|
Designer gráfico e publicitário,
Marcelo Lopes incursionou por projetos de estandes,
de móveis e interiores, mas há dez anos
dedica-se ao design visual, criando marcas e identidades
corporativas, como a da Galeria Francine, em São
Paulo, espaço dedicado a mostras de design
de jóias e artes plásticas.
O trabalho expressa o que Marcelo Lopes denomina arte
comercial. São projetos em que, a partir
de materiais convencionais buscam-se efeitos especiais,
como brilho, transparências e cortes não
usuais.
O projeto partiu do redesenho da marca, em que
estão associados o símbolo curvilíneo
criado por Yael Sonia (designer de jóias que
possui ateliê no local)
e o nome da empresa. Lopes criou uma nova fonte,
adotando letras maiúsculas e espaçamentos
alongados entre os caracteres; com o uso de serifas,
incorporou a idéia de solidez e segurança
à imagem contemporânea da galeria.
Nome e símbolo foram posicionados de modo a enfatizar
a proporção longitudinal da marca, utilizando
também um fundo retangular, com bordas arredondadas,
para facilitar a memorização pelo público.
No desenho de cartões de visita, envelopes,
convites e outros itens, o designer trabalhou com efeitos
especiais, aplicados sobre papel metalizado, na cor
prata. Entre esses efeitos, destacam-se a sobreposição
de camadas de cor sem perda de transparência,
possível pela utilização de tinta
azul translúcida, e a impressão em dois
tons de prata
(do papel e do logotipo), com bordas em espessuras reduzidas
até o limite da legibilidade.
"Não projeto para meus clientes,
mas para os clientes de meus clientes", argumenta
Lopes.
Essa proposta de trabalho, no caso da Francine, levou-o
a explorar o conceito da visitação,
de identificação entre o usuário
e o espaço físico da galeria. Assim, ele
reproduziu, em itens de papelaria, os cortes circulares
que caracterizam a fachada metálica do edifício.
Os convites para o ciclo anual de exposições,
principal elemento de comunicação entre
a galeria e seu público, são um dos
destaques no trabalho de Lopes. Em envelopes retangulares,
com dimensões reduzidas para otimizar o aproveitamento
do papel, alternam-se, vazados, o símbolo da
marca e os cortes circulares. Em 2002, pretende-se que
os convites contenham espirais e se desenrolem pela
manipulação do usuário, como "esculturas
de papel".
Lopes terá seu trabalho exposto - pela quarta
vez - na mostra seletiva da 6ª Bienal de Design Gráfico,
promovida pela ADG-Associação
dos Designers Gráficos. O evento será
realizado entre 20 de março e 7 de abril, no
Sesc-Pompéia, em São Paulo.
Texto resumido a partir de reportagem
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 264 Fevereiro 2002
|