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| Jovens designers brasileiros |
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| Ecologia, funcionalidade
e humor |
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Os jovens designers brasileiros
pensam primeiro na ecologia, em seguida na funcionalidade,
e somente depois, eles se dão ao luxo de relaxar,
contestar valores, conferir um ar da graça a suas
criações.
Esses são alguns dos pontos em comum no discurso
e na prática da novíssima geração
de designers brasileiros, aqueles que despontaram no cenário
da atividade principalmente na segunda metade dos anos
90. Encontraram o campo desbravado pelos antecessores
e se iniciaram num momento em que os empresários,
sobretudo os do ramo de equipamentos para o hábitat,
já têm as portas abertas para os profissionais
do projeto.
Claro, nem tudo são rosas. Mas a fase de
explicar exaustivamente o que é a atividade foi
ultrapassada e a autonomia da profissão, enfim
conquistada. É hora, portanto, de poder ir à
frente - e a idade não só suporta, como
favorece as ousadias.
Muitos reafirmam a intenção lúdica
em seus projetos. A expressão comparece com freqüência
inusitada nas conversas com os jovens designers. Para
atingi-la, um dos caminhos é o uso iconoclasta
da cor. Na Arredamento, por exemplo, chamam a atenção
os móveis de Cláudio Rampazzo, que tem a
capacidade de criar peças com vocação
protagonista.
O sofá Ziggy “faz uma alusão ao sentar
engraçado” e “brinca com as cores”. Produzido a
partir de um grande e único bloco de espuma esculpida,
o Ziggy tem encosto em formato de círculos chanfrados.
Mesmo sendo uma peça única, apresenta lugares
individualizados, com o assento torneado em forma de onda.
A cor pode ser um detalhe, quase um toque de humor
e surpresa, como no Fresh, dos gaúchos Tuti
Giorgi e Beto Salvi, que desde 1999 vêm sendo produzidos
pela Schuster e estão no renovado portfólio
da loja Dpot, em São Paulo. Todas as gavetas são
roxas por dentro nesse sistema formado por nove bases,
16 módulos individuais e sete módulos conjugados,
que pode ser biblioteca, gaveteiro, cômoda, bufê,
criado-mudo, rack etc.
A cor também pode ser o elemento predominante
na composição da peça, como se observa
na Casa 21, nos inovadores móveis de acrílico
de José Antônio Marton. Ele não surpreende
nas formas - limpas, retas, quase convencionais. Mas estraçalha
no padrão da superfície. Fez uma linha de
produtos em listas, incluindo bufê e mesa lateral
- esta ganha destaque extra quando, acesa a luz em seu
interior, torna-se um objeto luminoso, com a força
dos móveis esculturais.
Talvez pelo uso do acrílico, pode-se ver certo
ar anos 1970, psicodélico, nos móveis
de Marton.
A mesma atmosfera pop transpira da luminária
Box, nas versões Orange e Lemon, que designam
as cores cítricas em que estão disponíveis.
No formato de cubo, são feitas de plástico
polipropileno, sobre o qual se imprimem bolas coloridas
em três tamanhos, formando um trio que se pretende
“divertido e muito moderno”. Seus designers são
Orlando Faccioli e M. C. Flora, sócios na Nuts
Design.
Outra dupla recentíssima é formada
por Rodrigo Leão e Mirla Fernandes. Juntos, eles
abriram em 2001 a galeria-ateliê Mut, no bairro
de Pinheiros,
em São Paulo. Mas já foram longe,
literalmente: alguns de seus produtos participaram da
exposição Felissimo Design House, loja na
Quinta Avenida, em Nova York.
Um exemplo é o Cabideiro L5, que muda o foco do
objeto: em vez dos mancebos que se apóiam no chão,
ele é fixado no teto. Integrante da linha chamada
Vertebrados, que se inspira na coluna vertebral,
é composto de fios plásticos nos quais se
prendem estruturas metálicas onde roupas
e bolsas podem ser dependuradas.
Um legítimo representante da tendência da
imaterialidade, a redução do objeto ao mínimo
possível de material, sem prejuízo da funcionalidade
- no caso do L5, ele é capaz de suportar mais
peso do que os cabides convencionais, assegura o designer.
Reduzir o uso de matéria-prima é
uma das estratégias do design ecológico.
Outra é a reutilizaçao ou o deslocamento
de função de componentes. Ou seja, a velha
e boa reciclagem, que já vem de longe no
Brasil, conseqüência direta da miséria
e da inventividade do povo, muito antes de o termo virar
moda. A prática foi recuperada
pelos designers no final dos anos 1980 e se tornou bandeira
entre grupos jovens.
Alguns alunos dos irmãos Campana, em São
Paulo, vêm se apresentando em conjunto sob o nome
Notech Design, que sugere produtos criados com materiais
simples e inusitados, sem tecnologia.
Entre seus integrantes estão Tetê Knecht,
que emprega câmaras usadas de pneu de motocicleta
para fazer o vaso Goma; e Maria Dupas e Rosa Berger, autoras
da luminária Nebulosa, desenvolvida com a mangueira
conhecida como corda luminosa, revestida de sacos
de embalagem de laranja na feira, as populares redes de
polietileno.
Os preceitos do design ecológico também
implicam o uso criterioso de matérias-primas não
renováveis, como a madeira. Curiosamente, a única
fábrica de São Paulo com móveis de
design certificados pelo Conselho de Manejo Florestal
(Forest Stewardship Council/FSC) é a Orro &
Christensen, da dupla Nagib Orro e Ingrid Christensen.
Outros buscam um caminho no uso de madeiras de reflorestamento,
como o lyptus (processamento do eucalipto), opção
da mineira Maria José Canêdo na cadeira Slim,
da Dpot, que tem nos pés delgados um diferencial.
E como os jovens valores surgem na cena?
O Prêmio Design Museu da Casa Brasileira tem exercido
ocasionalmente essa função. Na última
edição, de 2001, além do cabideiro
de Rodrigo Leão, estava entre os selecionados a
luminária Caravela, projeto feito por Cristine
Piza e Sueli Almeida ainda como trabalho escolar, no Senac,
no ano anterior. Uma peça simples - cúpula
de poliestireno translúcido e base de madeira -
mas forte.
Deliberadamente, abrir-se aos jovens de forma contínua
e sistemática é a proposta da mostra Novos
Talentos do Design de Norte a Sul do Brasil, apresentada
no D&D Shopping, em São Paulo, sob a coordenação
do professor Auresnede Pires Stephan.
Em abril deste ano, será realizada a quarta
edição do evento, que promete ser mais
ampla que as anteriores, incluindo até o extremo
Norte do país.
Na seleção dos participantes, Stephan tem
a ajuda de curadores regionais - professores ou instituições.
Uma das revelações do evento foi o baiano
Rodrigo Rebouças Lyra, que despontou regionalmente
no Prêmio Liceu de Design, da Bahia, em duas
edições.
Na primeira, em 1996, ainda estudante, apresentou a luminária
Amuleto Senhor do Bonfim, que usa elementos da cultura
local - fitinhas do Senhor do Bonfim e figas. Na segunda,
já profissional, foi premiado juntamente com José
Rivas, pela criação da banqueta Trapo,
que dá uma nova leitura às colchas de retalhos.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adélia Borges
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 263 Janeiro 2002 |
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| O vaso Goma, design de Tetê
Knecht (do grupo Notech) é feito de câmaras
de pneus de motocicleta. Foto: Andrés Otero |
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Luminária Caravela, com cúpula
de poliestireno
translúcido e base de madeira. Desenho de Cristiane
de Toledo Piza e Sueli Almeida. Foto: Divulgação |
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| A luminária Amuleto
Senhor do Bonfim, de Rodrigo Rebouças Lyra,
usa elementos da cultura baiana. Foto: Divulgação |
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Luminária Nebulosa,
desenhada por Mariana Dupas e Rosa Berger, do Notech:
mangueira e sacos de embalar laranja.
Foto: Andrés Otero |
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| Humor na luminária
Orange Box (com três peças empilhadas),
desenho de Orlando Faccioli e M. C. Flora. Foto:
Divulgação |
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Biombo Diva, de Orro
e Christensen, em metal
e madeira certificada pelo FSC. Foto: Divulgação
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Cabideiro L5, de
Rodrigo Leão e Mirla Fernandes: mínimo
de material, mas com funcionalidade. Foto: Divulgação |
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Banqueta Trapo, de
Rodrigo Rebouças Lyra e José Rivas:
releitura das colchas de retalhos. Foto: Almir
Bindilatti |
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Estante componível
da linha Fresh, desenhada por Tuti Giorgi e Beto Salvi,
na qual a cor dá um toque de humor e surpresa. Foto:
Divulgação |
A cadeira Slim, desenho de Maria José
Canêdo,
tem nos pés delgados um diferencial. Foto: Divulgação |
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O sofá
Ziggy, de Cláudio Rampazzo, faz alusão ao
“sentar engraçado” e brinca com as cores. Foto:
Calazans |
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Luminária
em forma de cubo com listras coloridas, da série Entrelinhas,
de José Antônio Marton. Foto: Eduardo Girão |
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Bufê com listras
coloridas, da série Entrelinhas, de José
Antônio Marton. Foto: Eduardo Girão |
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