| O design brasileiro foi um dos protagonistas
do cenário cultural paulistano no mês de julho. Duas mostras, em
especial - a estreante Bienal Brasileira de Design e a veterana Bienal
da Associação dos Designers Gráficos -, colocaram
em análise boa parte da nossa história, tradição,
modernidade, excelência e traços distintivos na área. Durante
as cerimônias de abertura dos eventos, Fábio Magalhães, da
Secretaria da Cultura do estado de São Paulo, enfatizou: “O design brasileiro
tem identidade própria”. Frente à maturidade e à
abrangência da oitava edição da bienal da Associação
dos Designers Gráficos, Magalhães comentou: “A nova visualidade
aqui exposta não é conseqüência da tecnologia, mas sua
causa”. A frase traz implícitas as idéias de atualização,
domínio formal e tecnológico, e ainda de boa qualidade e diversidade
do recente desenho brasileiro. Ou seja, os mais de 300 trabalhos selecionados
para a exposição no Memorial da América Latina, entre 2,1
mil inscritos, são sintomáticos da análise feita pela
atual diretoria da ADG sobre a produção contemporânea nacional:
“O design se especializa em níveis antes inimagináveis. Há
50 anos (…) designer era visto como um profissional completo, capacitado
para resolver questões de comunicação no sentido mais amplo
da palavra. Mas será que esse perfil se desintegrou na nova onda de
design especializado?”. Sim e não, porque, embora os trabalhos pertençam
a universos específicos e as estratégias de comunicação
objetivas, em 2006 uma comissão de curadoria propôs a reflexão
sobre caminhos e tendências através de nova forma de exposição.
Entrou em cena o agrupamento por temas, no lugar da reunião por
tipos de projeto, por categorias, “que é eficiente para mostrar os diferentes
desafios que o profissional pode enfrentar, mas que, sob pena de se tornar uma
grande vitrine, não reflete sobre os próprios trabalhos”, declara
André Stolarski, um dos curadores. “É uma tentativa de resgate,
de explicitar para o público que a atuação do designer
é plena, completa, global, e não apenas técnica e
secionada”, assinalou a diretoria da instituição, no texto de abertura
da mostra. Os temas correspondem a 12 núcleos, ou seja, a
pelo menos 12 comportamentos e linguagens que os curadores Stolarski, Bruno
Porto, Fernanda Martins e Marco Aurélio Kato identificaram em comum nos
307 projetos da bienal da ADG. |