Bienal Ibero-Americana de Design

A 2ª edição da Bienal Ibero-Americana de Design provou que crise econômica e criatividade podem juntas render bons frutos

Cartaz para o Teatro Metropolitano, DDB, Colômbia
Cartaz para o Teatro Metropolitano, DDB, Colômbia
Elementos artesanais convivem com produção tecnológica sofisticada
A segunda edição da Bienal Ibero-Americana de Design ocorreu em Madri em clima de instabilidade. A grave crise econômica europeia enxugou a verba do evento, embora os organizadores comemorem o resultado final como prova de que dificuldade e criatividade podem juntas render bons frutos. “Pensamos que se tratava de sobrevivência apenas, mas o mérito dessa edição foi justamente ater-se à essência do que é a bienal da América ibérica”, analisa a designer brasileira Ruth Klotzel, uma das curadoras.

Apresentar, de forma tão ampla quanto possível, um painel do design contemporâneo na América Latina e na Península Ibérica, nas áreas visual, de produto, digital, moda e interiores.

Com essa proposta abrangente, a Bienal Ibero-Americana de Design (BID) teve 400 trabalhos selecionados pelo júri internacional, dos quais 90 foram destacados com menção especial na exposição organizada pela Associação dos Designers de Madri (Dimad) e pela Central de Design Matadero, entre novembro e fevereiro, na capital espanhola.

Da crise econômica, o que se teve como registro evidente foi a escassa quantidade de peças em exposição - prevaleceram os painéis impressos e alguns audiovisuais -, além da expografia que tirou partido da visualidade efêmera e transitória de caixas de embalagens, adotadas como suporte básico da mostra.

Mas a essência do evento a que se refere Ruth Klotzel pertence mais ao domínio conceitual do que ao visual, destacando-se o aporte de países pequenos, como Uruguai, Guatemala, Costa Rica e El Salvador.

Os componentes artesanal e da cultura tradicional, portanto, estiveram em pé de igualdade com a produção mais tecnológica de países desenvolvidos, como a própria Espanha, convergindo, por vezes, com os propósitos ecológico e socialmente sustentável dos trabalhos.

Jaqueta para deficientes físicos, Nada, Venezuela
Jaqueta para deficientes físicos, Nada, Venezuela
Ventrículo artificial universal, Abdeo, México
Ventrículo artificial universal, Abdeo, México
 
Projeto temporário Escola de Artes para Crianças, a77, Argentina
Projeto temporário Escola de Artes para Crianças, a77, Argentina

Nesse sentido, houve especial distinção para o que se chamou de design para todos e design para o desenvolvimento, amadurecendo a bienal na seara da curadoria.

“É um evento jovem ainda, que nasceu com o propósito de abranger ao máximo a diversidade de países naturalmente tão distintos em condições sociais e econômicas. Temos que dosar o projeto de curadoria para não afugentar países com menos tradição em design”, comenta Giovanni Vannucchi, parceiro de Ruth no comitê assessor permanente da BID.

Armazenador de seiva, Walker Diseño & Asociados, Chile
Armazenador de seiva, Walker Diseño & Asociados, Chile
Maçaneta para porta sanfonada Easylock, Nó Design, Brasil
Maçaneta para porta sanfonada Easylock, Nó Design, Brasil
 
Linha de joias A Hora do chá, Maria Cristina Lasarga, Uruguai
Linha de joias A Hora do chá, Maria Cristina Lasarga, Uruguai

Para ela, há certa diferenciação entre os países de colonização portuguesa e os de espanhola. O México e a Colômbia, por exemplo, enfatizam traços indígenas no seu design visual, enquanto o Peru tem forte legado têxtil.

Já Vannucchi destaca certas vocações locais, como os rótulos chilenos de vinho e a tradição gráfica espanhola, e aponta como grande surpresa os belos trabalhos gráficos do Panamá.

Para ele, ainda, um dos marcos da bienal é a coexistência do artesanal com o industrial. Este ano, um corpo internacional de jurados analisou a seleção prévia do comitê assessor e indicou os trabalhos a serem expostos e premiados na mostra.

Laboratório de ótica, Universidade do México
Laboratório de ótica, Universidade do México
Jóias inspiradas em La Challa, Joyeria y Diseño, Bolívia
Jóias inspiradas em La Challa, Joyeria y Diseño, Bolívia
 
Luminárias artesanais do hotel Flor Branca,
Paulinha Ortiz, Costa Rica
Adélia Borges foi a convidada brasileira para o júri, que contou com o trabalho conjunto de Mônica Moura. Ela enfatiza a oportunidade que a bienal abre para que se olhe além do design europeu: “É um momento de virada, desloca-se a noção de centro e periferia”.


Texto de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 373 Março de 2011
Coleção Jalapa, Heloísa Croco, Brasil
Coleção Jalapa,
Heloísa Croco, Brasil
Colar Escalamar, Mana Bernardes, Brasil
Colar Escalamar, Mana Bernardes, Brasil
Exposição Medellín Transformação de uma Cidade, Estudio Miguel Mesa, Camilo Restrepa e Paisagens Emergentes, Colômbia
Exposição Medellín Transformação de uma Cidade, Estudio Miguel Mesa, Camilo Restrepa e Paisagens Emergentes, Colômbia
Conversão da Ermida Nossa Senhora da Conceição em galeria de arte, R2 Design, Portugal
Conversão da Ermida Nossa Senhora
da Conceição em galeria de arte,
R2 Design, Portugal
Luminária Hongo Maya (feita por comunidade de sobreviventes da guerra civil da Guatemala com alumínio, fibra de madeira e folha de palmeira), El Sol Maya, Guatemala
Luminária Hongo Maya (feita por comunidade de sobreviventes da guerra civil da Guatemala com alumínio, fibra de madeira e folha de palmeira), El Sol Maya, Guatemala
Videografia Tema Complexo/Museu CAO, Estudio Lucis et Lumbrae, Peru
Videografia Tema Complexo/Museu CAO, Estudio Lucis et Lumbrae, Peru
Luminária Sizal, AO Diseño, Espanha
Luminária Sizal,
AO Diseño, Espanha
Cartaz do Festival do Centro Histórico, A/V, Guatemala
Cartaz do Festival do Centro Histórico, A/V, Guatemala
Cartaz para o Teatro Metropolitano, DDB, Colômbia
Cartaz para o Teatro Metropolitano, DDB, Colômbia
Identidade visual do refrigerante Guaraná Jesus, Dia Comunicação, Brasil
Identidade visual do refrigerante Guaraná Jesus,
Dia Comunicação, Brasil
Cartaz Guantánamo, Elman Padilla Studio, Honduras
Cartaz Guantánamo, Elman Padilla Studio, Honduras
Cartaz para o Teatro Metropolitano, DDB, Colômbia
Cartaz para o Teatro Metropolitano, DDB, Colômbia
Identidade visual da exposição Medellín Transformação de uma Cidade, Taller Estándar, Colômbia
Identidade visual da exposição Medellín Transformação de uma Cidade, Taller Estándar, Colômbia
Identidade visual Rio 2016 para a candidatura olímpica, Soter Design, Brasil
Identidade visual Rio 2016 para a candidatura olímpica,
Soter Design, Brasil
Identidade visual da exposição México Arte Contemporânea
Identidade visual da exposição México Arte Contemporânea,
Cadena + Asociados, México
Cartaz para o Teatro Metropolitano, DDB, Colômbia
Cartaz para o Teatro Metropolitano,
DDB, Colômbia
Vitrines Hermés no Panamá, Aji Pintao, Panamá
Vitrines Hermés no Panamá,
Aji Pintao, Panamá
Capas para Editorial Designio, Oscar Salinas Losada, México
Capas para Editorial Designio, Oscar Salinas Losada, México
Porta-clips Chip, Rodrigo Torres, Colômbia
Porta-clips Chip, Rodrigo Torres, Colômbia
Cadeira BB, Modus Vivendi, Paraguai
Cadeira BB, Modus Vivendi, Paraguai
Convites colecionáveis, ¼ Negro, Paraguai
Convites colecionáveis, ¼ Negro, Paraguai
Cadeiras, Design Estudio, Colômbia
Cadeiras, Design Estudio, Colômbia