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| Luigi
Snozzi |
"A criação
de Brasília é um
fato extraordinário. Ali se vê
o potencial de um grande futuro para o país."
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LUIGI SNOZZI nasceu
em Mendrisio, Suíça,
em 1932. Formou-se em 1957 na Escola Politécnica
de Zurique, onde lecionou de 1973 a 1975. Entre 1962 e
1971 manteve escritório com Livio Vacchini. Realizou
ainda trabalhos com Tita Carloni, Mario Botta, Jo Coenen
e Aurelio Galfetti. Entre seus principais projetos estão
residências célebres
(como as casas Kalman, 1976; Cavalli, 1976; Bernasconi,
1989; e Diener, 1990), restaurações (como
o Convento Madonna
del Sasso, 1977) e projetos urbanísticos,
como em Monte Carasso (a partir de 1977). Este último
projeto recebeu o Prêmio Príncipe de Gales
da Universidade Harvard,
em Cambridge, Estados Unidos. Atualmente está em
construção um conjunto habitacional desenhado
por Snozzi dentro do projeto Cerámique, em Maastricht,
Holanda. |
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| "Na
Itália, nos anos 60, os alunos eram proibidos
de carregar o escalímetro. Só eram
permitidos projetos falados." |
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| "A
profissão não é regulamentada
no país. Qualquer um, mesmo sem formação
de arquiteto, pode participar de um concurso." |
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| "Certa
ocasião, eu estava no escritório de
Botta quando a secretária anunciou a chegada
de clientes. Eram norte-americanos que solicitavam
um projeto de uma fábrica. Então Botta
me disse: "Volto em dez minutos". Dez
minutos depois, marcados no relógio, ele
voltou e me pediu para entrar na sala de reuniões...Lá
estava uma grande prancha, repleta de croquis, esquemas
e desenhos. O projeto estava pronto." |
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| "A
Grande São Paulo tem quase três vezes
a população da Suíça.
Como se pode viver aqui? Isso, para mim, é
um enigma." |
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| Nas décadas
de 70 e 80, a arquitetura suíça entrou em
evidência graças a profissionais do Ticino,
cantão italiano do país. Luigi Snozzi fez
parte desse seleto grupo - com Mario Botta, Livio Vacchini,
Aurelio Galfetti e Tita Carloni - que tinha como característica
a forte leitura do entorno. No ano passado, Snozzi esteve
duas vezes no Brasil: em junho, visitou Brasília
e São Paulo; em setembro, voltou a São Paulo
e foi ao Rio de Janeiro. PROJETO DESIGN entrevistou-o
durante visita a obras da arquitetura paulista, a qual
não cansou de elogiar: a FAU/USP é "a
faculdade de arquitetura mais bonita do mundo"; o
Sesc Pompéia, "o edifício mais importante
para o povo brasileiro"; a residência Millan
(de Paulo Mendes da Rocha), "uma casa-manifesto".
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| Há muita diferença
entre a arquitetura da Suíça alemã
e a da italiana? |
Sim. A Suíça italiana
ficou conhecida nos anos 70, mais especificamente
entre 1965 e 1975, com projetos de Mario Botta, Aurelio
Galfetti e meus, entre outros. A partir do final da
década de 80, foi a vez da Suíça
alemã, com arquitetos como Herzog & De
Meuron ou Peter Zumthor, que integram uma corrente
muito diferente da nossa, com outra interpretação
do relacionamento entre edifício e cidade.
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| Como assim? |
Para eles, o que está em primeiro
plano é o edifício, que é sempre
muito simples, com uma arquitetura redutiva, como
a nossa. Mas, numa situação urbana,
eles implantam o edifício e pronto. Nós
fazemos o oposto: começamos a trabalhar com
o terreno, a via, o entorno, sem pensar no edifício.
Ele é importante, mas não o ponto principal.
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| Eles se preocupam muito com a imagem
do edifício? |
É isso. Para nós, o
importante é como o edifício está
implantado, seu relacionamento com o entorno, onde
é a entrada etc. Hoje eles têm muito
mais sucesso que nós por um motivo claro: ganham
todos os concursos porque criam, de imediato, o edifício.
Nossa proposta é muito mais difícil
de realizar, do ponto de vista econômico e político,
porque trabalha com mais aspectos e propõe
maior transformação.
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| Podemos falar de uma escola do Ticino,
tal como a escola do Porto, com Fernando Távora,
Álvaro Siza e Souto de Moura? |
Não. Embora seja chamada assim,
ela não existe - pelo menos, não mais
agora. Formávamos um pequeno grupo de amigos
que trabalhavam juntos, mas Livio Vacchini tinha uma
solução, eu a minha, Botta a dele. Não,
não é mais uma escola. Mesmo assim,
algo nos une.
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| Um pensamento? |
Sim, um pensamento de base. Estávamos
unidos entre os anos 60 e 70, quando aconteceu a agitação
de 68. Foi um momento crítico na Europa, para
a história da arquitetura, principalmente na
Itália. Nas escolas se fazia política,
sociologia, economia, se fazia tudo, mas nada de arquitetura.
Falar de espaço e de forma era um insulto à
revolução. Na Itália, por exemplo,
os alunos eram proibidos de carregar o escalímetro.
Só eram permitidos projetos falados. Todos
eram quadros dos partidos políticos, comunista
ou socialista. Assim como na medicina, historicamente,
a maioria é de direita, na arquitetura a maioria
sempre foi de esquerda. Quase todos nós nos
interessávamos por política, exceto
Botta. Vacchini um pouco menos. Eu e Tita Carloni
participamos ativamente do movimento político
e fomos muito prejudicados na Suíça.
Não conseguíamos, por exemplo, nenhum
trabalho para o Estado, porque a esquerda não
era bem vista na região onde vivíamos,
governada pela extrema direita.
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| E hoje? |
Com o fim dos Estados comunistas,
a ideologia foi banida, as divisões em blocos
não existem mais. Atualmente é um marasmo,
ninguém mais distingue as orientações
ideológicas.
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| Como a situação profissional
está estabelecida na Suíça? Há
um sindicato ou instituto que regulamenta a profissão?
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Há uma sociedade de arquitetos,
mas não há uma ordem de arquitetos,
como na Itália. São várias associações,
uma para cada cantão. Há uma sociedade
suíça de engenheiros, bastante forte,
que normalmente elabora as normas para os arquitetos,
os honorários etc. Existem outras entidades,
como a Associação dos Arquitetos Suíços,
que discute os objetivos da profissão e a qualidade
da arquitetura. Mas a profissão não
é regulamentada no país. Qualquer um,
mesmo sem formação de arquiteto, pode
participar de um concurso.
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| Não existe um controle municipal
para a construção? |
Depende do cantão em que está
localizada a cidade. Há cantões com
liberdade total - um jardineiro pode fazer um projeto
de arquitetura - e outros com muitas normas. No Ticino
é preciso ser arquiteto ou técnico em
edificações para participar dos concursos.
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| A topografia da Suíça
é acidentada. Seus projetos, principalmente os
residenciais, dão atenção especial
à chegada, ao acesso, uma ponte. Essa idéia
está sempre presente em seus trabalhos? |
Minhas casas são sempre implantadas
em terrenos acidentados, então temos que construir
assim. O que mais me interessa é tentar ocupar
todo o terreno, daí nascem esses elementos
que se prolongam. Outro princípio fundamental
em meus projetos é o percurso, como se chega
a uma casa, como ela é percorrida da entrada
ao final.
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| No período em que lecionou
em Zurique o senhor conviveu com Aldo Rossi? |
Sim, lecionamos na mesma época,
entre 1973 e 1975. Mas não ensinávamos
juntos. Eu estava de um lado, do ponto de vista teórico,
e ele do outro. Mas Rossi, para nós, foi um
personagem muito importante. Somos resultantes da
teoria de Rossi e Vittorio Gregotti.
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| E Giorgio Grassi... |
Grassi era do grupo veneziano. Mas
nós interpretamos o pensamento deles de maneira
diferente. E os melhores discípulos de Rossi
não estão na Itália, e sim na
Suíça, pois os suíços
não copiaram as obras de Rossi, eles a interpretaram.
Os italianos copiaram Rossi, criando a chamada corrente
rossiana. Podemos citar também o pós-modernismo
como uma interpretação equivocada do
pensamento de Aldo Rossi.
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| Gostaríamos que o senhor esclarecesse
dois pontos curiosos: primeiro, o senhor ter estudado
em Zurique - com toda a carga do ensino alemão
- e ser muito mais influenciado pela Itália; e,
em segundo lugar, o fato de Rossi - o personagem mais
importante do historicismo na arquitetura contemporânea
- ter ido lecionar lá, numa escola técnica.
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Na época em que estudei não
havia escola de arquitetura no meu cantão,
o Ticino. Agora existe uma, criada por Botta. Tínhamos
duas opções, Itália ou Zurique,
pois o acesso a Lausanne era dificultado pela travessia
dos Alpes. Mas havia um grande problema em ter diploma
italiano: não se podia construir na Suíça.
Hoje é diferente: embora a Suíça
não faça parte do Mercado Comum Europeu,
acordos bilaterais possibilitam o trabalho. Então,
íamos para Zurique. E quando Aldo Rossi começou
a lecionar lá houve uma espécie de revolução.
Era uma escola que tinha grande experiência
de projeto.
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| Era uma escola bastante técnica...
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Muito menos do que se pensa. Mas
havia uma forte tradição de projeto.
Na Itália era o contrário: muita teoria,
história - isso era fundamental lá -,
e os projetos eram ruins, estavam em segundo plano.
Para nós, a Itália era importante porque
na Suíça a teoria quase não existia,
a escola era muito pragmática. Quando Rossi
chegou em Zurique e inseriu a teoria dele na escola
foi um grande sucesso, um salto de qualidade. Depois,
quando ficou muito importante, todos os estudantes
corriam para ele.
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| A escola organizada por Botta no
Ticino é só o prédio ou está
implícito um curso de arquitetura? |
É uma escola de arquitetura,
com ateliês, biblioteca etc. Está instalada
em um antigo hospital, em Mendrisio. Eu nasci exatamente
no prédio em que foi instalada a escola de
arquitetura.
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| Há um simbolismo aí,
não? |
Sim. Há 50 anos os arquitetos
do Ticino tentam, sem sucesso, criar uma escola de
arquitetura. Mas o Botta conseguiu isso em três
meses. Ele tem a extraordinária capacidade
de fazer as coisas acontecerem, é o homem da
ação, mais do que um arquiteto. Certa
ocasião, eu estava no escritório de
Botta quando a secretária anunciou a chegada
de clientes. Era um casal de norte-americanos que
solicitavam um projeto para uma fábrica. Então
Botta me disse: "Volto em dez minutos".
Dez minutos depois, marcados no relógio, ele
voltou e me pediu para entrar na sala de reuniões,
pois queria me mostrar algo. E lá estava uma
grande prancha, repleta de croquis, esquemas e desenhos.
O projeto estava pronto. Em dez minutos ele conheceu
os clientes, entendeu o problema e o programa e desenvolveu
o esquema do projeto. E em três meses criou
a faculdade de arquitetura, reunindo pessoas da direita
e da esquerda.
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| O senhor faz parte dessa escola?
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Não. Participei no início,
na preparação do conceito. Mas tenho
uma idéia de escola diferente da que está
sendo criada por Botta.
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| Qual é sua concepção?
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Minha idéia era fazer uma
escola com um objetivo preciso, voltada somente para
um problema que é uma realidade da nossa zona,
chamada de pré-Alpes. Ali há milhares
de vilas - chamamos de pequenos países - onde
vivem milhares de pessoas. Passando a fronteira com
a Itália, existe uma região de grandes
cidades, como Gênova e Milão, que se
dilatam, avançam sobre a Suíça.
E, hoje, o Ticino é considerado a periferia
de Milão. Aquelas vilas são extraordinários
reservatórios de cultura popular, com importantes
edifícios e planos urbanos; com o avanço
das metrópoles, as pequenas vilas serão
englobadas e seus valores dessa região desaparecerão.
Hoje, quem se ocupa desse problema são as comissões
de proteção, de patrimônio, de
meio ambiente. E elas partem do princípio de
que tudo de novo perto delas é um mal. Penso
em partir de uma posição oposta. Que
venha a cidade e englobe os vilarejos. A partir daí,
são muitas as soluções para proteção
daquela cultura.
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| Esse era o objetivo de sua escola...
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A idéia era fazer uma escola
que se preocupasse com esse problema, que vale para
minha região, mas, acredito, vale também
em grande parte do mundo. E Botta não concordava.
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| E como ele idealizou a faculdade?
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Como uma escola humanista, com muitas
cadeiras de economia e estética, com uma parte
teórica muito densa, principalmente no primeiro
ano, quando os estudantes são bombardeados
por lições - o que serve para fazer
uma seleção automática, pois
muitos acabam desistindo. Tem professores ótimos,
como Kenneth Frampton. A escola possui um ensinamento
diferente do normal, tudo é teórico
e muito interessante; uma escola aberta, freqüentada
por muitos políticos. Galfetti é o diretor.
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| Sua proposta de proteger a cidade
é semelhante a seu projeto para o centro histórico
de Frankfurt, que seria circundado por uma grande barreira?
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Não exatamente. Bombardeada
durante a Segunda Guerra Mundial, Frankfurt foi bastante
destruída, principalmente seu centro histórico.
Fui convidado por um professor de arquitetura de lá
para fazer um pequeno exercício com os alunos
e acabei propondo a cidade como tema, ou seja, fazer
um projeto para sua reconstrução.
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| O senhor já visitou algumas
obras de arquitetura aqui em São Paulo? |
Vi obras de Paulo Mendes da Rocha
- o qual conheço bem, somos amigos e me interessa
bastante o que ele faz - em visita junto com ele.
Entre elas, o Mube, a loja da Forma e o térreo
daquele grande edifício na avenida Paulista
(Centro Cultural da Fiesp). Todos muito interessantes.
E vi ainda três casas de Joaquim Guedes, que
conheci em Macau, na China, durante um congresso.
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| Qual sua visão sobre a obra
de Oscar Niemeyer? |
Gosto das obras do início
da carreira de Niemeyer, até a década
de 60. Principalmente a Universidade de Brasília.
Um pavilhão extraordinário: dois muros,
um teto e basta. E depois um grande edifício
de 700 metros, também extraordinário.
São duas coisas que considero emocionantes.
Muito melhor que as outras obras, que acho um pouco
femininas.
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| E qual sua opinião sobre Brasília
como cidade, como urbanismo? |
O fato de os brasileiros terem conseguido
criar Brasília é extraordinário.
Gostei muito da área das habitações,
as superquadras. É melhor que a Suíça,
ali há uma possibilidade de vida. Gosto muito
do plano de Lúcio Costa - um elemento muito
forte -, do Eixo Monumental, dos ministérios.
Mas Brasília tem muitos problemas, evidentemente.
Nela, porém, vê-se a potencialidade de
um grande futuro para o país. E há a
possibilidade de corrigir as coisas que não
funcionam, sobretudo o problema das cidades-satélites
e da circulação. As pessoas não
conseguem atravessar uma via, fica tudo isolado.
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| O senhor sobrevoou São Paulo.
Qual sua opinião sobre a cidade? |
Do alto é uma visão
extraordinária, mas no nível do chão
é um desastre. Tive a possibilidade de ver
a cidade do apartamento de Joaquim Guedes: que vista
maravilhosa, sobretudo à noite. Mas é
difícil imaginar uma solução
para ela. A Grande São Paulo tem quase três
vezes a população da Suíça.
Como se pode viver aqui? Isso, para mim, é
um enigma.
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| Texto resumido a partir de entrevista
conduzida por Aldo Urbinati, Éride Moura
e Fernando Serapião) |
Publicada originalmente em PROJETO DESIGN
Edição 252 - fevereiro 2001) |
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