|
Turismo, lazer e educação ambiental são
os condicionantes do projeto de identidade corporativa e
de sinalização que Mariana Hardy e Fernando
Maculan conceberam desde meados de 2003 para a Pampulha.
A ação inicial foi a criação
da marca da lagoa e, posteriormente, da marca do novo parque
ecológico.
O símbolo reproduz os contornos sinuosos da
lagoa, e faz referência às cores locais,
tanto as naturais quanto as edificadas, através do
azul predominante (na mesma tonalidade dos azulejos de Portinari
para a capela) e do verde aplicado na lateral direita.
Na marca do parque ecológico, o símbolo deriva
da simulação tridimensional de uma folha
de árvore, mesclada ao perfil de um peixe. O
peixe-folha (apelido dado pelos autores) tem contornos verde-escuros,
corpo verde-claro e uma das extremidades - “a cabeça
do peixe”, explica Mariana - na cor azul.
A ligação entre as duas marcas, e também
entre os elementos de sinalização da orla
e do parque, é dada pelo sistema de cores
e pela tipografia.
“Utilizamos a fonte Univers por sua boa legibilidade
e enorme abrangência”, explica Mariana, o que pode
ser visualizado na variedade de recursos, como letra em
negrito e fontes sobrepostas, entre outros, em todas as
peças.
Quanto às cores, destaca-se o aspecto da setorização
- azul e laranja na área da orla, e outras
cinco cores no parque. O azul da orla, o mesmo especificado
para o símbolo, reveste a maior parte da base das
placas e totens, exceto a região das delicadas laterais,
pintadas na cor laranja, que sinaliza atenção,
explicam os designers. As bases da sinalização
da orla têm formato oblongo e suportes em aço
inox.
Na área do parque ecológico, réguas
de madeira reflorestada caracterizam as peças
de sinalização. Elas revestem, no sentido
vertical, os suportes retangulares de concreto, que, por
sua vez, assumem formatos variados, como o pórtico
de entrada, ou os pilares de contornos recortados que sustentam
os mapas de localização.
Há nítida distinção visual entre
esses suportes e as bases de suas placas, onde são
adesivados os elementos de sinalização
propriamente ditos, já que estas configuram peças
visualmente independentes, soltas dos suportes de madeira.
Nos totens de setorização, as cores
indicam as cinco áreas em que o parque foi conceitualmente
divido: vermelho para a região de proteção
ambiental; amarelo para a esplanada; verde para o bosque;
azul para a área silvestre; e laranja para o centro
de apoio. Ícones sinalizam também esses domínios.
Eles são visualizados pela cor branca em contraposição
ao colorido do círculo em que estão inseridos.
 |
| Pictogramas de sinalização |
O ponto alto do projeto de sinalização é
o desenho dos pictogramas, que derivaram do sistema
universal, porém assumindo variantes que lhes conferiram
linguagem lúdica. Destacam-se as arestas arredondadas
e o enquadramento dos temas do ícone em cenas correspondentes,
como as diferentes inclinações do corpo em
uma pista de cooper e a posição do vigia na
portaria.
A ludicidade está presente também na
comunicação com o público infantil
- aí se incluem o pórtico de entrada no parque,
que tem no topo o símbolo do peixe-folha, e as placas
interativas, de recreação, como a que tem
28 desenhos pivotantes formando um jogo da memória.
A próxima etapa do projeto, ainda em fase de concepção
pelos designers, será a sinalização
das obras arquitetônicas de Oscar Niemeyer.
A Petrobrás e a Fundação Roberto Marinho
são, respectivamente, a patrocinadora e a coordenadora
dessa fase.
Texto resumido a partir de reportagem
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 302 Abril de 2005
|