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O cenário natural dá o
tom à identidade visual e à sinalização
desenvolvidas por Carlos Perrone, do estúdio
Desenhológico, para a Fazenda São José,
localizada na região de Itapira, interior de São
Paulo, que reúne clube e campo profissional de
golfe, pecuária, criação de animais
silvestres, aeródromo, além de reserva natural
com vegetação de cerrado.
Modular e extremamente versátil, o projeto se destaca
pela síntese eficiente entre tradição
e inovação no padrão gráfico
de áreas rurais brasileiras.
Perrone e a equipe do Desenhológico criaram a marca
geral e as específicas para cada atividade da São
José, a partir de desenho que faz referências
à vegetação do entorno e ao nome
da fazenda.
“Nossa idéia era minorizar a interferência
na paisagem e enfatizar a proximidade com o cerrado,
que, ao contrário do que se imagina, não
é exclusivo do Brasil central. Pensamos ainda em
trazer à memória a identidade tradicional
de áreas rurais brasileiras, caracterizada pelo
nome escrito por extenso e iniciais em evidência”,
explica o designer e arquiteto.
A inovação é obtida pela introdução
de cores fortes, pela coexistência de materiais
como o aço e a madeira e, ainda,
por padrão gráfico que, ordenado por símbolos
e representações pictóricas, caracteriza-se
por traços e contornos quase esquemáticos.
O angico-vermelho, árvore típica
da região, identifica a marca geral da São
José, enquanto a bola de golfe, os animais e o
aeroplano diferenciam as secundárias.
Acima de critérios técnicos, Perrone explica
que o projeto priorizou a ambiência de relaxamento
da fazenda, conceito identificável pela linguagem
visual com forte carga iconográfica. “A Fazenda
São José é vista por pessoas em estado
de repouso, o que nos deu a liberdade de relegar a preocupação
com a alta legibilidade e velocidade na transmissão
de informações”, ele avalia.
É também marcante a idéia de enquadramento,
tanto na paisagem quanto na própria identidade
visual, estruturado pela repetição de elementos
e recortes quadrados. No sistema de marcas, esse padrão
é obtido por desenho ortogonal em que o
logotipo é emoldurado por contorno na cor verde,
dividido em quatro partes iguais. Elas contém isoladamente
as palavras que integram o nome da fazenda e, em destaque,
no canto superior direito, o ícone que identifica
cada marca e atividade isoladamente.
A sinalização apóia-se em sistema
construtivo que leva em consideração a resistência
a intempéries e a sutil inserção
na paisagem natural, sobretudo ao criar recorte retangular,
portanto área vazada, entre o logotipo da
marca e o nome do espaço. Assim, enfatiza Perrone,
“a bela paisagem é sempre referência para
o usuário”.
O campo de golfe, com 240 mil metros quadrados,
nove buracos e quatro lagos, é uma das principais
áreas da fazenda, tanto pelo uso profissional quanto
pela localização privilegiada em meio ao
cerrado.
“Não tínhamos experiência anterior
com a codificação do esporte, mas mergulhamos
em seu universo visual para criar sinalização
eficiente e inédita. O que descobrimos é
que há geralmente forte vinculação
ao estilo norte-americano, com tendência à
fantasia. Não gostamos do que vimos”, comenta
Perrone.
Assim, o projeto do Desenhológico se concentrou
na pesquisa e no cuidadoso desenho de mapas, de
representações do campo de golfe, o que
eliminou as tradicionais bordas e contornos das figuras.
“O jogador tem à disposição desenho
efetivamente representativo das dimensões e características
físicas do campo e, embora a sinalização
seja inovadora, qualquer que seja sua nacionalidade há
a imediata identificação da imagem visual
do esporte”, define Perrone.
Texto resumido a partir de reportagem
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 291 Maio de 2004 |
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Ícones que representam
a marca geral e diversas áreas e atividades da
São José |
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Placa da marca geral, posicionada
na entrada da fazenda
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| Exemplos de implantação
das placas de golfe |
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