção clara de como ele vai continuar, já que é uma concessão à iniciativa privada. Também estamos fazendo o projeto para o estádio do Corinthians, em Itaquera, na zona leste de São Paulo. Começamos a projetar um estádio para o clube em 2002 e, mais recentemente, com a nova gestão corintiana, surgiu a opção de Itaquera. Quando iniciamos esse projeto é que houve a possibilidade de o estádio vir a ser utilizado na Copa do Mundo. Ainda não há uma definição, mas essa possibilidade persiste [posteriormente, a arena do Corinthians foi declarada oficialmente o palco paulista da Copa de 2014].
Ainda para 2014 estamos trabalhando em outros centros de convenções, como o de Vitória, que é anexo ao aeroporto, o de Salvador e o de Goiânia, que dará apoio à infraestrutura de Brasília. A capital federal tem uma rede hoteleira muito boa, mas vai precisar de mais quartos e Goiânia pretende suprir uma parte dessa demanda. O mercado de convenções em Goiânia tem crescido enormemente, e só não aumenta mais porque a cidade tem uma infraestrutura hoteleira deficiente. Em São Paulo temos um projeto de porte médio para a área de congressos e convenções, que também deve dar suporte às atividades de 2014. Estamos com outros projetos de infraestrutura para 2016. São dois centros de convenções na zona sul do Rio de Janeiro - um com 50 mil metros quadrados e outro com 12 mil metros quadrados -, que vão abrigar congressos, pequenas feiras, reuniões e treinamentos.
Ainda para 2014 estamos trabalhando em outros centros de convenções, como o de Vitória, que é anexo ao aeroporto, o de Salvador e o de Goiânia, que dará apoio à infraestrutura de Brasília. A capital federal tem uma rede hoteleira muito boa, mas vai precisar de mais quartos e Goiânia pretende suprir uma parte dessa demanda. O mercado de convenções em Goiânia tem crescido enormemente, e só não aumenta mais porque a cidade tem uma infraestrutura hoteleira deficiente. Em São Paulo temos um projeto de porte médio para a área de congressos e convenções, que também deve dar suporte às atividades de 2014. Estamos com outros projetos de infraestrutura para 2016. São dois centros de convenções na zona sul do Rio de Janeiro - um com 50 mil metros quadrados e outro com 12 mil metros quadrados -, que vão abrigar congressos, pequenas feiras, reuniões e treinamentos.
Cerca de 120 arquitetos e representantes da indústria fornecedora de materiais participaram do encontro
Eduardo de Castro Mello
Aníbal Coutinho
Mario Biselli
Como vocês veem o atual momento econômico para o país?
MB - Desde que me formei, há 25 anos, muita coisa mudou no Brasil e agora, com a Copa, vai mudar mais ainda. Eu costumo entrar no site do IBGE para comparar números e gostaria de apresentar uma pequena reflexão aos fornecedores. De 1986 para 1987, o PIB brasileiro estava girando em torno de 280 bilhões de dólares, e se aplicarmos a taxa de crescimento até o meio desse ano, ele deve beirar os 2 trilhões de dólares - a marca dos 2 trilhões de reais foi ultrapassada em 2007. É um crescimento surpreendente, de quase dez vezes, que mostra que uma série de coisas que faziam parte da realidade brasileira estão mudando da água para o vinho.
A habitação popular, por exemplo, que sempre foi tratada da pior maneira possível, também está começando a mudar, pois existe uma sensibilidade nova no poder público, que passou a contratar bons arquitetos e a estabelecer outro nível de exigência para qualificar a habitação social, para transformar as favelas em bairros. O fato é que a economia hoje leva o país a buscar um papel de player global e a assumir uma imensa responsabilidade internacional. A Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016 são grandes eventos indutores da qualidade, porque ao assumirmos essa responsabilidade se cria um círculo virtuoso e o padrão começa a subir. Todos vimos as imagens dos estádios para a Copa e é inegável o salto de qualidade dos projetos. Também temos a tradição do concurso público de arquitetura, que naturalmente eleva a qualidade.
No início dos anos 1990, os arquitetos passaram a projetar no computador. Agora, 20 anos depois, temos a introdução dos softwares BIM - Building Information Modeling, como o Revit e o Archicad. Eles tendem a dominar os escritórios de arquitetura, não por marketing do arquiteto, mas sim pelo seu aspecto produtivo e pela relação que ele estabelece entre o arquiteto e o fornecedor. Os próprios fornecedores deveriam incentivar as bibliotecas on-line no Brasil. Na fase Autocad, muitas empresas produziram essa biblioteca, mas com a tecnologia BIM temos outra realidade. Não vem só o bloco, mas também uma série de especificações técnicas, e os fornecedores precisam tomar a iniciativa e oferecer isso aos arquitetos.
A habitação popular, por exemplo, que sempre foi tratada da pior maneira possível, também está começando a mudar, pois existe uma sensibilidade nova no poder público, que passou a contratar bons arquitetos e a estabelecer outro nível de exigência para qualificar a habitação social, para transformar as favelas em bairros. O fato é que a economia hoje leva o país a buscar um papel de player global e a assumir uma imensa responsabilidade internacional. A Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016 são grandes eventos indutores da qualidade, porque ao assumirmos essa responsabilidade se cria um círculo virtuoso e o padrão começa a subir. Todos vimos as imagens dos estádios para a Copa e é inegável o salto de qualidade dos projetos. Também temos a tradição do concurso público de arquitetura, que naturalmente eleva a qualidade.
No início dos anos 1990, os arquitetos passaram a projetar no computador. Agora, 20 anos depois, temos a introdução dos softwares BIM - Building Information Modeling, como o Revit e o Archicad. Eles tendem a dominar os escritórios de arquitetura, não por marketing do arquiteto, mas sim pelo seu aspecto produtivo e pela relação que ele estabelece entre o arquiteto e o fornecedor. Os próprios fornecedores deveriam incentivar as bibliotecas on-line no Brasil. Na fase Autocad, muitas empresas produziram essa biblioteca, mas com a tecnologia BIM temos outra realidade. Não vem só o bloco, mas também uma série de especificações técnicas, e os fornecedores precisam tomar a iniciativa e oferecer isso aos arquitetos.
O projeto do Estádio Nacional, em Brasília, é o que está mais avançado, com o executivo praticamente completo. Castro Mello, o senhor poderia dar um testemunho sobre o desenvolvimento do projeto e sobre a relação com os fornecedores, abordando as dificuldades enfrentadas, os produtos que estão disponíveis no mercado e aqueles que o senhor chegou a desejar mas não poderá usar?
ECM - No projeto do estádio temos procurado utilizar materiais nacionais e ecologicamente corretos. A Fifa recomenda fortemente que cada uma das arenas seja certificada pelo pelo nível mínimo do Leed, mas nós temos a pretensão de chegar a níveis superiores. De todas as análises feitas até agora, existe a condição de chegar à categoria Platinum, que é a mais alta. Se alcançarmos esse objetivo, o Estádio Nacional será o primeiro com essa classificação. Nossa busca de materiais é no sentido de nos ajudar a chegar a esse ponto. Existe, por exemplo, um material muito bom na área de isolamento, fabricado com fibras de garrafas PET, e que revoluciona completamente o uso de materiais para tratamento acústico.
O que não conseguimos encontrar aqui é a cobertura do estádio, que fatalmente será importada. Ela utiliza uma tecnologia de que ainda não dispomos em termos de software e de cálculo. Vamos ter que contar com a colaboração e a experiência de quem já resolveu isso no exterior, dadas as dimensões e as caraterísticas do nosso projeto. A cobertura tem um sentido inverso, não é uma cúpula. Ela tem a forma de uma bacia e é composta por cabos de aço de grandes dimensões e membranas de TFE e TTFE, materiais que ainda não existem por aqui. Outro item que ainda não está disponível é a iluminação do campo com blocos de leds, o que vai garantir uma grande redução do consumo de energia elétrica. Para a iluminação do prédio isso já existe. Mas a iluminação esportiva ainda está em desenvolvimento e nós estamos projetando para ter o sistema em funcionamento em 2013.
O que não conseguimos encontrar aqui é a cobertura do estádio, que fatalmente será importada. Ela utiliza uma tecnologia de que ainda não dispomos em termos de software e de cálculo. Vamos ter que contar com a colaboração e a experiência de quem já resolveu isso no exterior, dadas as dimensões e as caraterísticas do nosso projeto. A cobertura tem um sentido inverso, não é uma cúpula. Ela tem a forma de uma bacia e é composta por cabos de aço de grandes dimensões e membranas de TFE e TTFE, materiais que ainda não existem por aqui. Outro item que ainda não está disponível é a iluminação do campo com blocos de leds, o que vai garantir uma grande redução do consumo de energia elétrica. Para a iluminação do prédio isso já existe. Mas a iluminação esportiva ainda está em desenvolvimento e nós estamos projetando para ter o sistema em funcionamento em 2013.
Quanto à sustentabilidade, o senhor enfrentou dificuldades para especificar materiais certificados ou toda a cadeia já está alinhada com a certificação?
ECM - Ainda não. Esse movimento está começando agora. Tenho conversado com diversos fabricantes e sempre os questiono sobre isso. O que eu vejo é que eles estão se movendo para ter matéria-prima e produção certificadas. Eles estão fazendo um caminho e nós temos que pensar nesse projeto agora.
“Nosso escritório sempre pesquisou o uso de materiais, porque um novo recorde esportivo pode depender de um detalhe arquitetônico.” (Eduardo de Castro Mello)
O projeto do aeroporto de Florianópolis está pronto, já vai entrar em licitação. Gostaria de perguntar o seguinte ao arquiteto Mario Biselli: ao longo desse trabalho, o senhor sentiu que a indústria brasileira dá subsídios para o arquiteto fazer uma arquitetura arrojada?
MB - A especificação para o setor privado é mais simples, porque o profissional escolhe o material de sua predileção. Mas trabalhar para o poder público apresenta sempre a dificuldade para usar materiais mais específicos. Pela lei 8.666, o arquiteto não pode especificar um material que não tenha pelo menos três fornecedores. No projeto do aeroporto de Florianópolis tive uma surpresa. Havíamos definido uma cobertura de zinco, material importado da França, mas recebemos um interpelação do Tribunal de Contas porque não havia outros fornecedores. Eu entendo que os fornecedores, principalmente aqueles que trabalham com produtos importados, têm que se interessar, caso a caso, em introduzir a sua especificação dentro da interpretação da lei. No caso de um produto único, é possível fazer especificação com similaridade pelos dados de seu desempenho técnico.
Em sua opinião, Aníbal Coutinho, a maneira como os fornecedores informam os arquitetos é boa?
AC - Vejo que todo mundo aqui tem smartphones, usa e-mail e rapidamente absorve as novas tecnologias. Porém, todos trabalham da mesma forma que seus colegas faziam em 1950. Temos hoje uma gama enorme de materiais e inúmeros fornecedores querendo apresentar seus produtos. Eu gostaria muito de receber todos os representantes pessoalmente, mas não tenho tempo. Logo de manhã já tenho mais de cem e-mails para responder, tenho meus clientes atrás de mim, preciso interagir com os arquitetos estrangeiros, viajar para acompanhar obras. Enfim, os fornecedores precisam encontrar outra maneira de nos informar, que não seja em visita ao escritório. Precisamos que surja um canal efetivo de informação, porque o arquiteto é um ignorante a respeito dos materiais que nos oferecem.
Hoje, os projetos são mal especificados e mal detalhados por falta de informação. Biselli falou sobre uma questão importante, que são as bibliotecas em que os blocos já contêm as informações técnicas. Outro exemplo é dado pelo Instituto Norte-Americano de Arquitetos, que desenvolveu junto com as empresas um sistema de educação continuada com pontuação. Quem lê a revista Architectural Record percebe que eles têm lá informativos de fornecedores, com dados técnicos sobre seus produtos. O arquiteto lê esse informativo, responde algumas perguntas e ganha pontos que ajudam a manter sua licença de trabalho ativa.
Hoje, os projetos são mal especificados e mal detalhados por falta de informação. Biselli falou sobre uma questão importante, que são as bibliotecas em que os blocos já contêm as informações técnicas. Outro exemplo é dado pelo Instituto Norte-Americano de Arquitetos, que desenvolveu junto com as empresas um sistema de educação continuada com pontuação. Quem lê a revista Architectural Record percebe que eles têm lá informativos de fornecedores, com dados técnicos sobre seus produtos. O arquiteto lê esse informativo, responde algumas perguntas e ganha pontos que ajudam a manter sua licença de trabalho ativa.
O senhor está dizendo que o mercado está estabelecido de uma forma que não consegue atender suas necessidades?
AC - Os catálogos estão cada vez mais bonitos, com produção gráfica cada vez mais caprichada, mas não contêm as informações necessárias. Hoje, eles trazem praticamente o mesmo nível de informação de quando eu era estudante. E o sistema de abordagem do arquiteto ainda é o mesmo, com o representante ligando para marcar uma visita, e esta geralmente não é curta. Os materiais estão cada vez mais complexos e para conhecê- los bem a visita deve ter três horas, o que acaba se tornando um minicurso. Eu não tenho esse tempo, e cabe aos fornecedores encontrar outro canal de comunicação. Eu creio que isso deveria começar lá nas faculdades de arquitetura. Sou professor universitário desde 1979 e recentemente, ao participar de uma banca de graduação em outra instituição, notei que os formandos não tinham o menor conhecimento sobre materiais.
“Arquitetos, fornecedores e fabricantes precisam interagir muito, porque somente com a realização desse bate-bola é que conseguiremos ter o melhor resultado final na obra.”
(Eduardo de Castro Mello)
(Eduardo de Castro Mello)
Com a nova NBR 15.575, está em curso uma mudança radical na responsabilização do arquiteto no desempenho das edificações. O desconhecimento sobre os materiais não passa a ser um problema muito maior agora?
AC - Isso só vai agravar nossa responsabilidade técnica. Hoje somos responsáveis por tudo o que acontece na obra e não é hábito do cliente acionar o arquiteto na Justiça. Mas quando isso começar a ser feito, como já ocorre no exterior, será um inferno na vida de todo mundo. Os processos serão enormes e intermináveis. Terão que arrolar construtora, arquiteto, subempreiteiro, fornecedor de material. Cada um vai contratar um perito, e um processo desses vai rolar por 20 anos, porque a Justiça brasileira não é ágil.
Acabei de passar por uma obra grande, que fiz há um ano. Vi problemas com o alumínio da marquise e liguei para o cliente, dizendo para ele procurar o vendedor e acionar a garantia. Não é que o sujeito desapareceu? Daqui a pouco esse tipo de coisa vai acontecer e qualquer um que se sinta prejudicado vai chamar a polícia. Precisaremos ter seguro e isso também não vai ser fácil, porque as companhias vão avaliar o histórico de cada um para determinar o valor dos prêmios. E o que vai acontecer? Os arquitetos mais novos e os escritórios pequenos não vão conseguir fazer projeto porque o preço do seguro será muito alto para eles. Somente os grandes escritórios vão poder pagar esse custo e então só eles é que vão projetar. Essa é uma questão a ser discutida por arquitetos, fornecedores e todo o mercado.
Acabei de passar por uma obra grande, que fiz há um ano. Vi problemas com o alumínio da marquise e liguei para o cliente, dizendo para ele procurar o vendedor e acionar a garantia. Não é que o sujeito desapareceu? Daqui a pouco esse tipo de coisa vai acontecer e qualquer um que se sinta prejudicado vai chamar a polícia. Precisaremos ter seguro e isso também não vai ser fácil, porque as companhias vão avaliar o histórico de cada um para determinar o valor dos prêmios. E o que vai acontecer? Os arquitetos mais novos e os escritórios pequenos não vão conseguir fazer projeto porque o preço do seguro será muito alto para eles. Somente os grandes escritórios vão poder pagar esse custo e então só eles é que vão projetar. Essa é uma questão a ser discutida por arquitetos, fornecedores e todo o mercado.
Gostaria que os senhores aprofundassem um pouco mais a discussão sobre o BIM.
AC - No escritório usamos um programa de modelagem já há alguns anos. Acho que esses softwares vão ficar mais efetivos quando todos começarem a utilizá‑los. Os projetistas complementares não usam e fica meio capenga se só o arquiteto o faz. É preciso que os fornecedores entrem de cabeça nisso agora, porque ainda não temos blocos em 3D, e imaginem o trabalho que dará para construí-los. Se não tivermos isso na mão, o que vai acontecer é que todo mundo irá no fourspaces.com - site norte-americano de especificações - para pegar os blocos de outros materiais. Todos ficarão vinculados a um material específico e a um fornecedor estrangeiro na hora de projetar. Isso vai evoluir com muita rapidez porque os arquitetos mais novos têm facilidade para essas coisas. Eu sou mais velho, não tenho essa familiaridade, não sei usar computador, não sei usar CAD, mas os arquitetos mais novos projetam diretamente no computador e aprendem rapidamente esses processos de modelagem.
MB - A modelagem é uma coisa e o BIM é uma nova página. Eu sei trabalhar com Autocad, embora odeie. Ele não faz o que você quer que ele faça, você é que tem de aprender o que ele pode fazer. Por isso comecei a comparar o que os softwares de CAD estavam apresentando para ver se eles podiam fazer o que eu queria. Acabei aprendendo a linguagem e a dominar a parte da modelagem. Mas os softwares BIM estão se apresentando como uma fronteira completamente nova da computação gráfica, como um ferramental que permite um único arquivo, um arquivo tridimensional, com absolutamente todas as informações relativas a um projeto. Da maneira como produzimos hoje, vamos projetando e outras pessoas colocam aquilo em desenhos documentais, planta, corte e fachada.
Cada vez mais nos comunicamos com o desenho tridimensional, mas não é um arquivo único, são vários arquivos. E os softwares BIM se propõem a ser um arquivo único, que gera automaticamente plantas, cortes, fachadas, perspectivas, planta de prefeitura e qualquer outra ilustração do projeto. Os norte-americanos estão construindo uma enorme plataforma de biblioteca. Eu não acho que os softwares BIM vão trazer grandes novidades em termos de apresentações, até porque há outros softwares melhores para essa finalidade. Mas essa plataforma terá um impacto tremendo na nossa profissão: por exemplo, não existirá mais a figura do estagiário. Ele terá que estudar o software para entrar na cadeia da produção. E se ele já conhece o software, não terá mais porque pleitear uma vaga de estágio. Acho esse aspecto bastante ruim, porque hoje o estagiário vai para o escritório a fim de aprender a trabalhar e esse papel pedagógico vai se perder. E tem outra coisa: os fornecedores de softwares se apresentam como a solução definitiva de todos os tempos, mas isso é um detalhe.
A principal preocupação do arquiteto é conseguir trabalho e o que temos hoje em termos de software se presta perfeitamente ao que fazemos. Os softwares BIM vão trazer uma grande mudança de procedimentos, que a princípio parece fenomenal: não haverá perda de tempo se ocorrer uma mudança numa laje, por exemplo, o próprio programa vai alterar os parâmetros do desenho inteiro, e já em planta, corte e fachada. Essa é a lógica do sistema. E o fornecedor deverá acompanhar essas mudanças e oferecer especificações on-line, bibliotecas específicas, informações de desempenho, certificações e todos os dados técnicos de seus produtos.
Cada vez mais nos comunicamos com o desenho tridimensional, mas não é um arquivo único, são vários arquivos. E os softwares BIM se propõem a ser um arquivo único, que gera automaticamente plantas, cortes, fachadas, perspectivas, planta de prefeitura e qualquer outra ilustração do projeto. Os norte-americanos estão construindo uma enorme plataforma de biblioteca. Eu não acho que os softwares BIM vão trazer grandes novidades em termos de apresentações, até porque há outros softwares melhores para essa finalidade. Mas essa plataforma terá um impacto tremendo na nossa profissão: por exemplo, não existirá mais a figura do estagiário. Ele terá que estudar o software para entrar na cadeia da produção. E se ele já conhece o software, não terá mais porque pleitear uma vaga de estágio. Acho esse aspecto bastante ruim, porque hoje o estagiário vai para o escritório a fim de aprender a trabalhar e esse papel pedagógico vai se perder. E tem outra coisa: os fornecedores de softwares se apresentam como a solução definitiva de todos os tempos, mas isso é um detalhe.
A principal preocupação do arquiteto é conseguir trabalho e o que temos hoje em termos de software se presta perfeitamente ao que fazemos. Os softwares BIM vão trazer uma grande mudança de procedimentos, que a princípio parece fenomenal: não haverá perda de tempo se ocorrer uma mudança numa laje, por exemplo, o próprio programa vai alterar os parâmetros do desenho inteiro, e já em planta, corte e fachada. Essa é a lógica do sistema. E o fornecedor deverá acompanhar essas mudanças e oferecer especificações on-line, bibliotecas específicas, informações de desempenho, certificações e todos os dados técnicos de seus produtos.
“Os fornecedores precisam investir na formação de mão de obra qualificada para a instalação de materiais, que são de tecnologia avançada.” (Aníbal Coutinho)
Castro Mello, o senhor, que trabalha com arquitetura esportiva há décadas, poderia nos dizer como percebe a evolução dos materiais ao longo do tempo? Os produtos brasileiros atendem às especificações no padrão Fifa?
ECM - De modo geral, nas décadas de 1960 e 1970, as construções esportivas não tinham esses materiais que dão grandes performances para os atletas. Não existia, por exemplo, pisos específicos, víamos quadras de taco, cimentado ou ladrilho hidráulico. Não era o piso ideal para a prática esportiva, não dava o desempenho perfeito e, por vezes, até lesionava os atletas. Para se ter uma ideia, as pistas de atletismo eram de carvão.
Na Olimpíada do México, em 1968, apareceu o poliuretano, um material revolucionário que permitiu grande melhoria no desempenho dos esportistas. Mas o preço era proibitivo, não conseguíamos importar esse material. Foi só na época do presidente Fernando Collor que houve a possibilidade de importação de materiais - a um preço ainda alto, mas já razoável. Esses materiais vieram para dar condições de igualdade aos centros esportivos brasileiros em comparação com os da Europa e Estados Unidos. Nosso escritório sempre pesquisou nessa área porque aquele décimo de segundo que vai dar um novo recorde pode depender do material, do detalhe arquitetônico. Dependendo do projeto, uma piscina pode ser mais rápida e outra mais lenta.
E há também cuidados com acústica, ventilação. Esse conjunto traz condições superiores e permite que os atletas brasileiros tenham melhor desempenho. Ontem mesmo falei, em um seminário, sobre o Clube Pinheiros, que sempre formou atletas. Mas foi depois que o clube decidiu fazer instalações esportivas novas e mais técnicas, incluindo a piscina coberta e aquecida que projetamos, que surgiram Gustavo Borges, César Cielo e vários outros. Numa primeira fase, a abertura de mercado foi muito importante, mas agora os fornecedores produzem aqui materiais de alta qualidade, que podem competir perfeitamente com o que vemos na Europa e nos Estados Unidos.
Na Olimpíada do México, em 1968, apareceu o poliuretano, um material revolucionário que permitiu grande melhoria no desempenho dos esportistas. Mas o preço era proibitivo, não conseguíamos importar esse material. Foi só na época do presidente Fernando Collor que houve a possibilidade de importação de materiais - a um preço ainda alto, mas já razoável. Esses materiais vieram para dar condições de igualdade aos centros esportivos brasileiros em comparação com os da Europa e Estados Unidos. Nosso escritório sempre pesquisou nessa área porque aquele décimo de segundo que vai dar um novo recorde pode depender do material, do detalhe arquitetônico. Dependendo do projeto, uma piscina pode ser mais rápida e outra mais lenta.
E há também cuidados com acústica, ventilação. Esse conjunto traz condições superiores e permite que os atletas brasileiros tenham melhor desempenho. Ontem mesmo falei, em um seminário, sobre o Clube Pinheiros, que sempre formou atletas. Mas foi depois que o clube decidiu fazer instalações esportivas novas e mais técnicas, incluindo a piscina coberta e aquecida que projetamos, que surgiram Gustavo Borges, César Cielo e vários outros. Numa primeira fase, a abertura de mercado foi muito importante, mas agora os fornecedores produzem aqui materiais de alta qualidade, que podem competir perfeitamente com o que vemos na Europa e nos Estados Unidos.
Não existe um material ou tecnologia que o senhor encontra no exterior e lamenta não existir no Brasil?
ECM - Hoje fala-se muito de piscinas. Existem piscinas prontas, para montar e desmontar, que ficam fantásticas. Eu vi um campeonato mundial em Indianápolis, nos Estados Unidos, disputado em uma piscina olímpica que foi montada em questão de duas ou três semanas. Perfeitamente instalada, em excelentes condições, dentro de um ginásio de esportes. Não há um fabricante aqui que faça um sistema como esse. Pelo que vi nos primeiros planos para a Olimpíada de 2016, havia uma série de construções que seriam temporárias, mas parece que isso não será levado a cabo.
Fala-se muito desse assunto em relação a Londres, que depois da Olimpíada de 2012 vai desmontar algumas instalações, não?
ECM - Não podemos comparar o Brasil com a Inglaterra. Quantos estádios há em Londres e arredores? Vários! Eles estão montando essa infraestrutura para a Olimpíada e depois vão desmontar porque não precisam disso. Mas nós aqui no Brasil temos estádios caindo aos pedaços, que estão aí desde as décadas de 1950, 1960. E se eles não forem reconstruído totalmente, não teremos estádios. Por que vamos construir e depois desmontar se precisamos deles? Para os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro havia o projeto de um velódromo importado para ser desmontado após o uso. O Rio de Janeiro tem outro velódromo? Não tem, e nós precisamos de lugares para desenvolver o esporte.
E quanto ao padrão Fifa?
AC - Nós temos uma “bíblia”, que é o manual de requerimentos técnicos da Fifa. Cada um recebeu o seu quando começou a fazer o projeto. Cada estádio temum nível de exigência diferente. O estádio para quartas e oitavas de final é para 40 mil pessoas, com nível de exigência um pouco menor. Nos estádios das semifinais, abertura e final, o nível cresce. Eles têm experiência com a organização de eventos anteriores e já sabem o que será necessário. Mas há exigências que são feitas a qualquer momento. Não é que agora nós cumprimos tudo o que estava escrito ali no livro e pronto. Pelo contrário, eles estão pedindo mais. Sempre.
ECM - Tivemos recentemente a questão das placas de publicidade que ficam ao longo das linhas laterais do campo. No caderno dizia que as placas poderiam ter de 0,90 a um metro de altura e que poderiam estar de quatro a cinco metros de distância da lateral. Todos fizeram o projeto considerando as condições mais favoráveis - 90 centímetros de altura e cinco metros de distância. Aí veio o aviso de que a Fifa comprou painéis de um metro de altura que devem ser instalados a quatro metros de distância da lateral. Parte da visibilidade ficou comprometida, porque dez centímetros naquele ponto já é o suficiente para bloquear a visão da linha do campo.
AC - Mas a Fifa é a dona da festa. Ou fazemos como ela quer ou não vamos fornecer nada para ela. O fato de a Fifa trazer esse evento para o Brasil é uma chance de avanço na infraestrutura, um retorno brutal. Voltando aos padrões da Fifa, eles já mandaram as especificações técnicas das cadeiras dos estádios. Eles definem dimensionamento, tipo de material, desempenho, padrões de acabamento. Os fornecedores é que têm de atender o que está especificado.
“Os fornecedores precisam encontrar outro canal de comunicação, que não seja a visita ao escritório. Hoje, os projetos são mal especificados e mal detalhados por falta de informação.” (Aníbal Coutinho)
Na sua percepção, os fornecedores estão atentos a essas solicitações?
ECM - Algumas vezes eles não conhecem a especificação. Quando é assim, eu tiro cópia e forneço a parte referente ao setor deles. Quanto mais a gente ajudar, melhor, pois não adianta ter conhecimento só para nós e depois não haver retorno. Estamos estimulando para que venham a atender. As cadeiras, por exemplo, são um assunto complicado. Eu tenho conversado muito sobre elas com diversos fornecedores, para evitar ter que buscá-las lá fora. Os modelos existentes aqui não atendiam aos padrões da Fifa, e hoje nossa indústria está produzindo modelos atraentes, capazes de responder perfeitamente ao que precisamos para a Copa. Temos também os vidros de segurança, que entram para substituir os gradis metálicos dentro dos estádios. Esses gradis enferrujam e é uma briga com o Corpo de Bombeiros, que quer barras a cada 11 centímetros na vertical. Acaba parecendo uma prisão.
Os senhores classificariam os fornecedores das arenas em grupos?
ECM - Nós temos fornecimento de materiais de três ordens. O primeiro é o da cobertura. Quando optamos por uma cobertura mais sofisticada, os materiais têm que ser importados. Eles não são fabricados hoje no Brasil porque não existe demanda. A partir do momento que houver demanda, acredito que passarão a ser produzidos aqui. Outro aspecto é que muitos calculistas estruturais que estão sendo requisitados nas obras dos estádios são estrangeiros. Eles vão usar soluções que já adotaram em outros locais e, portanto, a tendência é que esse material seja mesmo importado. Outro grande item são os revestimentos, que são exatamente iguais a qualquer outro local que tenha grande concentração de público.
E há os equipamentos tecnológicos, basicamente de tecnologia da informação. Os estádios concentram grande densidade de instalações para a mídia, mas grande parte será provisória. Isso porque a mídia específica para a Copa do Mundo é extremamente superior ao que vamos ter no dia a dia. No mais, são equipamentos de grande porte que o Brasil já produz, com excelente qualidade. Se não são fabricados aqui, as empresas importam normalmente e podemos comprar esse material importado, sem nenhum problema de fornecimento. O maior problema é quanto à colocação dos materiais de maior tecnologia. Esse é um tanto quanto grave.
E há os equipamentos tecnológicos, basicamente de tecnologia da informação. Os estádios concentram grande densidade de instalações para a mídia, mas grande parte será provisória. Isso porque a mídia específica para a Copa do Mundo é extremamente superior ao que vamos ter no dia a dia. No mais, são equipamentos de grande porte que o Brasil já produz, com excelente qualidade. Se não são fabricados aqui, as empresas importam normalmente e podemos comprar esse material importado, sem nenhum problema de fornecimento. O maior problema é quanto à colocação dos materiais de maior tecnologia. Esse é um tanto quanto grave.
Os senhores devem ter muitas queixas quanto à instalação dos materiais, não?
AC - Eu acho que os fornecedores precisam investir na formação de mão de obra qualificada para a instalação de materiais, que são de tecnologia cada vez mais avançada e têm alto custo. Do contrário, vamos continuar preferindo colocar pedra nas paredes ou então passar massa e pintar. Isso também vale para o piso, vamos sempre preferir uma solução mais segura, porque não vamos nos arriscar a usar um material de excelente qualidade que fique mal colocado. Esse é o dilema que temos no diálogo diário com os clientes, com as empresas de engenharia.
O problema refere- se à colocação, não à qualidade dos materiais. Eu estou cansado de ver material de excepcional qualidade destruído nas minhas obras. A mão de obra é ruim, e agora que estamos em fase de aquecimento do mercado de construção civil ela é escassa. Esse é um problema grave, de há muito tempo. Vejam a diferença entre um estádio no exterior e outro no Brasil, que utilizem o mesmo material. Aqui, qualquer material industrializado está um lixo cinco anos depois da instalação. Se não atuarmos de maneira sistêmica para resolver isso, esse será um problema para sempre.
O problema refere- se à colocação, não à qualidade dos materiais. Eu estou cansado de ver material de excepcional qualidade destruído nas minhas obras. A mão de obra é ruim, e agora que estamos em fase de aquecimento do mercado de construção civil ela é escassa. Esse é um problema grave, de há muito tempo. Vejam a diferença entre um estádio no exterior e outro no Brasil, que utilizem o mesmo material. Aqui, qualquer material industrializado está um lixo cinco anos depois da instalação. Se não atuarmos de maneira sistêmica para resolver isso, esse será um problema para sempre.
ECM - As instalações sanitárias são uma questão de peso em estádios. Temos uma quantidade enorme de banheiros públicos. O uso é muito concentrado. Em pouco tempo eles têm que atender uma grande quantidade de gente. O projeto precisa ser bem estruturado para não haver conflitos na entrada e saída. E as peças sanitárias que vamos especificar são muito importantes. Já pesquisamos com diversos fornecedores as bacias sanitárias. Geralmente o assento é plástico, mas o pessoal quebra ou rouba. E quando não é isso, são acidentes. Se não há higiene no local, a pessoa coloca os pés na bacia para fazer suas necessidades e aí acabam acontecendo acidentes graves.
“Trabalhar para o setor público apresenta a dificuldade de usar materiais mais específicos, que tenham pelo menos três fornecedores.” (Mario Biselli)
Como resolver esse problema?
ECM - Nós procuramos novos tipos de design e conseguimos com fornecedores peças antivandalismo em aço inox ou material sintético. Elas dispensam o uso do assento. A quantidade de mictórios é enorme nos banheiros de estádios. E se a água fica correndo, gasta-se uma fábula. Existem mictórios com selo hídrico que usam óleo de soja. Isso funciona perfeitamente bem. Estamos tendo a oportunidade de usar a inteligência para transformar a obra. Precisamos empregar recursos para que as pessoas não quebrem ou roubem tudo nos estádios.
Fizemos uma reforma no ginásio de Brasília para o campeonato de futsal. Instalamos torneiras economizadoras num dia e no dia seguinte os próprios operários já haviam roubado tudo. As luminárias não podem ser de fácil destruição. O camarada passa e com o mastro da bandeira vai quebrando uma por uma. Não estou falando pela Copa do Mundo, mas pelo legado que teremos depois. Arquitetos, fornecedores e fabricantes precisam interagir muito porque somente com esse bate-bola é que teremos o melhor resultado final da obra.
Fizemos uma reforma no ginásio de Brasília para o campeonato de futsal. Instalamos torneiras economizadoras num dia e no dia seguinte os próprios operários já haviam roubado tudo. As luminárias não podem ser de fácil destruição. O camarada passa e com o mastro da bandeira vai quebrando uma por uma. Não estou falando pela Copa do Mundo, mas pelo legado que teremos depois. Arquitetos, fornecedores e fabricantes precisam interagir muito porque somente com esse bate-bola é que teremos o melhor resultado final da obra.
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 371 Janeiro de 2011
Edição 371 Janeiro de 2011


