VISÕES ANTROPOMÓRFICAS
Inspirados no bigode e na madeira, arquitetos e designers homenageiam Sergio Rodrigues pelos seus 80 anos de vida
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  Luminária Sergio Rodrigues, Maneco Quinderé
 
Profissionais desenham peças em homenagem a Sergio Rodrigues
Passada a onda de comemorações em torno de Niemeyer, é hora de dar os devidos créditos a outra figura notável: Sergio Rodrigues, o arquiteto e designer carioca, que completou 80 anos há poucos meses. Em meio aos festejos, a empresa rio-grandense de mobiliário Saccaro convidou profissionais brasileiros da arquitetura e do design para criar peças em homenagem ao mestre.

Humor, robustez, tramas de encaixe de componentes feitos com madeira, além deste próprio material, inspiraram em maior ou em menor grau as concepções do time de profissionais que homenageia Sergio Rodrigues. São eles: Pedro Useche, Carlos Motta, Zanini de Zanine Caldas, Luiz Eduardo e Guto Índio da Costa, Maneco Quinderé, Ivan Rezende, Roque Frizzo, Mário Santos, a filha Verônica Rodrigues, as duplas Acácio Gil Borsoi/Janete Costa, Ana Vazquez/Renato Sólio, Roberto Hirth/Fernando Mendes de Almeida e o trio Tina Azevedo Moura/Lui lo Pumo/Débora Eichenberg.

 
Mesa Aproximação SR 80, Ana Revello Vazquez e Renato Sólio
 
  Espreguiçadeira Boa Vida, Luiz Eduardo Índio da Costa
 

Pedro Useche - que, por encomenda de PROJETO DESIGN, nas comemorações de 25 anos de circulação, já havia criado o divertido sistema Desconstruindo Sergio Rodrigues (leia a edição 275, janeiro de 2003) - mostrou novamente que o humor refinado é forte veia de inspiração em seu trabalho. Ele concebeu para a Saccaro o cabideiro Bigode, referência evidente a uma das características físicas de Rodrigues. “Grande mestre, grande bigode. Salve Sergio”, escreve Useche no texto de apresentação do trabalho, que, pelo que se pôde perceber no evento paulista de apresentação das peças, é uma das preferidas do público. Em meio à haste metálica, Useche inseriu cinco peças giratórias de madeira que fazem alusão ao abundante bigode.

 
Poltrona e pufe 63, Zanini de Zanine Caldas
 
  Poltrona e pufe 63, Zanini de Zanine Caldas
 

Inspiração de similar natureza parece ter embalado o projeto de Guto Índio da Costa: uma poltrona em forma de concha orgânica, com delgada base metálica e superfície entrelaçada. O assento branco é um convite ao relaxamento. Este estado, por sua vez, também anima as criações do pai de Guto, o arquiteto Luiz Eduardo, e da dupla Hirth e Mendes de Almeida. Eles citam a poltrona Mole como um símbolo do imaginário de Sergio Rodrigues, referindo-se especificamente a uma das fotos de divulgação da peça, na qual o designer homenageado aparece sentado descontraidamente. Luiz Eduardo assina a espreguiçadeira Boa Vida, enquanto a dupla carioca é autora da espreguiçadeira Rodrigues. Também a poltrona Do Guri, concebida por Roque Frizzo, guarda semelhante sensação de conforto.

 
Poltrona do Guri, Roque Frizzo
 

Carlos Motta (cadeira Tempo) e Zanini de Zanine Caldas (poltrona e pufe 63) - este filho de um dos interlocutores de Rodrigues em Brasília e no Rio de Janeiro, na década de 1960 - idealizaram peças que trazem em primeiro plano o potencial construtivo e de aproveitamento da madeira. Por outro lado, os trabalhos mais sóbrios, como o de Mário Santos (mesa de jantar Debuar), o da dupla Borsoi e Janete (mesa de jantar HSR) e a cabeceira Esteira, do trio gaúcho de arquitetas Tina, Lui e Débora, apontam, em certo sentido, a proporção avantajada dos móveis de Sergio Rodrigues.

Completam a coleção, que poderá ter peças produzidas em escala industrial a partir deste ano, as criações da filha de Rodrigues, a arquiteta Verônica (biombo Lê), do designer Maneco Quinderé (luminária Sergio Rodrigues), do arquiteto Ivan Rezende (mesa-revisteiro Holl) e da dupla Ana Vazquez e Renato Sólio (mesa Aproximação SR 80). Seus móveis e equipamentos poderiam compor um ambiente doméstico de linguaguem coesa, descontraída, o que, aliás, se revela um interessante exercício. De que maneira Sergio Rodrigues, que tem papel importante na definição da arquitetura de interiores brasileira desde os anos 1950, arranjaria conjuntamente os móveis e objetos criados em sua homenagem?

Texto resumido a partir de reportagem
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 335 Janeiro de 2008

 
Poltrona Tempo, Carlos Motta
 
Namoradeira Arraia, Guto Índio da Costa
 
Espreguiçadeira Rodrigues, Roberto Hirth e Fernando Mendes de Almeida
 
Mesa-revisteiro Holl, Ivan Rezende
 
Biombo Lê, Verônica Rodrigues
 
Mesa de jantar HSR, Acácio Gil Borsoi e Janete Costa
 
Cabideiro Bigode, Pedro Useche
 
Cabeceira Esteira, Tina Azevedo Moura, Lui lo Pumo e Débora Eichenberg
 
 
Mesa de jantar Debruar, Mário Santos
 
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