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Atraídos pela liberdade de criação
e pelo retorno financeiro, alguns designers desenvolvem
itens específicos para o marketing de produtos. Fernando
e Humberto Campana, Marcelo Rosenbaum e Gaetano Pesce
estão entre os designers premiados que colocaram seu
talento a serviço da Souza Cruz. Mas, alguns
puristas ainda reagem, irados, ao menor sinal de aproximação
entre design e marketing.
Há pouco mais de dois anos, a multinacional Souza
Cruz vem fazendo contato com designers de
respeitada atuação no mercado brasileiro e internacional.
Alguns confessam que relutaram, no primeiro momento,
devido à imagem desgastada e negativa dos cigarros.
Mas depois aceitaram, e não se arrependeram.
Marcelo Rosenbaum, que no ano passado criou uma
linha de produtos para a marca Lucky Strike,
explica por que essa experiência foi tão gratificante:
“Primeiro, porque foi mais uma oportunidade de trabalhar
com grandes indústrias, desenvolvendo produtos que serão
fabricados em larga escala. Depois, porque tornou
possível a realização de pesquisa de novos materiais,
que não seria feita sem o suporte de uma grande empresa.
Por último, pela necessidade de projetar com liberdade
de criação, mas obedecendo a uma série de restrições”.
Um exemplo de tais restrições é dado pelo projeto
da lixeira destinada a uso em aeroportos. Além das exigências
do cliente, era necessário atender também às especificações
da Infraero, empresa pública que administra os aeroportos
brasileiros.
Na linha de produtos de pequeno porte destinados
a bares e restaurantes, composta por bandeja, cinzeiro
de mesa, balde de gelo e lamparina, tanto os materiais
como a linguagem deveriam ser adequados ao público-alvo
da marca. Os irmãos Humberto e Fernando Campana
também consideram a experiência extremamente positiva,
pelo exercício de linguagem, pela disciplina necessária
ao cumprimento de prazos rígidos e pelo financiamento
de novas pesquisas. Em dois anos de trabalho
para a Souza Cruz, os Campana projetaram cerca de 40
itens para a marca Free, nem todos aprovados ou
produzidos. “O mais importante”, conta Fernando, “é
que eles queriam produtos com nossa cara, mas com os
quais os fumantes daquela marca se identificassem.”
Os designers recorreram ao vasto repertório de materiais
que utilizam normalmente: fio espaguete (cestinha
para lojas de conveniência), poliestireno translúcido
(lixeira), alumínio repuxado (cinzeiro), tubos
plásticos transparentes (lixeira com cinzeiro),
plástico inflável (bowl para caixas de fósforos
e luminária), polipropileno (luminária com alça
de metal), chapas metálicas (espelho imantado
e porta-revistas) etc. A identificação com os consumidores
se deu muito mais pelo design do que pela marca, discretamente
estampada em cada produto. Tanto que boa parte dos cinzeiros
espalhados em bares ou restaurantes foi levada pelos
clientes.
O arquiteto e designer italiano Gaetano Pesce
também desenvolveu peças exclusivas, em resina de poliuretano,
para a marca Free: jogos americanos, relógio,
luminária, porta-fósforos e porta-copos. A arquiteta
Carla Caffé ilustrou uma coleção exclusiva de
canecas de cerâmica para a marca Carlton.
Texto resumido a partir de reportagem de
Airton Ribeiro
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 249 Novembro 2001.
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