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| Por Fernando Serapião |
| As últimas casas de Niemeyer |
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| “Era uma casa assobradada, com
seis janelas”: Laranjeiras, em traço e palavras do arquiteto |
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| Segunda residência de Niemeyer,
em uma casa de vila, no Leblon, onde foi vizinho de Werneck |
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| A casa Cavalcanti, que guarda
alguns mistérios e a peculiar mistura moderno/colonial |
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| Planta do térreo da casa Cavalcanti,
o mesmo desenho divulgado desde o Brazil builds... |
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| ...assim como o corte: plantas
dos demais pavimentos não são divulgadas |
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| Croqui da casa de Quércia: uma
morada senhorial, em área rural do interior paulista |
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| Residência em Pedregulho: as plantas
são guardadas como relíquias e emolduradas... |
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| ...o mesmo acontecendo com as
elevações: prováveis únicos registros da casa |
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| “O passado é para
ser respeitado e não para se copiar.” - Mário de Andrade |
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Sem dúvida, Oscar Niemeyer é
o arquiteto brasileiro cuja obra foi mais documentada em livros.
São mais de 50 títulos, sem contar os textos
em periódicos - mesmo porque ele criou e dirigiu a
revista Módulo, que, em quase todos os seus cem números,
contém escritos ou projetos de sua autoria. E grande
parte dessas publicações foi realizada com a
ativa participação do projetista.1
Com isso, muitos volumes são aparentados no conceito
e na edição de imagens, ou seja, nas escolhas
editoriais. Nesse sentido, dois livros recentes, tendo como
tema as casas de Niemeyer - um contou com a colaboração
dele, o outro não -, trazem novidades para os interessados
nos trabalhos do mestre do modernismo brasileiro. |
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Para alguns arquitetos, principalmente os de inclinação
marxista, o tema da casa é tabu. Isso porque trata,
literalmente, da escala e de assuntos domésticos, que,
segundo eles, pouco modificam o futuro da humanidade - pelo
contrário, revelam os desejos mais individualistas
e personalistas, de proprietários e projetistas. No
entanto, via de regra, é nas residências, e não
nos prédios de apartamentos, que se tem mais oportunidade
de experimentações arquitetônicas.
Mas esse lugar-comum não se aplica a Niemeyer - ao
menos não em todas as fases de seu trabalho. O fato
é que, se as casas dos 20 primeiros anos de sua carreira
representaram avanços significativos na sua trajetória,
nos últimos 40 anos o arquiteto pouco utilizou a pequena
escala para inovações estilísticas.
Nesse aspecto, é natural que só agora, no momento
em que ele apresenta mais de 60 anos de carreira e a casa
tornou-se um dos temas de maior interesse editorial, sejam
publicados dois livros que abordam a relação
de Oscar Niemeyer com as moradas. O primeiro, editado no Brasil,
intitulado As casas onde morei, foi lançado há
pouco mais de um ano pela editora Revan. Tratase de uma obra
curiosa, na qual o autor, em tom memorialista, relata fatos
prosaicos das
edificações onde residiu - projetadas por ele
ou não. E, em maio último, ganhou destaque nas
livrarias dos Estados Unidos um luxuoso volume - o primeiro
com o tema doméstico, dentre as dezenas existentes
sobre o projetista carioca - que aborda todas as casas desenhadas
pelo arquiteto. Com o título de Oscar Niemeyer houses,
o livro, editado pela Rizzoli (de Nova York), tem texto de
Alan Hess e fotos de Alan Weintraub.
Segundo Hess escreveu, “o próprio Niemeyer esconde
seus projetos residenciais, permitindo que apenas algumas
casas ilustrem os inúmeros livros que apresentam seu
trabalho, e retira grande parte delas da lista oficial de
suas obras”. Pela listagem paralela, realizada por Hess, são
40 as propostas residenciais unifamiliares de Niemeyer. Destas,
12 não foram construídas e três já
estão demolidas. Assim, restam de pé 25, das
quais 21 foram registradas pela lente de Weintraub.2
Sem querer pôr em dúvida a lista do autor norte-americano,
de pelo menos quatro ele se esqueceu. Uma é a residência
oficial do vice-presidente do Brasil, que ele apenas apresenta
na versão não construída, de 1959, esquecendo
do Palácio do Jaburu, projetado com a mesma finalidade.
As outras são casas de ex-funcionários seus,
como a da favela do Vidigal, no Rio de Janeiro, localizada
no Caminho da Boa Vista, 119-B; ela foi desenhada para Amaro
Paes Filho, motorista particular que acompanhava Niemeyer
em suas viagens a Brasília. Com 60 metros quadrados,
o projeto foi um presente do arquiteto.
Histórias conhecidas e novidades
Algumas histórias das casas em que Niemeyer morou
já eram famosas: há mais de 30 anos, ele vem
adotando um tom autobiográfico em seus relatos. Não
é difícil encontrar um texto em que ele escreva
a respeito da residência de seu avô, onde nasceu
e cresceu, nas Laranjeiras, tradicional bairro carioca. Da
mesma forma, as narrativas acerca da casa das Canoas também
são diversas. Contudo, isso não tira o interesse
- quase que meramente biográfico - da publicação
As casas onde morei.
Em ordem cronológica, o pequeno volume descreve sete
moradas: a das Laranjeiras, a de avenida no Leblon, a da rua
Carvalho de Azevedo, a de Mendes, a das Canoas, a de Maricá
e o apartamento da rua Prudente de Moraes. Sobre a das Laranjeiras,
por exemplo, Niemeyer escreve: “Era uma casa assobradada,
com seis janelas na fachada e uma extensa varanda a segui-la
até o fim. Fora construída para minha mãe,
que ocupava com seus seis filhos e a nossa prima Milota o
andar superior. No térreo ficava o hall de entrada,
ligado ao gabinete do meu avô”.
O livro traz alguns fatos pouco conhecidos. Entre eles, Niemeyer
relembra sua segunda morada, depois da de Laranjeiras. Ela
é chamada de casa de avenida no Leblon, imóvel
alugado em uma vila habitacional composta por oito residências
iguais, quatro de cada lado. Era composta por sala, cozinha,
banheiro, dois quartos e uma edícula, “um quartinho,
onde passei a desenhar”. Não há imagens do local,
só imagens realizadas de memória. Também
morava naquela vila o muralista Paulo Werneck, autor de célebres
painéis da arquitetura moderna brasileira e que Niemeyer
relata já conhecer do Partido Comunista. Ele escreve
ainda que, entre as visitas que recebia ali, estava Milton
Roberto. Seria esse o nascedouro dos murais de Werneck para
a Pampulha (1942) e para o edifício Seguradores (1949),
dos irmãos Roberto? O livro não se preocupa
com a definição precisa de datas, mas a moradia
seguinte do arquiteto foi desenhada em 1942. Presume-se, então,
que ele tenha desenhado o complexo da Pampulha enquanto residia
ao lado da casa de Paulo Werneck.
O enigma do Sacopan
A terceira residência relembrada por Niemeyer é
a do Sacopan - a primeira desenhada pelo arquiteto para uso
próprio. “Um dia, conversando com o meu amigo João
Cavalcanti, resolvemos construir as nossas casas no Sacopan”,
ele conta. Nesse ponto, o cruzamento de alguns livros começa
a desvendar (ou apresentar) alguns mistérios. Situada
na rua Carvalho de Azevedo, a casa de Oscar Niemeyer é
quase vizinha da de Cavalcanti (na rua Sacopan), um projeto
pouco conhecido do mestre modernista.3
Aí começa um enigma. Niemeyer relata: “Ele elaborou
o projeto da sua casa; fiz o da minha; e João, que
era arquiteto e construtor, as construiu”. Será o João
o mesmo Cavalcanti da casa projetada por Niemeyer na rua Sacopan?
Ou será outro? O fato é que a casa Cavalcanti,
datada de 1940, é o primeiro projeto residencial construído
de Niemeyer. E apresenta, também pela primeira vez,
características peculiares, numa mistura de arquitetura
moderna (via Le Corbusier) - nos pilotis, por exemplo - com
alguns elementos da arquitetura colonial civil luso-brasileira
(via Lucio Costa), como as telhas de barro, os caixilhos de
madeira etc.
É evidente que a casa Cavalcanti é projeto
de Niemeyer - isso não está em dúvida.
Mesmo porque, publicada pela primeira vez em 1943, teria havido
tempo de sobra para o arquiteto negar a paternidade. Além
disso, diversas evidências levam à comprovação
da autoria, desde a presença precursora das curvas
no volume da garagem até a repetição
posterior de alguns de seus elementos, como o muro de pedra,
semelhante ao da casa de Francisco Inácio Peixoto,
em Cataguases, MG, projetada quatro anos depois. |
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No livro editado no Brasil, o arquiteto lança um olhar afetivo
e memoralista sobre as diversas casas em que morou
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| Hess agrupa a obra residencial de Niemeyer
em três fases.4
Na primeira (de 1936 a 1953), o arquiteto mistura, tal como
na moradia inaugural, elementos corbusierianos com raízes
da arquitetura luso-brasileira. No entanto, essa combinação
por vezes é complexa e não deixa evidente a origem.
Dou alguns exemplos: as colunas isoladas das paredes (presentes
nas casas Henrique Xavier, M. Passos, Cavalcanti, Oscar Niemeyer,
Johnson, Peixoto, Ofair, Moraes Neto, Capanema, Tremaine, Gávea,
Miranda e Pignatari) advêm dos pilotis corbusierianos
ou das varandas brasileiras? E quanto ao volume único
(dascasas Cavalcanti, Lagoa, Johnson, Capanema, Tremaine, Gávea,
Pignatari): a simplificação da forma vem do colonial
brasileiro ou do movimento moderno? As telhas de barro que cobrem
tais volumes é certo que são luso-brasileiras,
mas o telhado borboleta (dos projetos M. Passos, Ofair e Kubitschek)
é claramente corbusieriano.
Assim, a residência Cavalcanti, apesar de ser a ponta-de-lança
executada das casas desenhadas por Niemeyer, não é
mostrada nos livros organizados por ele. Nas publicações
em que ela aparece, os desenhos são os mesmos: um corte
e a planta do pavimento intermediário. Não se
conhecem, publicamente, os pisos superior e inferior.
Por outro lado, numa das fotos de G. E. Kinder Smith que
apresentam a casa da rua Carvalho de Azevedo no livro The
work of Oscar Niemeyer, de Stamo Papadaki (de 1950) - mas,
curiosamente, não estão presentes no Brazil
builds - aparece uma placa de obra, onde é possível
ler: “Cavalcanti & Machado/Engenharia, arquitetura e construção/
João Cavalcanti de Bastos Mello”, comprovando realmente
que foi ele quem construiu a casa. Talvez Niemeyer tenha se
enganado em seu novo texto. Ou quem sabe o Cavalcanti da rua
Sacopan seja outro. Os mistérios continuam. |
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A placa, na foto de
época da casa Cavalcanti, comprova quem de fato a construiu
e aponta possível engano de Niemeyer em texto recente
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| O livro de Hess nada esclarece sobre esse
tópico - mesmo porque a casa Cavalcanti é uma
das poucas em que a publicação norte-americana
não traz novas fotos internas. E as imagens recentes
revelam que a casa da Sacopan segue intacta, mesmo que um tanto
malconservada: as únicas mudanças visíveis
são o calçamento do piso da entrada de veículos
(antes com pedras soltas em meio à grama, agora inteiramente
pavimentada, revestida com pedras) e uma calha no trecho mais
baixo do telhado.
A casa da Sacopan é, sem dúvida, o projeto
residencial de Niemeyer mais influenciado por Lucio Costa,
que nessa época desenhava uma série de residências
parecidas (como a casa Roberto Marinho, de 1937, e a Hungria
Machado, de 1942) e influenciava muitos autores.
Por outro lado, a casa Cavalcanti revela as qualidades e
os defeitos do livro norteamericano: se foi realizado um esforço
tremendo para levar o fotógrafo a 22 casas, em 11 cidades
diferentes5,
os desenhos deixam a desejar, uma vez que, em sua maior parte,
foram utilizados os de outras publicações. Assim,
nos projetos menos conhecidos, faltam plantas e cortes. Isso
acontece em mais da metade das casas, entre elas a de Baby
Pignatari (1953), a morada de Niemeyer em Brasília
(1960), a residência carioca de Carmen Baldo (1969)
e a de Ana Elisa Niemeyer (2005).
Casas desconhecidas
O maior mérito do livro de Hess é desvendar
as casas recentes - principalmente as que o autor enquadra
na terceira fase, que corresponde ao período pós-Brasília.
Com maior ou menor intensidade, as residências das outras
duas etapas já haviam sido publicadas em livros e revistas
dos anos de 1940 a 1960. Nos dois volumes escritos por Papadaki
aparecem quase todas as casas do período inicial.
Segundo Hess, a favorita de Niemeyer “é uma pequena
casa de férias criada para ele mesmo - a modesta reforma
de um galinheiro”. Ele está se referindo à casa
de Mendes. Construída para veraneio, ela foi demolida
e, por isso, escapou ao registro de Weintraub.
Sorte semelhante teve a casa de Baby Pignatary. A única
de Niemeyer construída em São Paulo, foi demolida
pouco depois de fotografada, já em ruínas. Localizada
onde hoje está o parque Burle Marx, foi publicada no
segundo volume monográfico de Papadaki, Oscar Niemeyer:
works in progress (1956). Na comparação entre
as duas publicações norte-americanas (que possuem
50 anos de diferença!), percebe-se que a construção
pouco lembra o projeto publicado.
Mas se há poucas novidades sobre as residências
antigas (a não ser a revelação de seu
atual estado de conservação6),
elas são muitas quando se trata das casas novas, sobretudo
do último período.
Em Belo Horizonte, além da casa de JK (cujo croqui
está rasurado na área onde foi feito um acréscimo),
existe também a de Alberto Dalva Simão (1954),
uma variação pouco conhecida da casa das Canoas.
Também pouquíssimo divulgada é a morada
de Niemeyer em Brasília (1960). Sete anos depois de
Canoas, curiosamente, o arquiteto construiu para si uma casa
inspirada nas sedes de fazenda.
Aqui, cabe uma mirada no outro volume, o editado no Brasil.
Nele há fotos da casa de Maricá, que Niemeyer
ganhou de presente do amigo Horácio de Carvalho e
recuperou. “Uma bela casa. A varanda larga a completar as
salas, convidando-nos a ficar nela com freqüência”,
relata. Teria a convivência com a casa de Maricá
aguçado a sensibilidade de Niemeyer para a ligação
entre o modernismo local e o período colonial? Ao que
consta, o arquiteto não teve convívio estreito
com construções rurais. Mas, sempre que pode,
valoriza esse tipo de arquitetura - em um dos memoriais do
projeto do auditório do Ibirapuera, já nos
anos 1990, por exemplo, escreve: “uma arquitetura pura, simples,
como nossas velhas lembranças coloniais”. Por outro
lado, sempre repete que gostaria de acabar seus dias em Maricá:
“Não sou filho do rei, nem vou para Pasárgada,
mas um dia, repetindo Bandeira, vou viver em Maricá”,
confessa Niemeyer no livro da Revan.
Voltando às casas pouco conhecidas, o volume da Rizzoli
traz duas obras de Niemeyer no exterior. Na casa Strick (1964),
em Santa Monica, Califórnia, as vigas da cobertura
diferem da maior parte da produção do arquiteto.
A residência em Cap Ferrat, França, foi desenhada
em 1968 para a família Mondadori, proprietária
da editora italiana de mesmo nome, cuja sede em Milão
foi criada pelo brasileiro. Há ainda outras moradias
pouco divulgadas, como as de Flávio Marcílio
(1973), Carlos Miranda (1983), Darcy Ribeiro (1983), Sebastião
Camargo (1985), Amaral Rezende (1985) e Orestes Quércia
(1990).
O presente de Pedregulho
Dentre estas, a que causa mais perplexidade é a de
Quércia (ex-governador de São Paulo e mecenas
de Niemeyer), quase uma réplica da casa-grande colonial.
À primeira vista, parece que o arquiteto reformou uma
sede de fazenda; mas texto e desenhos revelam que ela foi
criada do zero. A residência de Pedregulho, interior
de São Paulo, cidade natal do político, foi
projetada em 1990 e possui quatro águas e varanda frontal.
Em certa medida, ganha significado diverso, por estar no meio
rural. Por outro lado, a colunata possui matriz clássica.
A capela e a rampa de acesso, por sua vez, revelam os cacoetes
do autor, naquela época quase nonagenário. A
segunda, frontal, é sinuosa, generosa e longa; a primeira,
singela, tem cobertura inclinada.
Estaria Niemeyer, assim como Lucio Costa, voltando ao neocolonial?
O que pretende nos dizer com o projeto? É certo que
ele não fez questão nenhuma de divulgá-lo:
a maior parte dos pesquisadores já ouvira falar da
casa, e algumas fotografias foram publicadas na grande imprensa,
na época da construção, mais por ser
de quem é do que pelas qualidades arquitetônicas.
Ao que consta, o arquiteto deu o projeto de presente para
Quércia - assim como fez com as casas de seus funcionários
e de Mondadori.
Assim, vistos juntos, os livros publicados pelas editoras
Revan e da Rizzoli nos revelam uma outra face de Niemeyer:
a daquele que, depois de ter feito uma revolução
na arquitetura, quer terminar seus dias numa confortável
casa colonial. |
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“Não sou filho do rei, nem vou para Pasárgada,
mas um dia vou viver em Maricá”, confessa o arquiteto,
ao se referir a sua casa colonial
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Notas:
1 A editora Revan publica grande parte dos livros sobre
Niemeyer - como A forma na arquitetura (1978), As curvas do
tempo (1998) ou Minha arquitetura (2000).
2 As que escaparam às lentes do fotógrafo
são a Herbert Johnson (1942, Fortaleza), o Alvorada
(1956) e a casa de campo de Carmen Baldo (1963, Teresópolis).
3 A primeira publicação da casa Cavalcanti
está no Brazil builds, de 1943. Depois, aparece em
Arquitetura moderna no Rio de Janeiro, de Alberto Xavier,
Alfredo Britto e Ana Luíza Nobre, editora Pini, 1991.
4 Os três períodos são: de 1936
a 1953; de 1953 a 1961; e de 1961 a 2005.
5 As 22 casas se distribuem, geograficamente, nas seguintes
cidades: oito no Rio de Janeiro; quatro em Brasília;
duas em Belo Horizonte; e uma em São Paulo, Cataguases
(MG), Pedro do Rio (RJ), Maricá (RJ), Ilhabela (SP),
Pedregulho (SP), Santa Monica (EUA) e Cap Ferrat (França).
6 Na casa da Lagoa, há muitas mudanças.
Algumas aberturas, como a da fachada principal, foram fechadas
com tijolos de barros, assentados de forma trançada,
formando um painel vazado. A singeleza da cobertura inclinada,
sem beirais laterais e com as telhas aparecendo, foi modificada.
O toldo que amenizava o sol na varanda foi trocado por uma
proteção permanente. Já na casa das Canoas,
as fotos novas revelam que: o piso externo da plataforma foi
trocado; foram substituídos os muros de elemento vazado
que ocupavam dois trechos externos junto à laje sinuosa;
e o jardim interno sobre a escada foi suprimido. |
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Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 318 Agosto de 2006 |
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