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| A jovem tipografia brasileira |
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Um crescente número de designers
brasileiros aventura-se pela tipografia, atividade
relativamente jovem no país, mas que aos poucos
conquista mercado, admiradores e prêmios que ultrapassam
as fronteiras nacionais.
Um dos eventos do setor, a Bienal Letras Latinas
reuniu em maio de 2004, no Memorial da América
Latina, em São Paulo, e em outros três países
(Argentina, Chile e Uruguai), 235 trabalhos de profissionais
latino-americanos.
As dez criações nacionais selecionadas
entre os 40 destaques da Bienal Letras Latinas formam
um conjunto identificável pelo enfoque visual,
estético. “É natural que seja assim”, comenta
o designer Luciano Cardinali, membro do júri e
autor de cinco trabalhos inscritos na mostra. Sobre o
estágio inicial da tipografia no Brasil, a coordenadora
local do evento, a designer Cecília Consolo, acrescenta:
“O bom humor é nosso diferencial”.
Para Cardinali e Cecília, a participação
no evento - ao todo, inscreveram-se 20 profissionais,
com 49 fontes brasileiras - é representativa do
estado-da-arte da tipografia no país, onde
predominam fontes criadas para usos parciais e específicos,
como títulos, logotipos e eventos institucionais.
Nelas, a linguagem ilustrativa prevalece sobre critérios
técnicos de legibilidade.
É sintomático o fato de o Brasil ter seis
trabalhos selecionados na categoria experimentais.
A Final Font, concebida em 2003 por Gustavo Piqueira e
equipe da Rex Design, exemplifica uma constante da nossa
produção tipográfica. Trata-se de
“uma brincadeira”, resume Piqueira, uma fonte inspirada
na variedade de opções disponíveis
ao designer gráfico, uma abordagem que se revela
bastante comum em trabalhos da área. Em resumo,
cada caractere da Final Font é constituído
pela sobreposição de 36 variantes da mesma
letra, padrão visual à época premiado
também na 7ª Bienal da Associação
dos Designers Gráficos, evento simultâneo
à Letras Latinas.
“Não são exatamente trabalhos comerciais”,
relata a designer Clarissa Tossin (outro destaque da categoria,
com as fontes Amor_Ligaduras e Árvore_Folhas).
“Trata-se de iniciativas independentes, verdadeiras experimentações
dentro da profissão, que muitas vezes começam
como simples brincadeira”, complementa. Os desdobramentos,
contudo, podem inserir no mercado o que é inicialmente
puro conceito. Um exemplo é a Árvore_Folhas,
que integrou a identidade visual do evento de moda São
Paulo Fashion Week, em 2002, e atualmente é
veiculada na abertura de um programa diário da
MTV brasileira.
A paixão do designer Fábio Lopez pela tipografia
começou em 1998, comercializando fontes criadas
por ele e um grupo de colegas da Escola Superior de
Desenho Industrial (Esdi), do Rio de Janeiro, através
do que se denominava Fontes Carambola. A experiência
terminou prematuramente, por causa da inconstância
do mercado. Na Letras Latinas, o designer foi destaque
com a fonte Ryad, inspirada em alfabetos não-latinos,
que adota o princípio da emulação
- segundo Lopez, uma espécie de simulação.
Assim, devido às características formais,
uma palavra escrita em qualquer língua com a Ryad
parece ser proveniente do árabe.
Na mesma categoria foram destaques as fontes Persplexitiva,
que Cláudio Rocha criou para a assinatura de Millôr
Fernandes em artigos de jornais e revistas, além
da Wayana, de Diego Credidio.
Já nos segmentos títulos e miscelânea,
os trabalhos brasileiros selecionados foram, respectivamente,
a Akrylicz Grotesk, também de Cláudio Rocha,
e a Manguebats, da pernambucana Fundição/Tipos
do Acaso (esta também premiada simultaneamente
pela Bienal da ADG).
As fontes Lalo e Paulisthania, concebidas, respectivamente,
por Eduardo Omine e Luciano Cardinali, foram os destaques
brasileiros na categoria textos, segmento em que
a produção ainda é tímida
no país. Nessa área, em que aspectos de
legibilidade são critérios fundamentais
da criação tipográfica, “quem tem
tradição é a Argentina”, explicam
Cecília e Cardinali.
Os designers destacam ainda, como tendência, trabalhos
que trataram da sistematização de idiomas
apenas falados, como a Guaranítica, do argentino
Mauricio Javier Franco.
Texto resumido a partir de reportagem
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 294 Agosto de 2004 |
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| Amor_Ligaduras, de Clarissa
Tossin |
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| Paulisthania, de Luciano
Cardinali |
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| Árvore, de Clarissa
Tossin |
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| Manguebats, do escritório
Fundição/Tipos do Acaso |
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| Final Font, de Gustavo Piqueira |
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| Persplexitiva, de Cláudio
Rocha |
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| Guaranítica, de Mauricio
Javier Franco (Argentina) |
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