9ª Bienal de Design Gráfico, São Paulo
Um retrato das diferentes linguagens visuais que qualificam a excelência e o experimentalismo do design brasileiro contemporâneo
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- 31 de Julho de 2009. Visitas: 21.308
Projeto de identidade e marca do zoológico de Curitiba, de autoria de Marcos Minini (Master Promo)
Agrupados por afinidades conceituais, os trabalhos selecionados para a 9ª Bienal da ADG retratam a pluralidade de demandas e de linguagens que qualificam o design gráfico brasileiro contemporâneo. O elo entre liberdade e excelência formal é mantido, seja nos projetos de identidade concebidos para grandes empresas ou no específico e efêmero convite de formatura, passando por produções de escala intermediária, como os editoriais e peças vinculadas a eventos artísticos ou sociais. Um design inspirado também pelo que vem da rua, defenderam os curadores.
Nesse sentido, “percebe-se uma mudança de sintaxe dos preceitos de limpeza e concisão modernistas”, analisa Chico Homem de Mello, curador da categoria sintaxe visual. Ele analisou cerca de 300 trabalhos de identidade e selecionou 50 deles para a mostra. Sua conclusão é que há mudanças evidentes em relação ao vocabulário de formas puras e cores sólidas presente no design gráfico institucional brasileiro há cerca de 50 anos.
Entraram em cena, portanto, nos códigos visuais das grandes e médias empresas, as formas orgânicas e sinuosas, os fundos em degradê e aqueles qualificados por interferências gráficas aparentemente casuais, algo surpreendente quando se pensa na redução formal que costumava caracterizar esse tipo de trabalho. As identidades gráficas institucionais parecem ter conquistado certo grau de liberdade expressiva.
Para buscar os prováveis contextos da ampliação do léxico gráfico brasileiro contemporâneo, o curador cita o arquiteto e professor polonês Amos Rapoport, que aborda a cinestesia e a influência dos cenários culturais na produção arquitetônica. “O visual não é assim tão supremo”, comenta Homem de Mello, referindo-se à similar importância que as referências gráficas a outros sentidos humanos, como o tato e o olfato, têm na constituição dos códigos visuais em vigor no país.
O designer se refere à ampliação dos estímulos que têm animado a linguagem gráfica contemporânea e que caminharam, sobretudo, na direção da suavização das formas e dos padrões cromáticos. Design é comunicação e, assim, tanto melhor quanto mais numerosos e amigáveis os meios para que se estabeleça tal diálogo - essa é a síntese que parece estar implícita nos trabalhos presentes nesta edição da bienal da ADG.
Além disso, uma intrincada rede de demandas tem impulsionado a ampliação do campo de atuação do design visual brasileiro. Com os presságios da crise financeira vieram as fusões, os reposicionamentos empresariais; com o desenvolvimento tecnológico houve a ampliação das exportações, ao mesmo tempo em que se mantêm ativos a indústria do entretenimento e o circuito das artes no país. Projetos editoriais especiais, com tiragens limitadas, continuam frequentes; os cartazes resistem como elementos atuantes no sistema de divulgação de peças de teatro e de filmes; e continua acirrada a disputa por visibilidade nas gôndolas dos supermercados, entre outras situações que, independentemente da escala e da duração almejadas, demandam ações de design gráfico.
A tipografia é campo interessante nesse sentido. Embora tenha constituído categoria autônoma somente na 7ª Bienal da ADG, ela está, na edição atual, representada por projetos importantes e inusitados, distribuídos na maior parte das categorias que estruturam o evento.
A designer Priscila Farias, convidada a comentar a bienal em uma das mesas redondas realizadas no Centro Cultural São Paulo (CCSP), na capital paulista, fez análise semelhante à de Homem de Mello, apontando duas tendências tipográficas simultâneas: a de fontes que se alinham e a das que se afastam do rigor geométrico, cartesiano, moderno. “Há fontes que parecem ter vindo da rua para o computador”, comenta Priscila, em uníssono com o crítico Agnaldo Farias, com quem dividiu a mesa de debates. Eles se referem, por exemplo, à fonte Parangolé, da Tecnopop, criada pelos designers cariocas para a Secretaria das Culturas da prefeitura do Rio de Janeiro, no contexto do projeto que premia escolas do carnaval de rua da cidade.
Já houve bienais com maior número de participantes - cerca de 2 mil, em vez dos 1.240 desta edição -, mas os curadores foram unânimes em definir a mais recente como representativa do aspecto cultural, de comunicação, desempenhado pelo design gráfico. “Nossa produção resvala várias fronteiras” e “esta bienal é esclarecedora porque mostra que design não é feudo”, assinalaram, respectivamente, a curadora geral Cecília Consolo e o crítico Agnaldo Farias.
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 351 Maio de 2009
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3- Dingbats são fontes ornamentais. As Armoribats, criadas por Buggy Costa, da Tipos do Acaso, têm como referência o movimento cultural Armorial, de Ariano Suassuna, originado em 1970, no Recife
Ciências, de Campinas, SP, por Kiko Farkas e Thiago Lacaz (Máquina Estúdio)

