Anos 90 - Design gráfico

Embalagens ganham conteúdo

Uma nova identidade visual

Experimentações permitidas e incentivadas no setor cultural continuaram interditadas em áreas mais vinculadas ao marketing das empresas, como as embalagens. As pesquisas de opinião mostram que o comprador é conservador e em geral rejeita mudanças radicais no aspecto dos produtos. Por outro lado, a entrada de mercadorias estrangeiras nas gôndolas dos supermercados trouxe um novo patamar de exigência de qualidade por parte do consumidor.
Resolver a difícil equação entre respeitar o conservadorismo e modernizar para competir melhor - ou entre atender os requisitos de marketing e inovar na linguagem gráfica - foi tarefa para escritórios como a10, Benchmark, Dil, M Design, Mazz, Oz e Seragini, vários deles atuando não só em embalagem, mas no design como um todo. Um exemplo de trabalho dentro dos parâmetros muito rígidos ditados pelas empresas, mas que mostra evolução segura e precisa ao longo dos tempos, é o que a Oz vem fazendo desde 1989 para o sabão Omo, tornando-se assim quase co-gestora da imagem da marca.

Animados com as perspectivas de que a indústria brasileira de embalagem dobre de tamanho nos próximos dez anos, passando a movimentar mais de 20 bilhões de dólares, profissionais dedicados ao segmento criaram em 1999 o Comitê Abre de Design, dentro da Associação Brasileira de Embalagem (Abre). Seu primeiro diretor foi o ativo Fábio Mestriner, da Packing Design, que calcula em 50 o número de escritórios no país atuando com competência em design de embalagem.

Se ainda faltam dados econômicos mais precisos, é visível que o mercado em geral de design gráfico amadureceu muito. Para começar, hoje os escritórios espalham-se pelo território nacional, não se concentram mais no eixo Rio-São Paulo. Aliás, o maior em atuação atualmente no país nasceu em Porto Alegre. É o Gad Design, com cerca de 80 pessoas. Seu diretor, Luciano Deos, ex-presidente da Associação Profissional dos Designers do Rio Grande do Sul, não esconde as pretensões expansionistas e já está se instalando em São Paulo.

Além da regionalização, o mercado também cresceu nas pontas. De um lado, os micreiros, os desbravadores de campos como o web design. As primeiras empresas desse segmento foram abertas entre 1995 e 1996, compostas sobretudo por jovens que entendiam muito de tecnologia e nada de comunicação. Micreiros já foram muito temidos. Parodiando a célebre frase de Glauber Rocha, para ser micreiro basta um computador (muito mais barato que uma câmera) num canto qualquer e não é necessário sequer uma idéia na cabeça.
No entanto, à medida que os anos passavam, os clientes foram demonstrando maior discernimento para entender suas limitações.


Texto resumido a partir de artigo de Adélia Borges
Publicado originalmente em PROJETODESIGN
Edição 253 março 2001
Sabão Omo: o escritório Oz Design atua desde
1989 quase como co-gestor da imagem da marca
M Design, no trabalho Bio Johnson: resolução
da difícil equação entre atender exigências
de marketing e inovar na linguagem gráfica