Móveis de madeira certificada
Ecologicamente correto !
 

Renomados designers brasileiros apontam para o crescimento do uso de madeira certificada em móveis e objetos utilitários e de decoração. Nessa produção, destaca-se a diversidade de espécies utilizadas e de desenhos voltados para variadas escalas de produção e consumo.

Cores intensas, texturas diversificadas e máximo aproveitamento da matéria-prima extraída da floresta são as principais características do design com madeira certificada, e o ponto de partida para diferentes concepções de desenho.

Tanto os pioneiros André Marx e Carlos Motta quanto Etel Carmona e a jovem empresa Orro & Christensen são exemplos de como se investe na adoção e divulgação do selo verde - forma como é conhecida
a certificação da madeira e da cadeia produtiva que a envolve pelo Conselho de Manejo Florestal, entidade não-governamental sediada em Oaxaca, sul do México, e com atuação em mais de 50 países.

Para o designer André Marx, por exemplo,
“a madeira deve ser trabalhada o mais naturalmente possível”, o que implica utilizar peças maciças e sem acabamentos artificiais. Já para o arquiteto e designer Carlos Motta, a modulação (pequenas peças compõem o móvel), o desenho desvinculado de modismos e a durabilidade são princípios ligados ao design com responsabilidade ambiental.

Motta fez parte da equipe inicial de arquitetos e designers envolvidos no movimento Jóias da Floresta, iniciativa da empresária e designer Etel Carmona que compreende linha de móveis e objetos certificados, lançados em exposição no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, em abril de 2002.

Também participam do movimento
os designers Cláudia Moreira Salles e Ricardo Salem, o arquiteto e designer Isay Weinfeld e a própria Etel, que aponta como principais diferenciais da linha o desenho único de cada peça, “já que falhas e manchas que normalmente tornariam a madeira imprópria são incorporadas ao design”. O aproveitamento total da árvore, da raiz aos galhos, e “não apenas das partes nobres”, é, segundo Etel, outra virtude dos móveis fabricados sob esse conceito.

Também a Orro & Christensen, empresa sediada em São Paulo, passou a trabalhar, desde o início de 2002, exclusivamente com madeira certificada amazônica, concluindo processo iniciado há pelo menos dois anos em que foram incorporados ao desenho de móveis e objetos seis opções diferentes de madeira nativa: louro-faia, roxinho, louro-canela, tatajuba, tanimbuca e acapu. Nagib Orro, um dos sócios e designer da empresa, explica que a diversidade é um dos elementos que garantem o manejo sustentável da floresta amazônica, na medida em que evita ciclos predatórios de exploração de um só tipo de madeira.

Segundo o designer, a diversidade é também importante elemento de projeto, na medida em que as madeiras certificadas amazônicas apresentam numerosas cores e texturas. Em sua mais recente criação, a linha WWF/Série Clips, a empresa utilizou madeira certificada em objetos e móveis de produção industrial. Chapas de aglomerados e MDF (painel prensado de madeira e resina sintética) certificados constituem, em conjunto com barras verticais metálicas, a estrutura de estações de trabalho, mesas para escritórios, cadeiras, estantes, camas, guarda-roupas, além de uma série de outros móveis de uso comercial e residencial. Segundo Nagib, a linha corresponde à crescente preocupação da Orro & Christensen de popularizar o selo verde, produzindo também móveis econômicos.

O designer explica que, no caso da Clips, a diminuição dos custos de produção foi possível pela escolha do material “de natureza estrutural” e pelo próprio desenho da linha, prevendo-se produção em série e com tecnologia simplificada, o que a torna mais barata. Também as travessas em MDF ou aglomerado e as barras metálicas de sustentação foram idealizadas para consumir quantidades mínimas, adequadas ao uso e à estrutura dos móveis, destacando-se, assim, as espessuras reduzidas e os espaços vazios entre seus módulos estruturais. Outro diferencial da Clips é a interatividade com o usuário. A partir do sistema de montagem por composição de módulos, há inúmeras possibilidades de dimensões, usos e acabamentos. Nesse sentido, embora ainda pouco usual no universo de objetos certificados, os móveis podem ser coloridos ou receber acabamento laminado, com destaque para as interessantes cadeiras da linha.

Texto editado a partir de reportagem
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 271 Setembro 2002

 
Poltrona de balanço Astúrias,
de Carlos Motta: madeira reciclada, de demolição
 
Cadeiras, linha Clips
 
Mesa Ninho de Cláudia Moreira Salles, em sucupira
Cadeira Triz, de Cláudia Moreira Salles, em sucupira
 
Aparador Urucum de Cláudia Moreira Salles, em sucupira
 
Home theater, linha Clips
 
Revisteiro Spim:
MDF folheado e alumínio
 
Mesa Fresta, de Cláudia Moreira Salles, em sucupira
 
Mesa de jantar Fóssil:
madeira maciça, vidro e aço inoxidável
 
Toco Aver, de Etel Carmona, em jatobá
 
Estação de trabalho Flat:
MDF folheado, vidro e aço inoxidável polido
 
Mesa modelo T, de André Marx, em angelim rajado
 
Ambiente com móveis de Carlos Motta:
poltrona Sabre e mesa e cadeiras Iporanga, todas em sucupira
 
Extensão Pião, com aglomerado
folheado e aço inoxidável polido
 
 
 
Banco Jardineira com encosto:
MDF folheado e tubos de aço inoxidável
 
Rack móvel, linha Clips
 
Aparador Flat:
MDF folheado, vidro e aço inoxidável polido
 
Estante fixa,
linha Clips
Livreiro Jatobá, desenhado por Etel Carmona, em sucupira
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