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Retrospectiva dos 20 anos de atuação do GAD Design revelou,
na capital gaúcha, que é a natureza multifacetada que define a fronteira
entre a evolução histórica e as escalas do design. O átrio
do Santander Cultural, edifício revitalizado por Roberto Loeb em 2001,
foi tomado por painéis prismáticos de contornos irregulares, em
que o curador João de Souza Leite apresentou os 20 projetos simbólicos
da diversificada trajetória do escritório. O GAD foi
criado na década de 1980, em Porto Alegre, da união entre profissionais
provenientes das áreas de arquitetura, design gráfico
e comunicação. Dali ampliou sua atuação por meio
de escritórios e projetos em São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas,
Curitiba, Salvador, Recife e Brasília. Atualmente com equipe de 115 profissionais,
tem como sócios Leonardo Araújo, Luciano Deos, Antônio Raupp
e Valpírio Monteiro. Na entrada da exposição, uma
espécie de túnel recoberto por intenso vermelho abrigava mostra
sobre os 50 anos de design moderno no Brasil, cenário em que se
insere a história do GAD. “São os desdobramentos da nossa pioneira
geração de designers, além da paulatina independência
da produção nacional em relação a modelos importados,
que disseminaram e permearam a atividade na vida contemporânea do país”,
explica o curador João de Souza Leite. Ele selecionou para esse
espaço imagens provenientes de várias áreas do design nacional,
de cartazes e identidade visual a desenho gráfico e de mobiliário.
O critério de escolha foi evidenciar a trajetória da profissão
nos mais diversificados níveis e momentos da vida social brasileira, com
destaque para a transição entre o rigor geométrico inicial
e a linguagem gestual dos projetos contemporâneos. Referências
concretistas, regionais e até desconstrutivistas inspiraram, portanto,
a exposição com os cartazes da 1ª Bienal de Arte de São
Paulo (1951), de Antônio Maluf; do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol
(1964), de Rogério Duarte; do 14º Salão Nacional de Arte (1994),
de Ana Monteleone; da série O Globo em Movimento (1999), de Felipe Taborda;
e da temporada 2003 da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo,
de Kiko Farkas. Também nas demais áreas, os projetos selecionados
tratavam de contextos históricos e de linguagens extremas, como
se depreende da comparação entre o símbolo da Argos Industrial
(1959), de Alexandre Wollner, e o do Tim Festival (2004), da Tátil Design,
na categoria identidade visual; entre a revista Módulo (1956), de Henry
Moeller, e a Revolução dos tipos (1999), de Vicente Gil, em impressos;
e entre a Cadeira em Palhinha (1952), do Estúdio Branco & Preto, e
a poltrona Pacman (2001), de Pedro Useche. Assim, desde o túnel
de entrada, o projeto museográfico, de autoria de Leonardo Araújo,
comunicava ao visitante o cenário multifacetado que viria a seguir. Entrava-se,
então, no espaço central da mostra, onde a transparência do
piso e da cobertura curva de vidro contrapunham-se à riqueza visual dos
painéis expositores. Neles, além da própria história
do GAD, falava-se também do design enquanto possibilidade ilimitada
de projeto, intensa atividade de sistematização. Por isso, eram
símbolos, cores e croquis os elementos que se destacavam à primeira
vista, articulados de forma extremamente dinâmica em virtude dos ângulos
oblíquos desenhados por seus suportes brancos. Na entrada do salão
principal, a abordagem das várias facetas do design deu origem à
setorização da mostra em três núcleos temáticos:
símbolos, embalagens e a relação entre design e arquitetura.
Assim, contrapunham-se, lado a lado, o painel central, com ícones criados
para diversos projetos de marcas, e os espaços laterais dedicados às
embalagens e às maquetes arquitetônicas. Em torno desse
espaço, o curador enfatizou o processo de concepção de 20
projetos do GAD para grandes marcas nacionais e regionais, apresentando-os
através da interação de textos, imagens, detalhes e croquis
nos painéis poliédricos. “A própria exposição
demonstra o que é o trabalho do design”, comenta Souza Leite, de onde se
depreende o equilíbrio entre a sistematização e o traço
gestual dos trabalhos. Por fim, no mezanino, apresentações
multimídia relatavam as várias etapas do processo de desenvolvimento
de marcas a que o GAD se dedica. Tratava-se de uma espécie de estar, pontuado
pelo painel de nove telas de plasma e pelo canteiro lateral, como denominam os
organizadores, formado por 12 monitores suspensos. A mostra Design 20
- Formas do Olhar, esteve em cartaz no Santander Cultural, em Porto Alegre,
de 18 de março a 24 de abril, e integrou as ações locais
de comemoração dos 233 anos da capital gaúcha.
Texto resumido a partir de reportagem de Evelise
Grunow Publicada originalmente em PROJETODESIGN Edição
303 Maio de 2005 |