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Com isso, atendo-se ao comportamento das várias gerações que convivem nas cidades, tenta-se antecipar caminhos, desejos latentes ou subliminares, estéticos ou tecnológicos. Tais pesquisas - como as divulgadas pela italiana Moods - apontam cerca de quatro ou cinco palavras-chaves, como autenticidade e leveza. E estas, por sua vez, abrem uma série de possibilidades formais e funcionais de utilização. Anualmente, esses trabalhos são difundidos em circuitos restritos, com conceitos que se repetem a cada dois ou três anos através de manifestações por vezes sutilmente diversas. O italiano Giorgio Boggia, que presta consultoria para a Portinari há cerca de cinco anos, assinala que somos atualmente pautados pelo conceito da antítese. "Interage o indivíduo com a sociedade, o luxo com a simplicidade, entre outras relações dialéticas", ele relata.
No chão da fábrica, tal caminho - ou trend, termo usado no meio empresarial e do design - faz com que o produto seja quadrado ou retangular, de pequeno ou grande formato, tenha relevo, seja liso, varie de cor, pare quatro ou 18 vezes na linha de esmaltação e serigrafia, apenas para citar algumas das especificações do design.
De unânime, atualmente existe apenas a constatação de que o revestimento cerâmico vive momento de diferenciação em relação a outros materiais ou processos produtivos. Foi-se o tempo em que o mote da cerâmica era parecer outro material - pedra, madeira ou tecido, entre tantas possibilidades. O que vale agora é o que se chama neodesign ou tecnodesign. "É o que se tem visto na Cersaie", aponta Boggia, referindo-se a uma nova tipologia que demanda texturas e aparência independentes para a cerâmica.
A partir dessas constatações e caminhos, o mais recente trabalho de Ruth Fingerhut, Boggia e Marilene Dal Toé (gerente de desenvolvimento de produto da Portinari) foi pautado pelo conceito-chave da sensibilidade do homem urbano.
Imagens aéreas e de satélite retratando grandes centros urbanos levaram ao desenvolvimento da coleção de porcelanato Matrix. Elas evoluíram para a criação de um grafismo linear e irregular, abstraído do entrelaçamento de ruas e avenidas, que é prensado em menos de 20 segundos. Ou seja, a coleção Matrix pertence ao que se chama de toda massa, tipo de porcelanato em que o design - cor e textura tátil, por exemplo - é configurado até a ação da prensa.
Já a C12, outra nova coleção da empresa, agrega à toda massa o processo de serigrafia. Seu desenho foi baseado na idéia de movimento, de texturas e cores que se comportam de forma variante frente a maior ou menor proximidade do espectador. O nome deriva da fibra de carbono - material amplamente utilizado na indústria automobilística - que, em resumo, configura relevos da ordem de um décimo da espessura de um fio de cabelo. A textura da coleção foi desenvolvida simultaneamente no Brasil e na Itália, tendo-se optado pelo desenho brasileiro após 54 modelos feitos em moldes de gesso.
Texto resumido a partir de reportagem
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 339 Maio de 2008
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