Quadrienal de Praga 2011
Design e Espaço Cênico
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- 26 de Setembro de 2011. Visitas: 3.555
Criada em 1967 com o nome de Exposição Internacional de Cenografia e Arquitetura Teatral, em 2011 a mostra passou a se chamar Quadrienal de Praga: Design e Espaço Cênico. Ampliou-se o campo de reflexão sobre os meios e modos da arte cênica atual.
Além da cenografia tradicional, o balaio de exposições, prêmios e ações incluiu projetos de linguagens cruzadas (cenografia com artes plásticas, por exemplo) e outros que versam sobre o aporte artístico das tecnologias digitais.
Mas se manteve o caráter de investigação contemporânea da área, para o que o famoso evento reúne a totalidade das disciplinas que envolvem o design da performance em seus variados gêneros (teatro, dança, ópera, site specific, performances midiáticas e artes performáticas), como cenografia, arquitetura, figurino, iluminação, artes visuais e sonoplastia. E o Brasil, que já havia conquistado uma Triga de Ouro em 1995, voltou a ganhar a premiação máxima em Praga.
O eixo da quadrienal são os prêmios concedidos por grupo internacional de jurados para cada disciplina em exposição. Nesta edição, o Brasil esteve presente em quatro seções: nacional, figurinos, arquitetura teatral e estudantes.
Antônio Grassi, presidente da Funarte, foi o curador geral da representação brasileira, embora cada categoria tenha contado com o suporte de curadores adjuntos e de uma equipe de colaboradores.
Aby Cohen e Ronald Teixeira estiveram à frente da premiada exposição Território Cenográfico Brasileiro: Personagens e Fronteiras, integrante da seção nacional, que contou com 24 trabalhos produzidos nos últimos seis anos.
À esquerda, o ator, presidente da Funarte e curador geral da representação brasileira em Praga, Antônio Grassi
Foto: Lorie Novak

Estruturada em quatro núcleos conceituais - Memória, Lugares, Ação e Transposição -, ela procurou investigar as particularidades da produção nacional contemporânea.
O setor Memória apresentou projetos inspirados em histórias, personagens e lugares que evocam tradições e visualidades do vasto e diverso território brasileiro. É o trabalho de “artistas que defendem o refinamento do popular, o tratamento e acabamento de aparente simplicidade de sua artesania (...), obras que apresentam forte carga de regionalismo e tradição”, como exposto no catálogo da mostra.
Em Lugares, o que esteve em jogo foi a habilidade de certos projetos em identificar e evidenciar a intrínseca ligação que há entre paisagens e determinados aspectos sociais e culturais, ou seja, a relação do comportamento humano com o seu espaço e tempo.
A peça BR-3, montagem da companhia Teatro da Vertigem, conquistou também o prêmio de melhor produção nesta edição da quadrienal, tendo usado a paisagem do rio Tietê, em São Paulo, como ferramenta para falar de contradições da nossa cultura e sociedade: espetacular x não espetacular, arcaico x moderno, centro x periferia.
Já em Ação e Transposição, estiveram presentes, respectivamente, os retratos de performances baseadas predominantemente na interação com o público e projetos de variadas linguagens, como o grafite da dupla Os Gêmeos, que simbolizam realidades brasileiras.
Foto: Martina Nnovozámská
A dobradinha brasileira fez par com a da Croácia, país premiado tanto pela melhor cenografia quanto pelo melhor uso da tecnologia teatral, ambas pelo trabalho dos arquitetos e designers da Numen/For Use.
O trabalho brasileiro exposto na seção arquitetura teatral foi o paulistano Teatro Estádio Universidade Popular (leia a seção Memória na edição 377), vinculado ao Teatro Oficina, cujo projeto arquitetônico (de Lina Bo Bardi e Edson Elito) fora premiado em Praga em 1995.
A proposta atual, concebida pela dupla João Batista Martinez Corrêa e Beatriz Pimenta Corrêa, trata da ampliação do Oficina, através da ocupação de terrenos ociosos no bairro do Bexiga com programa cultural e educativo-teatral.
Deu empate nessa importante categoria, com o prêmio dividido entre o projeto Within a Failing State, do México, e os trabalhos Machine Theatre e ampliação do Teatro Nacional, ambos da Grécia.
Não é propriamente arquitetura o trabalho mexicano, mas a apropriação do espaço urbano para a realização de performances (denominadas No!, Pasajes e Visitas guiadas, do grupo Teatro Ojo), enquanto o miniteatro grego, idealizado pelo escritório Flux Office, mostrou com brilhantismo como a arquitetura pode se tornar elemento ativo da encenação, na medida em que propicia locais, enquadramentos e cenários técnicos variados.
Concebido entre 2009 e 2010, o pequeno edifício recobriria as escavações de uma ruína localizada na região turística de Karameikos e, fazendo deslizar paredes, pisos e tetos, poderia abrigar diversas configurações e visuais cenográficos.
Os demais premiados no evento foram: Nova Zelândia, na seção figurinos radicais, pelo trabalho concebido para a peça Inhabiting dress; Noruega, na seção estudantes, pela mostra Erase the Play; Hungria, pelo melhor conceito curatorial; e Inglaterra, na seção sonoplastia, pelas produções Kursk e Hush House.
Vale uma visita ao site da mostra no endereço www.pq.cz ou em sua versão brasileira, www.pq11.com.br, para conferir a relação completa de eventos e trabalhos apresentados em Praga.
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 378 Agosto de 2011



