Identidade visual dos Jogos Olímpicos 2004 em Atenas
 
Espírito esportivo
 
Em agosto próximo, a cidade grega de Atenas sediará a Olimpíada de 2004, competição que completa 38 edições em 108 anos. São 35 modalidades esportivas, mais de 10 mil atletas de 201 países, 13 quilômetros quadrados de área urbana contida entre as instalações esportivas, além de estimados 500 mil visitantes.

Comunicar visualmente a identidade e a dinâmica da competição é tarefa de grande complexidade.

O comitê olímpico grego tem se dedicado à comunicação visual dos jogos pelo menos desde 1999, quando realizou concurso para a criação do emblema oficial do evento.

A proposta vencedora, entre 690 projetos inscritos, foi apresentada em parceria pelo estúdio grego Red Design Consultants e o escritório inglês de branding Wolff Olins, que tem entre seus clientes o Museu Tate, de Londres.

Ela acrescenta o traçado livre, manual, e a cor azul representativa do mar Egeu à imagem olímpica da coroa de olivas. É uma variante contemporânea do tradicional kotinos, como era denominada a coroa concedida como prêmio aos atletas na primeira versão do evento, realizada também na Grécia, em 1896.
       

Em 2001, foi a vez do concurso para escolha do mascote, tema bastante familiar até aos espectadores eventuais. Venceu o jovem escritório grego Paragraph Design, cuja proposta compartilha, com as demais peças gráficas da competição, a idéia de unir modernidade e tradição clássica.

Os designers da Paragraph criaram um casal de mascotes irmãos, Phevos e Athena. Seus nomes foram extraídos da mitologia grega - Phevos é o deus Apolo, da música e da luz, enquanto Athena é considerada a defensora da cidade a que empresta o nome, além de deusa da sabedoria.

Eles possuem traço inspirado em bonecos gregos cuja origem remonta até a seis séculos antes de Cristo, mas representam também crianças contemporâneas, conceito inspirador da intensa policromia e gestualidade jovial de Phevos e Athena. São, em resumo, o elo entre os jogos modernos e a história local.

“Como bonecos, eles fazem alusão ao prazer de simplesmente entregar-se ao jogo e, assim, procuram mostrar a supremacia da participação sobre a urgência da vitória”, comentam os organizadores dos jogos. Dessa noção há muito conhecida como espírito esportivo resulta a série de cenas que serão protagonizadas pelos mascotes.

“Queremos entusiasmar os espectadores e causar impacto nos atletas pelo extremo colorido das peças”, acrescenta o comitê olímpico.

Assim, Phevos e Athena se revezarão nos bem-humorados pictogramas temáticos criados para cada esporte como ambientação e sinalização das sedes e entornos das competições, além de referência visual para as diversas mídias.

Por exemplo, eles carregam pequena bandeira na prova de tiro, descobrem outras formas de transpor a prova de obstáculos, novos usos para os pés no nado sincronizado, se divertem no trampolim quando Athena empurra Phevos para ensiná-lo a mergulhar - enfim, ilustram de inúmeras formas as idéias de criatividade, amabilidade e até travessura.
 
Aplicação do emblema oficial dos Jogos Olímpicos de 2004
 
O concurso para criação do mascote envolveu 196 equipes, das quais 185 gregas, cinco norte-americanas, três anônimas, uma australiana, uma alemã e uma holandesa. O projeto vencedor é inspirado em antigo boneco grego feito em terracota, que tem as pernas conectadas à vestimenta através de arames. Assim, o também conhecido daidalá possui movimento e tem similares expostos no Museu Arqueológico
de Atenas, no Louvre e em museus de Boston e Berlim.
 
 
 
 
Mascotes são inspirados em antigos bonecos gregos
       
 
  No total são 35 pictogramas, dos quais 31 apresentam Phevos e Athena isoladamente.
Nos quatro restantes, os mascotes interagem de forma bem-humorada
       
 
Esses pictogramas apresentam individualmente um atleta em ação, por meio de traços bastante claros, nítidos, cores sólidas e contornos irregulares que se assemelham à feitura de vasos antigos.

Já a tocha, um dos mais importantes ícones dos jogos olímpicos, tem desenho inspirado em uma folha de oliva, pesa 700 gramas e tem 68 centímetros de altura. Caracterizada por curvas sutis em madeira e metal, pretende traduzir “a imagem do livre movimento da chama a que dá origem”, explica o criador da peça, o designer industrial grego Andréas Vorotsos. Em certo sentido, representa contraponto à identidade visual da Olimpíada de 2004, sobretudo pela moderna simplicidade e sobriedade levadas ao extremo.

Ela é o foco das atenções da cerimônia de abertura dos jogos, em 13 de agosto de 2004.


Texto resumido a partir de reportagem
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 291 Maio de 2004
 
 
Tocha desenhada pelo grego Andréas Vorotsos
 
 
Exemplos de cartazes com o emblema oficial do evento
veja também
  Bienal Letras Latinas 2004 - A jovem tipografia brasileira
  7º Bienal de Design Gráfico - São Paulo-SP
  Estúdio Desenhológico - Design gráfico e sinalização da Fazenda São José, Itapira-SP
  IF Design Award 2004 - Design brasileiro tem premiação recorde
  Estúdio Designbüro - Projeto gráfico da publicação Idéia
  27º Salão Internacional da Cadeira - Feira internacional realizada em 2002 em Udine, na Itália
 
patrocínio   informe publicitário
     
Índice Notícias Agenda Fórum Envie por e-mail