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A mostra esteve em cartaz no Rio de Janeiro até o início de novembro de 2009. Daniel Kraichete, do CDR - Centro Design Rio, e Bernardo Senna, os curadores do núcleo Continuum, convocaram designers atuantes no Rio de Janeiro para submeter até quatro peças ao processo de seleção. Foram surpreendidos pela quantidade e pela qualidade das criações - cerca de cem peças participaram da exposição -, a ponto de restringirem o evento ao desenho de produtos. Considerava-se inicialmente abranger também o design gráfico atual, mas o espaço nada modesto oferecido pelo Centro Cultural dos Correios, patrocinador da mostra, não foi suficiente para abrigar todos os trabalhos qualificados a participar.
Predominaram itens de mobiliário, sobretudo mesas e assentos de vários tipos, como a cadeira de plástico recentemente criada pelo veterano Guto Índio da Costa; a poltrona concebida pelo arquiteto Ado Azevedo; a poltrona Diz, de Sergio Rodrigues; e móveis corporativos projetados pela equipe do designer Marcos Oliva, da ML Magalhães. A economia formal e de meios, baseada no uso de componentes seriados ou no reaproveitamento de material, por vezes da madeira, figurou em meio aos traços recorrentes dessas criações. Dos jovens mas igualmente produtivos designers, entre tantos que têm peças circulando por lojas de móveis em várias capitais do país, foram selecionadas criações de Eduardo Baroni; Leonardo Lattavo, Pedro Moog e João Pedro Backheuser (Lattoog Design); Eduardo Cronemberger e Diogo Lage (Habto); Roberto Hercowitz e Mariana Betting (EM2).
Os titulares da Habto, por exemplo, apresentaram o Revoluti, um projeto recente e experimental, que trata da interferência da informática nas salas de aulas contemporâneas. O sistema é composto por mesas e carteiras individuais, equipadas com mecanismos para rotação e componíveis em duplas, trios ou em arranjos na forma de ferradura, bem-vindos aos trabalhos em equipe e com o aporte da internet. Em setembro deste ano foi inaugurada uma sala-piloto com uso do Revoluti na Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF).
Novos Talentos e Asseyez-vous constituíram os outros núcleos da Rio + França, tendo o último contado com a curadoria adicional de Richard Valansi, arquiteto e idealizador do Museu da Cadeira, localizado no bairro do Botafogo. Foram selecionados assentos memoráveis criados por franceses desde o século 20, como os modernos Charlotte Perriand e Marcel Breuer e os contemporâneos Philippe Starck e Patrick Jouin.
Já Túlio Mariante esteve à frente da seção Novos Talentos, projeto que pretende tornar anual, dedicado à descoberta e à promoção de designers promissores, embora ainda pouco conhecidos do público ou no meio empresarial. Mariante comanda a loja Novo Desenho, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, que tem escopo similar àquele que se idealizou para a exposição nos Correios. “O Rio de Janeiro é um grande berço da criatividade brasileira”, ele se empolga.
A exemplo do que aconteceu em 2004, a mostra Rio + França será o mote para uma publicação sobre o design fluminense contemporâneo, com previsão de lançamento em dezembro, pela V&M Editora.