Tipografia Brasilis
Fontes brasileiras vão do experimentalismo a alfabetos institucionais
Fontes brasileiras
 

A mostra, realizada na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em São Paulo, exibiu uma produção tipográfica eclética e de qualidade internacional

A primeira mostra brasileira dedicada exclusivamente à produção de tipos e fontes teve o grande mérito de reunir um conjunto expressivo de profissionais, que se destacam tanto pela qualidade como pela variedade dos trabalhos apresentados. Mesmo com algumas ausências incompreensíveis, como Tony de Marco e o escritório Burritos do Brasil, a exposição organizada pela designer Cecília Consolo formou um painel abrangente. É verdade que muitas fontes exibidas na mostra Tipografia Brasilis não estão disponíveis para uso comum, não existem em formato utilizável em computadores. Isso, porém, não invalida o trabalho dos criadores brasileiros.

Muitos tipos apresentados na mostra da Faap, em março, são fontes criadas para reforçar a identidade visual de empresas. Foi nessa área que Eduardo Bacigalupo, um dos pioneiros da tipografia no Brasil, desenvolveu grande parte de seu trabalho. São dele, por exemplo, os alfabetos institucionais da Vasp (1985) e da Compa Duas designers com presença marcante na mostra trabalham nessa mesma linha.

Simone Mattar mostrou as fontes Mack Light e Mack Bold, criadas para a comunicação visual do Colégio e da Universidade Mackenzie. Fernanda Martins estudou na Escola de Design de Basiléia, Suíça, onde, em 1995, desenvolveu a fonte Brasília. Muitas vezes, ela redesenha fontes usadas no logotipo de uma empresa, fazendo ajustes visuais na forma e no espaçamento dos caracteres. A partir daí, desenvolve todo o alfabeto que será utilizado na comunicação institucional do cliente. Sua mais recente criação, a fonte Alphanumer, embaralha os conceitos de letras e números.

O artista plástico Rubens Matuck também cria fontes. A Leonardo desde Vinci é uma obra de arte, desenhada em aquarela sobre papel, destinada a ser usada como capitular no projeto gráfico de um livro. Opondo-se de modo quase radical aos princípios da boa legibilidade, o carioca Billy Bacon, sócio de uma garage foundry (empresa produtora de fontes alternativas), tem visto muitas de suas criações adotadas em publicações jovens, tanto no Brasil como no exterior.

A mostra também valorizou o trabalho de alguns designers aficionados por tipografia, como Luciano Cardinali e Cláudio Rocha. Para eles, o prazer pessoal de criar uma fonte parece ser mais importante que a comercialização. Isso não significa, no entanto, que seu trabalho apresente menos rigor técnico ou excesso de experimentalismo. Aliás, eles parecem capazes de dosar essas duas características com elegância e maestria. "Para o designer, a criação de uma fonte é tão fascinante como, para o arquiteto, o desenho de uma cadeira", afirma Cardinali, ao comentar sua paixão pela tipografia e a importância de desenhar tipos como parte integrante do design.

Sua fonte Aknathon, criada em 1994, foi desenvolvida a partir dos algarismos romanos e com o espírito da cultura egípcia. A Cardehal, de 1998, foi desenhada apenas em caixa baixa, para ser usada num calendário. Cláudio Rocha, delegado brasileiro da associação internacional de tipógrafos (Atypi), empenha-se não só na criação de fontes, mas também na pesquisa e divulgação da produção nacional. Para ele, o mercado brasileiro hoje é bem mais receptivo à tipografia criada para fins específicos.

O maior problema está na carência de escolas especializadas e na falta de conhecimento técnico por parte dos designers. Duas de suas fontes são atualmente comercializadas em todo o mundo, pela International Typeface Corporation (ITC) e pela Agfa-Monotype.

Priscila Farias é outra designer presente na exposição com trabalhos comercializados por uma type foundry internacional, a T26. Suas criações exploram o lado lúdico da tipografia e lhe garantiram uma encomenda importante, a criação da Disneybats. A mostra trouxe também as experimentações de Vicente Gil, autor do livro A revolução dos tipos, e ainda os trabalhos de Alexandre Suannes, Eduardo Braga e Ruth Klotzel.

Texto resumido a partir de original do designer gráfico Paulo Moretto
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 244 Junho de 2000.

 
SIMONE MATTAR (SP), fontes Mack
 
BILLY BACON (RJ) Fonte Pasmado, 1996
 
BILLY BACON (RJ) Fonte Marola, 1996
 
EDUARDO BACIGALUPO (SP) Fonte Vasp Ultra Bold Italic,1985
 
 
             
  1. FERNANDA MARTINS (SP) Fonte Transbrasil, 1999/2000
2. LUCIANO CARDINALI (SP) Fonte Aknathon, 1994
3. CLÁUDIO ROCHA (SP) Fonte Cashew, 2000
4. RUBENS MATUCK (SP) Fonte Leonardo desde Vinci, 2000
5. FERNANDA MARTINS (SP) Fonte Alphanumer, 2000
6. LUCIANO CARDINALI (SP) Fonte Cardehal, 1998
 
veja também
  M. Fioretti, K. Grcic, R. Giovanetti, C. Pillet, J. Bregonje, M. Baldwin, J. Irving - Inovação no design dos microondas, Itália
  Seragini Design - Loja de doces Amor aos Pedaços
  Salão de Milão - Cores fortes no mobiliário, Itália
  OZ Design - Web design
  Brasil faz Design - Exposição brasileira em Milão, Itália
  Frank O. Gerhy - Móveis em papelão ondulado e madeira laminada, EUA
 
patrocínio   informe publicitário
     
Índice Notícias Agenda Fórum Envie por e-mail