| Desde a criação do FID, em 1993, sua
programação tornou-se cada vez mais abrangente, somando às
apresentações de espetáculos a realização de
workshops, oficinas e debates sobre a dança e temas correlatos. Em 2005,
o escritório Hardy Design enfatizou o conceito “O corpo pensa”, característico
do evento. Assim, o foco do sistema visual desenvolvido pelos designers mineiros
foi a complexa ilustração de um esqueleto humano, delineado
por frases e palavras. A essa estrutura tipográfica foram
agregados coloridos órgãos e elementos do sistema circulatório,
em desenho que faz referência ao nome Território Minas, o programa
viabilizador das parcerias entre o FID e artistas mineiros. O território,
nas ilustrações de Mariana, são paralelos visuais entre equipamentos
urbanos e órgãos humanos, entre avenidas e artérias do corpo,
relações ricamente ilustradas através de intenso colorido
e desenho rebuscado. Criou-se, portanto, um sistema de forte identidade
visual, de forma a proporcionar o desmembramento das partes do esqueleto
em diversas peças de comunicação do evento. Como exemplo,
os cartazes veiculavam parte do tronco e o crânio, os folhetos incluíam
as pernas e outros itens mostravam apenas um braço estendido.
Nos projetos desenvolvidos para a Malab e para a organização
não-governamental Artivisão, a fonte de inspiração
foi a idéia de movimento, de articulação - habilidades, segundo
Mariana, indispensáveis aos profissionais da área de produção
cultural. O ícone da Artivisão faz referência direta
aos móbiles do artista norte-americano Alexander Calder (1898-1976) e ao
conceito de deslocamento a eles relacionado, enquanto o símbolo da Malab
apresenta a imagem de um polvo. São, assim, os diferenciais de agilidade,
olhar aguçado e sensibilidade que estão em discussão na identidade
dessa marca. O polvo da Malab identifica a iminência de movimento,
o que se comprova nas variações de aplicação do ícone.
Os itens de papelaria apresentam versões com tentáculos totalmente
estendidos e outras em que eles estão direcionados à direita ou
à esquerda. A linguagem informal e despojada é enfatizada
também pelo lettering, em que são utilizadas apenas letras minúsculas.
Nos projetos do escritório Mooz e do Estúdio Mol, é
a tipografia que empresta versatilidade e jovialidade às
marcas. A identidade da banda recifense de rock Mula Manca & A Triste Figura,
criada pelos designers Eduardo Rocha, Daniel Edmundson e Gustavo Gusmão,
do Mooz, esteve entre os selecionados para a edição 2006 da Bienal
da Associação dos Designers Gráficos. O desenho do tipo que
constitui o nome representa, com a sofisticação de suas serifas,
ornamentos e elementos de ligação entre caracteres, o universo literário
a que estão vinculadas as músicas do grupo. Já nos
recentes projetos do Estúdio Mol, dos designers Chico Zullo, Rodrigo Pipponzi
e Galileo Giglio, a identidade visual resulta da fusão entre tipografia
e símbolo. É o caso, por exemplo, do projeto desenvolvido
para a Televisión América Latina (TAL), canal pago de tevê
dedicado à música e ao entretenimento, a partir de concurso internacional
vencido pelo escritório paulistano. Sobre o sistema de representações
da tipografia, Giglio explica: “O círculo da letra A é o ponto em
comum para toda a América Latina e faz menção à receptividade
do olho. Também a cultura urbana foi fonte de inspiração,
assinalada pela linguagem de estêncil”. Texto
resumido a partir de reportagem de Evelise Grunow Publicada originalmente
em PROJETODESIGN Edição 317 Julho de 2006 |