Fundação Bienal e Tecnopop

Identidade visual

O símbolo desenhado por Aloísio Magalhães em 1965 foi recuperado em suas proporções e linhas construtivas, de modo a evidenciar a partícula “bi”, que inspira sua forma
O símbolo desenhado por Aloísio Magalhães em 1965 foi recuperado em suas proporções e linhas construtivas, de modo a evidenciar a partícula “bi”, que inspira sua forma
Comunicação visual da Bienal retoma a essência de sua marca
A identidade visual da 29ª Bienal de Arte de São Paulo fez parte de um processo abrangente, de consolidação e complementação da marca criada em 1965 pelo designer pernambucano Aloísio Magalhães para a Fundação Bienal. Estão previstas ações sequenciais - além do cartaz, site e das publicações do evento, o sistema de comunicação visual da própria instituição está sendo reformulado -, concebidas pela recém-criada equipe interna de design.

O projeto para a identidade visual da Fundação Bienal de São Paulo vem a reboque do momento favorável à instituição, que na atual gestão, presidida por Heitor Martins, está superando a crise que a afligiu nos últimos anos. Trata-se de colocar a casa em ordem e, no que diz respeito à comunicação gráfica, corrigir e estancar os erros de aplicação da marca em suas quatro décadas e meia de existência.

O objetivo maior é dar autonomia à entidade para gerir, de agora em diante, o abrangente sistema de design institucional, interna ou externamente, no cotidiano de suas atividades ou nos eventos nacionais e internacionais que sedia ou em que possui representação.

Para isso, foi criada uma equipe interna de design - iniciativa inédita na história da fundação, embora vital a sua dinâmica -, comandada pelo designer André Stolarski, da Tecnopop. É um time enxuto, de apenas três profissionais e três estagiários, mas que demonstrou extrema agilidade ao enfrentar, no curto prazo de um ano, tarefa complexa e abrangente: nos meios impresso, ambiental e digital, resgatar a essência do símbolo - criado por Aloísio Magalhães em concurso fechado e restrito ao desenho desse elemento -, sistematizar a identidade da instituição e, ainda, conceber a comunicação visual da 29ª Bienal de Arte de São Paulo.

O evento teve como tema Há Sempre um Copo de Mar para um Homem Navegar, sob a curadoria de Moacir dos Anjos e Agnaldo Farias, e esteve em cartaz no Pavilhão da Bienal, no parque Ibirapuera, de 25 de setembro até 12 de dezembro de 2010.

O trabalho dos designers teve início com uma espécie de arqueologia da marca. Pesquisando no Arquivo Histórico Wanda Svevo - onde está armazenada a memória da instituição, de seus eventos e publicações - e em documentos sobre a obra de Magalhães, procuraram resgatar a essência do símbolo. O que se questionava, subliminarmente, era como um ícone tão forte, sintético e plástico acabou tendo aplicação desvirtuada ao longo do tempo.

Variaram as cores, as dimensões, as proporções internas, as assinaturas e inúmeras variantes. O fato é que a origem do símbolo, remontando a concurso fechado promovido em 1965 (julgado pelo crítico de arte Geraldo Ferraz, pelo designer Ludovico Martino e pela artista plástica Maria Bonomi), exclui o sistema de identidade visual.

A conclusão a que a equipe chegou é que a marca carecia de complementação e revisão, a fim de ter uso coeso e de realinhar-se aos preceitos construtivos concebidos por Magalhães. Em termos gerais, a intenção foi favorecer a visualização da partícula “bi” (referente à denominação bienal), que é a geratriz da forma. Isso demandou delicado processo de redesenho das linhas internas - que ficaram mais delgadas e proporcionais ao símbolo como um todo - e a supressão do tradicional fundo circular.

Uma operação ousada, a de restringir o desenho a linhas, mas com resultado surpreendente. Além disso, passa a ter a assinatura principal sintética: bienal apenas, escrita em letras minúsculas a fim de fazer a ligação com a partícula constituinte do símbolo. As designações Bienal de São Paulo e Fundação Bienal de São Paulo, portanto, serão restritas a uso em casos especiais.

A estreia do projeto de Stolarski e equipe ocorreu em grande estilo, com o trabalho paralelo da identidade da 29ª Bienal de São Paulo. A concepção esteve lado a lado com o conceito da curadoria, priorizando a abordagem alegre, assertiva. O projeto teve inspiração em derivações do verbo navegar, ao qual se associou a imagem de uma bússola caseira, feita com copo de plástico, água e uma agulha de costura. A foto de topo desse conjunto está estampada na capa dos folhetos, catálogo, cartaz e material educativo utilizados no evento.

O cartaz da 29ª Bienal foi criado pela jovem equipe interna de design da fundação. A fatura de uma bússola caseira foi sua inspiração, originária do verbo navegar
O cartaz da 29ª Bienal foi criado pela jovem equipe interna de design da fundação. A fatura de uma bússola caseira foi sua inspiração, originária do verbo navegar
Folhetos para uso educativo pelos parceiros e apoiadores do evento
Folhetos para uso educativo pelos parceiros e apoiadores do evento
A identidade visual da 29ª Bienal é alegre, composta por cores intensas e luminosas, que interagem de modo contrastante. No detalhe, imagens do material educativo concebido pela equipe de design
Capa para material educativo da 29ª Bienal
Capa para material educativo da 29ª Bienal
A assinatura horizontal passa a ser a prioritária, mas estão previstas também a vertical e variantes com o nome completo, sobretudo para uso internacional
Há um virtuosismo de cores auto-contrastantes e luminosas, intensas, cuja referência é o código internacional de navegação marítima. A imagem do copo e o fundo interagem através de contrastes marcantes, destacando-se a intercambialidade das cores de um e de outro.

Não há definição prévia de tom de fundo ou da figura - são seis cores principais (vermelho, amarelo, azul escuro, violeta, laranja e verde) e duas auxiliares (ciano e magenta) -, de modo a prevalecer a profusão colorida que caracteriza o projeto. Está previsto que ainda este ano entre no ar o novo site da fundação, que vai arrematar o abrangente projeto em execução por Stolarski e equipe [o site entrou no ar no final de 2010].

Texto de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 369 Novembro de 2010
A assinatura horizontal passa a ser a prioritária, mas estão previstas também a vertical e variantes com o nome completo, sobretudo para uso internacional
A assinatura horizontal passa a ser a prioritária, mas estão previstas também a vertical e variantes com o nome completo, sobretudo para uso internacional