Anos 90 - Design gráfico

Os gringos chegaram

Os gringos chegaram

Na outra ponta do mercado, os anos 90 presenciaram a invasão mais temida: as multinacionais do setor, com consciência de marketing, das relações interdisciplinares do desenho e de todas as exigências de conceituação envolvidas no branding, que são preliminares ao design. Puxando o comboio das estrangeiras, a Landor abocanhou projetos cobiçados, como os redesigns da Varig (e suas coligadas Rio Sul e Nordeste), Bradesco, Grupo Abril, Grupo Santista (Pullman e Sol), Grupo Basf/Suvinil. Não abriu escritório no Brasil; em compensação levou dois brasileiros para a sua sede em São Francisco, EUA: Keith Trickett, inglês de nascimento e com longa vida profissional no Brasil; e Cynthia Elliot, que desde a formatura na Faap, em São Paulo, está radicada na Califórnia.

Minale, Tattersfield & Partners Limited, Lewis Moberly, Carré Noir e Interbrand Newell and Sorrel foram alguns dos escritórios estrangeiros que desenvolveram trabalhos para o Brasil no período. Houve também associações operacionais, como a que uniu a norte-americana Addison (que havia feito o redesign da rede de postos Ipiranga) ao escritório Ana Couto Design, no Rio, em 1998, e a que juntou a também norte-americana Lippincott & Margulies, que já tinha como cliente a Rede Globo, a Cauduro/Martino, em São Paulo, em 1999.
A presença dos escritórios estrangeiros só pode ser entendida dentro do contexto mais amplo de globalização da economia e do grande número de fusões e aquisições de grupos econômicos. De qualquer forma, ela arrefeceu ao terminar a paridade do dólar com o real.
O crescimento da atuação na década de 90 se refletiu nas bienais promovidas pela Associação dos Designers Gráficos (ADG) desde 1992. Só de terem sido realizadas a cada dois anos já foi uma vitória - num país em que a palavra bienal não garante necessariamente a periodicidade. O número de participantes foi crescendo em proporção geométrica até a de 1998.

Nem toda essa expansão levou ao maior reconhecimento das atribuições do design gráfico. Um exemplo foi o processo de escolha do novo desenho da família de moedas do real por meio de concurso com votação popular, com resultado decepcionante, bem aquém do design das cédulas da década de 60, feitas por Aloísio Magalhães. Outro exemplo foi a celeuma a respeito da tentativa de mudança da Petrobrás para Petrobrax, no finalzinho da década, em que jornalistas, congressistas e líderes de opinião demonstraram ignorância a respeito do que é um projeto de redesign de identidade corporativa.
Olhando em retrospecto, pode-se afirmar que a década de 90 foi pródiga, muito pródiga para o design gráfico brasileiro. Nunca a linguagem havia mudado tanto em tão pouco tempo, nunca a atividade havia jogado um papel tão decisivo. O que só renova os desafios - e exige tomada de fôlego - para os novos tempos.


Texto resumido a partir de artigo de Adélia Borges
Publicado originalmente em PROJETODESIGN
Edição 253 março 2001
Gad Design, com seu trabalho para a Claro Digital:
maior escritório em atuação no país nasceu
em Porto Alegre, fora do eixo Rio-São Paulo.
Bahia singular e plural, criação de Enéas Guerra e Valéria Pergentino, do Solisluna Design, premiada na categoria
capa de CD na Bienal de Design Gráfico 2000, promovida
pela Associação dos Designers Gráficos(ADG)