Juliana Llusá
Design de mobiliário
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  Sofá Aire, freijó, 2007
 
Móveis com madeira certificada surgem da experimentação
Juliana Llusá enveredou para o design de mobiliário enquanto cursava a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Incumbida de projetar e produzir uma cadeira nas aulas de desenho industrial, passou os dois anos seguintes - até a formatura - freqüentando o laboratório de marcenaria estudantil. Nunca mais largou as oficinas.

A primeira experiência de Juliana Llusá com mobiliário foi manipulando chapas pré-moldadas, o material escolhido para aquela cadeira da FAU/USP e também para o trabalho que ela realizou na conclusão de curso - um conjunto de móveis residenciais. Juliana relembra que a maior velocidade do design, em comparação com o trabalho arquitetônico, foi um dos motivos maiores para sua guinada profissional. “Da noite para o dia podíamos desformar e checar o resultado final”, ela comenta.

 
Poltrona Cim, cedro escurecido, 2006
 
  Poltronas Aixó, freijó, 2001
 

A faculdade de arquitetura foi concluída quase simultaneamente à de administração, um indicativo de que Juliana já tinha em mente a atuação como designer empreendedora. Dedicou-se, assim, à concepção da série de peças que inauguraria, em 2002, a marca que leva seu nome.

Na trajetória entre a FAU e a Llusá Marcenaria (leia PROJETO DESIGN 292, junho de 2004), mudou a matéria-prima - em lugar das chapas, entra a madeira maciça, sobretudo por causa da aptidão da designer para criar a partir da execução. “O papel aceita qualquer desaforo e em alguns casos apresenta uma harmonia ilusória”, ela analisa. Por vezes, o protótipo, fiel aos desenhos técnicos, ganha a forma de um pequeno monstrinho, brinca Juliana. Essa observação é sinal de outro aspecto que a fez preterir a arquitetura em favor do design: a possibilidade de experimentação. Testam-se ângulos, junções, dimensões, acabamentos e formas, entre outros, com a liberdade de constantemente poder recomeçar, com relativo baixo custo.

 
Poltrona Joliu, freijó, 2006
 
  Mesa lateral Jóc, opções em freijó e cedro, 2001
 

Boa parte de seu design, assim, surge da manipulação das madeiras certificadas atualmente abrigadas na marcenaria que mantém em São Paulo. Sobre a escolha das espécies, Juliana afirma levar em conta as bitolas - a fim de minorar perdas -, assim como a disponibilidade de mercado. Já passaram por suas mãos, entre outras, sucupira, cumaru-ferro, ipê, freijó, jequitibá, louro-abacate, breu-vermelho, itaúba e tanibuca.

Por vezes os móveis surgem em coleções, motivadas pela pesquisa de determinada forma ou processo construtivo. Há cerca de um ano, por exemplo, Juliana dedicou-se aos ripados, à repetição de réguas e suas conseqüentes variações de espaçamento e encaixe, entre outros elementos. O cabideiro Clau, feito com sucupira, é um dos representantes dessa linha criativa.

Mas há também peças que são concebidas isoladamente, por vezes a partir de sugestões de clientes ou de membros de sua equipe. É o caso, por exemplo, da cadeira giratória que a designer criou em meados de 2006, a partir de madeira tanibuca. Ela se apresenta como interessante alternativa à tipologia tão fortemente associada a ambientes comerciais, de forma que a madeira, com suas texturas, cores, proporções e encaixes, confere caráter mais pessoal ao móvel.

 
Cadeira Bell, tanibuca, 2006
 
  Cadeiras Prop, freijó, 2002
 

Da constância do método e da matéria, contudo, é que nasce a diversidade das peças concebidas por Juliana. O exame conjunto das mesas, cadeiras, aparadores, biombos, poltronas e sofás, entre outras de suas criações, revela como o design pode se nutrir dos menores detalhes alçados à condição de objeto.

Essa observação nos leva ao exame do sofá Aire, um de seus trabalhos mais recentes, com nome ilustrativo da leveza da estrutura. Réguas de freijó percorrem a base do móvel, configurando trama descontínua, com encaixes habilmente evidenciados nas arestas laterais.




Texto resumido a partir de reportagem
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 337 Março de 2008

 

Biombo Noi, imbuia (não mais utilizada porque se encontra em extinção), 2002

 
Cabideiro Clau, sucupira, 2006
 
Cadeira giratória, tanibuca, 2006
 

A poltrona Reina é exemplo de pesquisas atuais com palhinha

 
  Mesa de jantar Cor, cedro ebanizado, 2003
 
  Mesa de centro Cantó, em que se visualizam as sobreposições e encaixes das peças de madeira
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