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Christian Ullman, Eduardo Cronemberger, Diogo Lage, André Marx, Cláudia Moreira Salles, Baba Vacaro, Estêvão Toledo, Paulo Alves, Pedro Petry e Sérgio Fahrer
Design sustentável |
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Poltrona (André Marx), Cadeira Ipanema (Estêvão Toledo) e Peça criada pelo Projeto Design Certificado, do Núcleo de Design Sustentável da Universidade Federal do Paraná |
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| Desenho do produto é uma das pontas da sustentabilidade |
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| O tema design sustentável é de difícil abordagem. Em princípio, a lógica globalizada de fabricação e trânsito de produtos é mesmo insustentável, tendo em vista, por exemplo, o enorme contingente populacional e os dispendiosos deslocamentos entre regiões distantes. No Brasil, contudo, designers, instituições e fabricantes têm enfrentado a complexidade da questão ao tratar das várias facetas do tema no mundo contemporâneo. |
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Christian Ullman, designer argentino que desde 1996 se dedica, no Brasil, a projetos ligados à sustentabilidade, explica que existem quatro bases conceituais referentes ao tema. Para o estabelecimento do equilíbrio entre os contingentes natural e artificial que nos cercam são necessárias ações simultâneas que visem, complementarmente, o desenvolvimento de fontes renováveis de produção, novos produtos, a transformação de produtos em serviços e novos cenários de comportamento.
O primeiro elemento não é exatamente novidade entre nós. A preocupação com fontes de produção alternativas ou recicláveis tomou corpo no Brasil em meados dos anos 1990, fortalecendo-se no início do século 21.
Confirma essa afirmação o surgimento, desde 1995, de premiações e concursos atentos à diversificação das matérias-primas naturais ou artificiais e também ao estabelecimento de processos industriais baseados na reciclagem.
Iniciativas como o Prêmio Nacional: Madeiras da Amazônia, Móveis e Design, criado pelo Laboratório de Produtos Florestais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em 1997, com a participação de Ullman, mostraram, então, como o design pode lançar novo olhar sobre fontes supostamente inapropriadas para uso em objetos utilitários e construtivos, entre outros.
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| Poltrona Casta, Cláudia Moreira Salles |
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| Peça criada pelo Projeto Design Tropical da Amazônia, da Fucapi, com assessoria do designer Luiz Galvão |
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Poltrona Mandacaru, Baba Vacaro |
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A madeira, que comandou a tomada de consciência ecológica no país, por causa do evidente problema dos desmatamentos, passou por verdadeira transformação nas últimas duas décadas. Abriram-se duas novas vias de pensamento e ação, que atentam tanto para a utilização de espécies abatidas e abandonadas na mata, porque tradicionalmente não eram consideradas de valor comercial, como para as alternativas de certificação. Estas incidem em exemplares maciços e nativos, bem como em outros industrializados ou reaproveitados, conhecidos como madeira de redescobrimento, de forma a animar diversas ações de design.
Na edição 271, de setembro de 2002, PROJETO DESIGN publicou reportagem sobre móveis feitos com madeira certificada, destacando nomes como Carlos Motta, Etel Carmona, André Marx e Nagib Orro. Outros profissionais poderiam ainda ser citados na mesma trilha criativa, como Pedro Useche, Sérgio Fahrer, Cláudia Moreira Salles, Estêvão Toledo, Hugo França, Pedro Petry e Paulo Alves.
Alguns deles, selecionados pela designer Baba Vacaro para integrar a coleção da Dpot, rede paulista de varejo, em boa medida fazem uso de madeiras de reflorestamento, como a teca e o eucalipto, assim como do MDF certificado. Mas Baba chama a atenção para o fato de ser muito difícil para uma empresa brasileira utilizar, atualmente, apenas peças provenientes de processos certificados. |
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| Cadeira Pimenta, Sérgio Fahrer |
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Bufê Cercadinho, Paulo Alves |
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Entre outros fatores, a designer aponta problemas como inconstância da disponibilidade de matéria-prima, modelos de negócios dos fabricantes e, ainda, desequilíbrio entre as porções destinadas ao mercado internacional e ao nacional, com privilégio do primeiro. Assim, entramos na alternativa de criação de produtos, a que Ullman se referiu. Surgem, nesse caso, exemplos bem-sucedidos de empresas como a Zorite e a Fibra Design Sustentável, ambas do Rio de Janeiro, que tiveram produtos premiados na competição alemã IF Design Award, respectivamente em 2006 e 2005.
Zorite, nome do composto de celulose e resinas naturais criado pelo engenheiro mecânico e designer de produto Pedro Zohrer, pode substituir a madeira na construção de casas e móveis ou servir de isolante termoacústico. É 100% reciclável e utiliza em sua fabricação materiais abundantes nas cidades, como os jornais. Zohrer e outros designers têm empregado o produto no design de móveis. |
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| Banco Troy, Pedro Petry |
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Banco Ribs, Baba Vacaro |
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Já o compensado de pupunha, criado pelo designer Cláudio Ferreira, a quem vieram se juntar Thiago Maia e a Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi), do Rio de Janeiro, venceu o IF Design de 2005 na categoria novos produtos.
O material é fabricado a partir de resíduos da agroindústria do palmito sustentável de pupunha e também tem boa utilização para o desenho de móveis, como atestam os designers Eduardo Cronemberger e Diogo Lage, da empresa Habto.
Ullman alerta, no entanto, que todas essas bem-sucedidas descobertas não dão conta da lógica globalizada de produção e consumo contemporâneos. Assim, é necessário mudar os paradigmas predatórios que esgotam determinadas matérias-primas e as transformam em insustentáveis, em virtude dos deslocamentos ou quantidades de produção, adotando padrões regionais ou até locais de consumo.
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| Peças criadas pelo Projeto Design Certificado, do Núcleo de Design Sustentável da Universidade Federal do Paraná |
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Módulo Arco, Eduardo Cronemberger e Diogo Lage |
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Esse é um dos temas abordados pelo Núcleo de Design Sustentável, da Universidade Federal do Paraná, onde Ullman é consultor. Entre as várias ações do núcleo destacam-se os projetos Design Certificado, Design em Papelão Ondulado, com Vidro Automotivo Reciclado, Design de Embalagens CFG para Exportação e Design de Produto + Serviço. Em conjunto, eles propõem novos modelos de comportamento contemporâneo.
Frente a tantas alternativas para o estabelecimento da sustentabilidade do design, Ullman conclui: “Não há prioridades, todas as ações devem ser tomadas ao mesmo tempo. O mais importante é que a sustentabilidade não se resuma ao marketing dos negócios, que o problema não seja visto apenas na escala do produto e que haja a democratização do consumo”.
Texto resumido a partir de reportagem
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 332 Outubro de 2007
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| Luminária Essayage, Baba Vacaro |
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Cadeira de balanço Zen, Eduardo Cronemberger e Diogo Lage |
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Peças criadas pelo Projeto Design Tropical da Amazônia... |
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... da Fucapi, com assessoria do designer Luiz Galvão |
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