Escola Superior de Desenho Industrial    
 
Berço do design nacional
 
Em agosto de 2003, a Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi), da Universidade Federal do Rio de Janeiro, completou 40 anos de atividades. A data veio acompanhada de planos de ampliação e motivos de sobra para comemorar. Entre as realizações da Esdi figuram desde o pioneirismo no ensino do desenho industrial no país e América Latina e o destacado desempenho profissional de ex-alunos até os prêmios que vem conquistando em concursos internacionais.

“O que pretendemos é ensinar o design de forma ampla, aprofundada”, afirma o diretor da Esdi, Gabriel Patrocínio. Ele reitera meta que remonta à origem da escola, na década de 1960, no Rio de Janeiro.

Ex-alunos - designers das mais variadas gerações e experiências profissionais - guardam, de forma semelhante, boas recordações e referências da escola. “Não me desliguei mais da Esdi”, declara Roberto Verschleisser, que esteve na turma inaugural, de 1963. O designer Joaquim Redig de Campos, aluno da turma de 1968, relata: “Recorro até hoje à gaveta do que aprendi lá”.

E mais: “Ela permanece a melhor escola de design do país”, analisa Ângela Carvalho, formada na década de 1980. E os jovens partilham essas opiniões: “As lembranças não poderiam ser melhores”, afirma Alexandre Barros, que desde 2000 atua na Itália. Isso tudo sem contar o capítulo especial que Alexandre Wollner dedicou à instituição em seu livro autobiográfico.

A trajetória desses profissionais exemplifica a abrangência e o alcance de que fala Patrocínio. Roberto Verschleisser, por exemplo, foi o responsável por desenhos para os metrôs do Rio de Janeiro e de São Paulo (vagões e programação visual originais), pela identidade corporativa da Companhia Siderúrgica Nacional, pelo projeto da mobralteca na década de 1970 (um caminhão que, aberta a carroceria, transformava-se em teatro) e pela sinalização do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Recentemente, desenhou um veículo que se transforma em centro de lazer, desta vez por encomenda de um fabricante de cervejas.
Joaquim Redig, além de ter trabalhado durante 15 anos com o designer Aloísio Magalhães, fundador da Esdi, tem, entre suas realizações, o desenho dos postos de combustíveis da Petrobrás nos anos 1990. Redig é responsável também pela atual programação visual do metrô do Rio de Janeiro e por um interessante projeto de equipamento para abastecimento de óleo em automóveis (em fase de implantação nos postos Ipiranga), além de um periférico de informática para assinatura de documentos via Internet, que está desenvolvendo para uma empresa carioca. Sobre seus anos na Esdi, cita com destaque as aulas do suíço Paul Edgard Decurtins, “nas quais aprendi os conceitos básicos de design, de que nunca mais me esqueci”.

A designer Ângela Carvalho, do escritório NCS Design, conquistou prêmios como o do Museu da Casa Brasileira (em 1994) e da IF Design Hannover (1995), pelo projeto do ventilador de teto Aliseu. Ela trabalhou com identidade corporativa para grandes empresas, como a Caixa Econômica Federal, elaborou projetos de equipamentos bancários e móveis seriados industriais. Atualmente, dedica-se a uma área na fronteira entre design e artesanato: o projeto Artesanato Brasil com Design abrange desde a pesquisa regional das tradições artesãs e elementos naturais até o desenvolvimento de objetos e captação de clientes.

Já o jovem Alexandre Barros, formado em 1992, dedica-se sobretudo ao desenho industrial, área na qual ingressou a partir do resultado de um concurso que venceu ainda na época de estudante. A premiação serviu de referência para sua contratação, em 1994, pela fabricante de refrigeradores Prosdócimo e, posteriormente, sua ida à Itália, para trabalhar na equipe de projeto da sueca Electrolux. Em 2003, Barros foi premiado no IF Design pelo projeto de aparelho de microondas para essa empresa. Em uma breve retrospectiva de sua carreira, afirma que o curso da Esdi lhe ensinou sobretudo a ter visão crítica da atuação profissional. “Essa característica é, em geral, uma grande deficiência dos designers brasileiros, o que, conseqüentemente, define um dos diferenciais da escola”, avalia.

Para o diretor Gabriel Patrocínio, a Esdi atravessa atualmente a fase de “tornar público o que faz”, divulgar suas conquistas e promover o intercâmbio dos alunos com instituições internacionais. Nesse aspecto, destacam-se as premiações que estudantes de graduação receberam entre 2003 e meados de 2004 - por exemplo, no IF Design Communication Award 2004, um complemento da tradicional premiação alemã; no Microsoft Research Lab, da empresa de informática norte-americana; e ainda no Electrolux Design Lab.

Os trabalhos de graduação de Gustavo Ferreira e Luiz Arbes, apresentados respectivamente em 2003 e 2004, foram premiados no evento alemão. Ferreira criou o sistema de fontes digitais Elementar, enquanto Arbes desenvolveu o Atlas Ecológico, um extenso conjunto de mapas interativos sobre a natureza e a sociedade do Rio de Janeiro.

O projeto Xperience - equipamento que integra câmera de vídeo e de fotografia, além de imagens, voz e texto em arquivo único, acessível pela Internet - deu às alunas Isabel Adler, Joana Koiler e Yael Dikstein o prêmio Most Outstanding Creative Design. Para receber a premiação - que faz parte do International Interface Design Project e foi entregue no Centro de Conferências da Microsoft em Washington, Estados Unidos, em agosto -, elas competiram com estudantes de mestrado dos Estados Unidos, Holanda e Índia, além de outras quatro equipes da Esdi. O prêmio, criado pela Apple Computer, reúne atualmente outras 13 empresas de informática. Em 2004, foi patrocinado pela Microsoft, dentro do Microsoft Research Faculty Summit, e a Esdi foi convidada pela primeira vez a participar, tendo sido a única a concorrer com projetos de graduação.

A escola também participou pela primeira vez do Electrolux Design Lab, concorrendo com universidades européias e asiáticas na tarefa de desenvolver eletrodomésticos para o futuro. Entre os sete grupos inscritos pela instituição, o projeto de Diogo Lage, Eduardo Cronemberger e Flávio Carrasco, alunos do quarto ano orientados pelo professor Fred Van Camp, ex-diretor da Esdi, foi selecionado para a etapa final, prevista para a segunda semana de novembro de 2004, em Nova York.

Os planos da Esdi vão ainda mais longe. Eles incluem um laboratório com equipamento de prototipagem rápida, em processo de montagem, em associação com a empresa de telefonia Motorola; uma parceria, em fase de detalhamento, com a Embraer, para o desenvolvimento de projetos de interiores de aviões; e a implantação da incubadora de empresas da escola. O intercâmbio internacional, com instituições de ensino alemãs, francesas e holandesas, já envolveu cerca de 40 estudantes.

Há ainda um esforço para o início de curso de pós-graduação em design, provavelmente a ser viabilizado junto com a companhia francesa JCDecaux.
Comemora-se ainda a cessão definitiva do terreno, pela União, onde se localiza a escola. Antes, nas comemorações de seus 25 anos, a Esdi havia sido presenteada com uma ameaça de desalojamento. No cenário favorável dos 40 anos, contudo, a perspectiva é de expansão das instalações, com projeto arquitetônico desenvolvido por José Luiz Ripper. Além de estacionamento subterrâneo, estão previstos outros quatro edifícios para abrigar a incubadora de empresas, novas salas de aulas, auditório, livraria, café e laboratórios.

Texto resumido a partir de reportagem
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 296 Outubro de 2004
 
ampliação da Esdi tem projeto elaborado
pelo arquiteto José Luiz Ripper
 
Implantação
 
 
 
Sinalização do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e do caminhão Bavaria, projetos do designer Roberto Verschleisser
 
 
Atual programação visual do metrô do Rio de Janeiro,
design de Joaquim Redig
 
 
Terminal para assinatura eletrônica de documentos,
design de Joaquim Redig
 
Equipamento de abastecimento de óleo dos postos Ipiranga,
design de Joaquim Redig
 
 
Marcador de livros e multiuso Taky,
design de Alexandre Barros
 
  Ventilador Aliseu, design de Ângela Carvalho
   
 
   
 
  Programação visual da Caixa Econômica Federal, design de Ângela Carvalho.
Objetos do programa Artesanato Brasil com Design, desenvolvido em 2003 para a Caixa Econômica Federal e coordenado
por Ângela Carvalho
   
 
  Atlas Ecológico do Rio de Janeiro, desenvolvido por Luiz Arbes e premiado no IF Communication Award 2004
   
 
  Projeto do aparelho Xperience, desenvolvido pelas alunas Isabel Adler, Joana Koiler e Yael Dikstein,
vencedor do prêmio Most Outstanding Creative Design
   
 
  Projeto finalista do Electrolux Design Lab, desenvolvido pelos alunos Diogo Lage, Eduardo Cronemberger e Flávio Carrasco
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