Ary Perez e Denise Milan
Instalação artística, São Paulo-SP
"Tempos de Cura"
 

Os processos de transformação, a busca do equilíbrio e a cura de doenças são representadas, simbolicamente, na instalação Tempos da Cura, criada pelo engenheiro e escultor Ary Perez e pela artista plástica Denise Milan para a área externa do átrio inaugurado em janeiro deste ano no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. O elemento dominante da obra é a pedra, cuja presença foi inspirada nos poderes da natureza a ela atribuídos e no próprio nome Einstein, palavra alemã que designa rocha.

Um conjunto pórtico-marquise de estrutura metálica e vidro, projetado por Siegbert Zanettini, divide a instalação em duas praças simétricas, delimitadas por bancos esculpidos em três tipos de granito em estado bruto, formando um semicírculo com 8,1 m de diâmetro. Na praça à esquerda, duas partes de uma ampulheta, também esculpidas em granito bruto e com 4 t de peso cada uma, estão espalhadas pelo chão para simbolizar a desordem e a doença. À direita, a mesma ampulheta reaparece de pé, com 2,8 m de altura, mas em frágil equilíbrio, traduzindo a idéia de ordem e saúde e a instabilidade desses estados.

Todas as peças foram esculpidas manualmente em Itu-SP. Para interligar as duas partes da obra, Perez e Milan criaram o grande painel central, de 30 m de comprimento e 3,8 m de altura, buscando representar o ciclo que transforma a doença em saúde. Leve, ele é feito com fundo de EPS revestido por argamassa armada com fibras e apresenta acabamento com pintura granulada, definindo uma superfície de textura áspera e opaca, de grande efeito plástico quando iluminada.

A luminotécnica desses espaços foi desenvolvida pelo arquiteto e designer Guinter Parschalk. Ary Perez assina também os painéis internos de vidro temperado que homenageiam as famílias doadoras de recursos para o hospital. “Os nomes foram dispostos de modo a criar desenhos de formas orgânicas que remetem à natureza, ao globo terrestre, ao holístico. Juntos assim, passam a ter um significado maior, o que não aconteceria se o nome de cada família aparecesse de modo isolado”, conclui Perez.

Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 247 Setembro 2000

 
Praça da ordem e da saúde: duas metades da ampulheta
estão unidas por um pino de aço para garantir a segurança
Fotos: Thomas Susemihl
 
Na praça esquerda, duas metades soltas de uma ampulheta simbolizam a desordem e a doença:bancos em semicírculo esculpidos com granitos brutos de diferentes cores e durezas
 
Sobre um fundo de painéis de alumínio composto, os nomes das famílias homenageadas formam desenho holístico
 
 
O painel central, de grande plasticidade, interliga
as duas praças que ladeiam o pórtico de entrada
 
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