| Criada pelo escritório Figo Design,
a marca Amarynthe toma o nome de uma borboleta exótica francesa
e tem símbolo derivado do eixo visual da Vênus de Milo, milenar escultura
grega que representa a deusa da beleza. São essas as referências
gráficas para a identidade do spa de tratamento facial e corporal,
recém-inaugurado na loja Daslu, em São Paulo. “Enfatizar
atributos racionais constituiu a diretriz da identidade visual e ambiental do
Amarynthe”, explicam as sócias Juliana Martins e Tatiane Dalmazzo.
Segundo elas, os conceitos de profissionalismo, medicina e tecnologia - vinculados
ao repertório e à imagem do renomado dermatologista norte-americano
Nicholas Perricone, ao qual a marca está associada - são
indicativos do diferencial pretendido. Assim, as designers somaram
o traço simétrico aos critérios técnicos, de
legibilidade e flexibilidade de aplicação do projeto gráfico.
A palavra Amarynthe é secionada centralmente por símbolo
helicoidal e ascendente, derivado da estrutura da Vênus de Milo,
de forma a criar sutil equilíbrio visual. A assinatura Nicholas Perricone,
que embasa o nome da marca, reforça essa característica. Também
a gradação da cor preta do símbolo tem tratamento uniforme,
que varia do coeficiente 100%, na área central, até 50% e 20%, respectivamente
nas extremidades e regiões intermediárias. A escolha do
nome considerou palavras de origens diversas. “Pesquisamos radicais anglo-saxônicos
e tupis-guaranis, além dos franceses”, explica Juliana, em procedimento
derivado dos planos de internacionalização da marca. Embora a segunda
opção, o tupi-guarani, tenha sido forte candidata, a designer comenta
que o nome francês se revelou mais sonoro e familiar ao contexto
europeu. “A sonoridade é aspecto fundamental de uma marca. Amarynthe
é uma palavra gostosa de falar e de escrever, e o projeto gráfico,
além da facilidade de assimilação e memorização
visuais, deve interagir com todos os sentidos”, explica Tatiane.
Outro elemento importante em projetos de identidade gráfica é
a flexibilidade nas inúmeras aplicações do sistema
visual. Ou seja, o símbolo deve ajustar-se também a itens
de papelaria, comunicação visual e web design, entre outros, o que
depende em grande parte de seu nome, tipografia e desenho. Nesse sentido,
o traço sinuoso da Amarynthe cria interessante contraponto à
simetria do nome, sobretudo ao permitir desenho fluido nas diversas aplicações
gráficas. “No lugar de figura geométrica fechada, isolada nas peças
de papelaria, o símbolo helicoidal abre inúmeras possibilidades
de diagramação de cartões, envelopes, web e até dos
uniformes dos funcionários”, afirmam as designers. Já o
projeto de identidade ambiental levou em consideração o uso
de materiais transparentes, de forma a expandir visualmente os limites espaciais
das peças de sinalização. Assim, a placa central,
posicionada em frente ao balcão de atendimento, é constituída
por chapas planas de acrílico que, sobrepostas e iluminadas por
luz de cor quente, configuram interessante efeito tridimensional.
Nos corredores internos, o mesmo princípio da transparência foi vinculado
à retroiluminação na cor azul, o que cria delicada distinção
entre as diversas áreas de atendimento. Texto
resumido a partir de reportagem de Evelise Grunow Publicada originalmente
em PROJETODESIGN Edição 307 Setembro de 2005 |