Prêmio Max Feffer de Design Gráfico

A editora Cosac Naify levou dez prêmios na sétima edição do evento que contou com 565 trabalhos inscritos

1 - Livro André Lima, projeto gráfico de Elizabeth Slamek e composição de Veruscka Girio
2 - Livro Reinaldo Lourenço, projeto gráfico de Elizabeth Slamek e composição de Veruscka Girio
3 - Livro Marcelo Sommer, projeto gráfico de Elaine Ramos e Maria Carolina Sampaio
4 - Livro Lenny Niemeyer, projeto gráfico de Mariana Bernd
5 - Livro Clô Orozco, projeto gráfico de Flávia Castanheira
Com investimento em design, editora é destaque do ano
Os dez prêmios recebidos pela Cosac Naify na sétima edição do Prêmio Max Feffer de Design Gráfico apontam o contínuo investimento da editora em design. Sua equipe de designers e produtores gráficos, liderados pela arquiteta e diretora de arte Elaine Ramos, tem na bagagem a criação de coleções e livros avulsos caracterizados pelo primor técnico, criatividade visual, coesão com o conceito editorial e acabamento refinado. Foi nesses termos que o júri e o curador do certame, o designer Ronald Kapaz, concederam à empresa a láurea Destaque do Ano.

A premiação especial faz referência não só aos projetos da Cosac Naify que conquistaram a primeira e a terceira colocações (não houve segundo lugar) na categoria editorial, uma das mais disputadas do evento, mas sobretudo à importância que o design adquiriu na dinâmica da empresa. A maior parte dos livros tem design concebido pela equipe interna. E, em média, metade de seus lançamentos mensais recebem projetos não padronizados, que estabelecem o “corpo a corpo direto com a editoria, pesquisas e textos de cada publicação”, assinala a diretora de arte, Elaine Ramos.

Moda brasileira, da Cosac Naify, primeiro lugar na categoria editorial. Projeto gráfico da coleção de Elaine Ramos
1 - Bartleby, o escrivão, projeto gráfico de Elaine Ramos
2 - Primeiro amor, projeto gráfico de Elaine Ramos

A coleção Moda brasileira, vencedora na categoria editorial, está em sua segunda versão e é representativa do processo de concepção da identidade visual dos livros da Cosac Naify. Ela narra a trajetória e o processo criativo de renomados estilistas brasileiros. E, dada a diversidade de inspirações, linguagens e particularidades de cada profissional, tem como princípio conceitual gráfico a máxima liberdade na parte interna dos livros.

Assim, a exposição de fotografias de desfiles, de tecidos ou de acessórios alterna-se com a utilização de referências iconográficas e esboços, entre outros, relacionados ao processo de desenvolvimento de cada criador de moda. Externamente, contudo, estabelecem-se elementos de marcante identidade visual, sobretudo a lombada com espinha exposta, a capa dobrada sobre si mesma e a existência de sobrecapa composta por dobraduras e faixa horizontal.

Caixa Górki, projeto gráfico de Flávia Castanheira
1 - O design gráfico brasileiro: anos 60, projeto gráfico de Elaine Ramos
2 - O mundo codificado, projeto gráfico de Elaine Ramos

Elaine explica que tais recursos gráficos, a um só tempo, guardam conexões semânticas com o universo da moda contemporânea - texturas, costuras e dobras - e criam a idéia do livro como objeto autônomo e visivelmente pertencente à coleção.

No terceiro lugar da categoria ficaram os seguintes livros da editora: Caixa Górki; O design gráfico brasileiro: anos 60 ; O mundo codificado; Bartleby, o escrivão; Primeiro amor; Capas da Copa; Moby Dick; Contos para crianças impossíveis e Abbas Kiarostami. Eles dividiram essa classificação com Nova arte nova (editada pelo Centro Cultural Banco do Brasil/RJ), que tem design gráfico assinado por André Stolarski e André Lima, e s/n°, projeto gráfico de Eduardo Hirama.

A sétima edição do prêmio contou com 565 trabalhos inscritos. Apesar da grande soma em dinheiro oferecida para os três primeiros colocados em cada categoria, foi bastante irregular o desempenho entre as cinco modalidades. A categoria editorial foi o grande destaque. Em embalagem não houve premiados.

A categoria miscelânea conferiu prêmio máximo à coleção de selos criados pela gravurista Heloísa Etelvina para a loja do museu de arte de Inhotim, de Minas Gerais; o segundo e o terceiro lugares couberam, respectivamente, a Miya Série[k*]! (programação visual da marca de roupas Miya), de Larissa Miyazato, e Livro de linguagem Fleury, de Zeuner Fraissat.

Também a categoria promocional não teve vencedor. A embalagem de chá Chinese Tea Box, de Carlo Giovani Estúdio, e as peças Kimi Nii - Japão, de Ruth Klotzel, receberam respectivamente o segundo e o terceiro prêmios. E a modalidade estudantes premiou o projeto acadêmico da revista Kapta, de Rafael Aguiar (primeiro lugar); o redesign da revista Cult, de Miguel Nóbrega e Natalia Nabekura (segundo); e o livro O cavaleiro inexistente, uma tradução intersemiótica, de Amanda Coimbra (terceiro).

O corpo de jurados do 7º Prêmio Max Feffer de Design Gráfico foi composto por Chico Homem de Melo, João de Souza Leite, Kiko Farkas, Rafik Farah, Rico Lins e pela canadense Marian Bantjes.


Texto resumido a partir de reportagem
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 347 Janeiro de 2009
Revista s/n°, design de Eduardo Hirama, um dos terceiros colocados na categoria editorial
Contos para crianças impossíveis, projeto gráfico de Luciana Facchini (Cosac Naify)
Selos criados pela gravurista Heloísa Etelvina, primeiro lugar na categoria miscelânea
1 - Capas da Copa, projeto gráfico de Elaine Ramos e Mayumi Okuyama (Cosac Naify)
2 - Abbas Kiarostami, projeto gráfico de Luciana Facchini (Cosac Naify)
3 - Moby Dick, projeto gráfico de Luciana Facchini (Cosac Naify)