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"O
computador é só uma ferramenta, como um
lápis e um compasso." O mantra foi repetido
à exaustão no final dos anos 80, quando
alguns designers começaram a usar em seus escritórios
o que naquele momento era novidade absoluta. A frase
exorcizava o medo que sentiam da máquina,
como se a tecnologia representasse uma ameaça.
A história mostrou que o computador foi
muito mais que um mero instrumento: trouxe alterações
profundas na linguagem do design gráfico,
ampliou tremendamente sua área de atuação
e, como querem alguns, mudou a própria forma
de pensar.
Vistos hoje, os temores daquele início de década
soam a sentimento pré-histórico.
A "ferramenta" foi de tal forma incorporada
à rotina que fica até difícil imaginar
o mundo - e a atividade - sem ela.
A principal conquista propiciada pela tecnologia digital
foi alterar o modo de produção. Ela
rompeu a dicotomia entre usuário e fornecedor
(de linotipos ou serviços de fotocomposição,
por exemplo) para permitir àquele o controle
total da produção.
O designer pôde testar quase instantaneamente
o resultado final de seu trabalho, mexendo em espaçamentos,
alturas, comprimentos e larguras para atender a sua
expressão pessoal.
"A tecnologia eletrônica, com sua lógica
não-linear e integrativa, em contraposição
ao mundo mecânico e cartesiano, foi o verdadeiro
mandraque libertador da sensibilidade", escreveu
num de seus artigos Cláudio Ferlauto,
um dos poucos designers que se dispôs - ao lado
de Francisco Homem de Mello e Ana
Luísa Escorel, cada qual a seu modo -
a pensar a atividade regularmente e além de seus
muros.
Se de início essa liberdade gerou um estica-e-puxa
desenfreado e sem critério, como se as pessoas
estivessem encantadas com as possibilidades de seu brinquedinho
novo, o que se vê ao analisar a década
de 90 é que seus efeitos superaram a gratuidade
dos primeiros anos para trazer alterações
profundas.
Texto resumido a partir de artigo de Adélia
Borges
Publicado originalmente em PROJETODESIGN
Edição 253 março 2001
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