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| Jorge
Wilheim |
"O administrador de São
Paulo não pode ter soluções
provincianas. Precisa
pensar grande" |
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JORGE WILHEIM nasceu
em Trieste, Itália, e chegou ao Brasil com a família,
aos dez anos, fugindo da Segunda Guerra Mundial. Graduou-se
em arquitetura pela FAU/Mackenzie e sempre atuou nas áreas
de urbanização e planejamento urbano. É
autor dos projetos de urbanismo do Pátio do Colégio
e do Vale do Anhangabaú, em São Paulo, e
participou do planejamento das cidades de Curitiba e Joinvile-SC |
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"Como qualquer metrópole,
São Paulo deve ter obras que se destaquem pela
boa arquitetura. E elas são raras na cidade, que
precisa de projetos que sirvam de referência e de
estímulo aos jovens arquitetos." |
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"Aquilo que deveria
ser o espaço de todos virou terra de ninguém.
A tendência causada pela insegurança pública,
com as pessoas se fechando em condomínios e casas
cercadas, na realidade aumentou o problema. Não
há nada mais inseguro do que uma rua deserta, onde
as pessoas passam apressadamente e não há
presença da prefeitura nem de autoridade. E se
o setor público não demonstra seu poder
nas áreas públicas, outros poderes comparecem,
e geralmente não são bons." |
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| O arquiteto Jorge
Wilheim já ocupou diversos cargos públicos
- foi secretário do governo paulista de Paulo Egydio
Martins, nos anos 70 e secretário municipal de
Planejamento no governo Mário Covas, no início
da década de 80. Ele retorna à área
governamental na administração petista de
São Paulo, para assumir a importante Secretaria
do Planejamento (Sempla). Autor do Projeto Belezura, Wilheim
pretende recuperar, num primeiro momento de sua gestão,
com operações simbólicas de limpeza
de edifícios e espaços públicos,
o carinho dos paulistanos por sua cidade. O arquiteto
promete enviar à Câmara, ainda este ano,
os projetos de criação das subprefeituras
e do tão esperado Plano Diretor de São Paulo. |
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| Qual o horizonte de planejamento
para a cidade de São Paulo na atual administração? |
Logo de início, a prefeita
assinalou, com muita clareza, a importância
de sua administração trabalhar em sinergia,
isto é, de as várias secretarias agirem
em conjunto. À Sempla coube a tarefa de estabelecer
sua forma de atuação em conjunto com
as secretarias de Habitação, Meio Ambiente,
Transporte e Infra-Estrutura. Nossos objetivos, obviamente,
não são os mesmos, mas as equipes deverão
atuar unidas.
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| Com relação às
administrações das quais o senhor participou,
as perspectivas da atual são melhores? |
Na área pública trabalhei
no Estado, na prefeitura - onde ocupei, na gestão
de Mário Covas, o mesmo cargo que agora - e,
por último, na Organização das
Nações Unidas entre 1993 e 1996. Na
atual administração, destacam-se a personalidade
forte e a visão moderna de Marta Suplicy, imprescindíveis
para enfrentar os problemas que a cidade atravessa
atualmente. Sua abertura a inovações
é importante neste momento difícil,
porque São Paulo tem hoje muito mais favelas
do que no tempo de Covas e ainda enfrenta um desemprego
bem mais grave.
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| Em suas experiências na área
pública, o senhor atuou junto a administrações
de direita, de centro e agora de esquerda. Seu trabalho
se adaptou a essas mudanças sem problema? |
Não podemos simplificar exageradamente. Nunca trabalhei
em governo de direita. Fui secretário do governo
Paulo Egydio Martins quando a posição
do [ex-presidente Ernesto] Geisel, por quem ele fora
indicado, estava à esquerda da linha do [general
Emílio Garrastazu] Médici. Naquela ocasião,
tratava-se de colocar no escanteio a chamada linha
dura, para uma redemocratização, que
Geisel desejava lenta e gradual, embora nós
a quiséssemos rápida. Havia a perspectiva
liberalizante e por isso fui convidado.
A tarefa que desempenhei foi a de organizar, a cada
ano, um grande seminário sobre as alternativas
de desenvolvimento, tanto no campo das políticas
urbanas quanto no da energia, da tecnologia ligada
à natureza e também da economia. Nessa
época criei o Procon, a Fundação
Seade e ainda o que hoje se chama de vale-transporte.
Esses desempenhos não são típicos
de uma pessoa que tenha postura de direita. Minha
posição política - que é
de centro-esquerda ou até de esquerda -, embora
não corresponda a uma militância partidária
definida, sempre foi bastante coerente.
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| O convite para atuar nesta administração
surgiu de sua relação de amizade com Marta
Suplicy? |
Eu tinha proposto a Marta que, se
ela fosse candidata, poderia ajudá-la com os
conhecimentos que tenho da cidade. Quando ela se candidatou,
liguei-me ao Instituto Florestan Fernandes, criado
na ocasião, e procurei colaborar no que me
foi possível.
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| O convite, então, não
chegou a surpreendê-lo... |
Uma coisa vai levando a outra e,
de repente, não se pode mais virar as costas
e dizer que vai embora. Não havia planejado
ocupar cargo público no momento, pois voltei
a São Paulo depois de quase quatro anos na
ONU e estava retomando o trabalho em meu escritório.
Mas aceitei o desafio.
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| De que forma o trabalho do Instituto
Florestan Fernandes poderá ser utilizado na cidade?
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Uma dos estudos com que colaborei
no instituto foi sobre as intervenções
na paisagem de São Paulo, que a prefeita logo
passou a chamar de Projeto Belezura. Nesse trabalho,
desenvolvo alguns conceitos sobre a importância
da paisagem no cotidiano das pessoas. A paisagem urbana,
na minha opinião, é um direito do cidadão.
E a percepção que o indivíduo
tem de sua cidade - se feia ou bonita - repercute
em sua qualidade de vida. Essas coisas agora refluem
na ação da Secretaria de Planejamento
e estão sendo tratadas de imediato. Já
elaboramos um projeto de lei sobre paisagem urbana,
em discussão na Câmara Municipal, e passamos
a interferir no caos da cidade.
A prefeita exigiu providências urgentes para
resolver a situação herdada, de cidade
abandonada, onde reina o vale-tudo, e, logo nos primeiros
dias, identificamos 600 outdoors em áreas públicas,
que já estão sendo retirados. A limpeza
do estádio do Pacaembu foi uma operação
simbólica e também fez parte do Projeto
Belezura. Em três horas, as paredes do estádio
foram limpas e o lixo retirado. Sabemos que nos quatro
anos da gestão não teremos sempre tinta
e mão-de-obra gratuita.
A parceria com o setor privado não pode ser
sempre com doações e voluntariado, embora
tudo tenha sido muito bem-vindo nesse primeiro momento
da gestão, quando a cidade precisava ser restaurada
e não tinha recursos. Mas, depois, São
Paulo certamente contará com recursos próprios
para solucionar seus problemas.
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| Quais as metas estabelecidas para
o planejamento da cidade? |
Como já falei, uma das características
da atual administração é a sinergia
entre as diversas secretarias, que, na prática,
equivale ao abandono da velha política de feudalização
dos vários setores da prefeitura. A criação
das subprefeituras, outro ponto importante, fortalecerá
a ação mais próxima do cidadão.
Já no fim desse primeiro semestre, o Executivo
enviará à Câmara projeto nesse
sentido. Pretendemos avançar o mais rápido
possível, pois sabemos que uma coisa é
implantar as subprefeituras, outra é realizar,
na prática, a descentralização
administrativa. Esse tema ocupará toda a gestão
e certamente criará uma nova realidade político-administrativa
para São Paulo, inovadora e mais adequada ao
tamanho da cidade e da sua população.
Outra tarefa urgente é elaborar, aprovar e
pôr em prática o plano diretor. Não
começaremos do zero, porque há muitos
estudos da própria secretaria. Eu mesmo dirigi
a elaboração de um plano na gestão
Covas, que foi bastante debatido e aprovado popularmente,
mas não chegou a ser discutido na Câmara.
Claro que 15 anos depois muita coisa mudou e algumas
das suas diretrizes já foram implantadas. Há
ainda estudos pontuais de técnicos da própria
Sempla e de outros órgãos que precisam
ser reavaliados. Enfim, até o final deste ano
o novo projeto do plano diretor estará na Câmara.
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| O plano será geral ou descerá
a problemas específicos da cidade? |
A idéia é dividi-lo
em duas partes: a primeira tratará das políticas
e estratégias de desenvolvimento, com todas
as diretrizes para as diversas atividades do setor
público. São princípios gerais
nos quais aprofundamos o que a Lei Orgânica
do Município já determinou em 1989.
A segunda parte é uma clara diretriz física,
de uso do solo, operações urbanas, vias
estruturais, grandes corredores e áreas verdes,
para um horizonte provavelmente de dez anos.
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| Questões de zoneamento, como
a da transformação de vias residenciais
em comerciais, serão tratadas? |
Pensamos - e essa será uma
tarefa paralela à elaboração
do plano - em trabalhar muito a questão das
operações urbanas e dos corredores.
Elas são importantes porque representam o encontro
de interesses dos setores público e privado.
Os recursos financeiros originários da montagem
dessas operações são, muitas
vezes, do setor privado, mas a valorização
da área resulta de determinações
legais da prefeitura, como as que dizem respeito ao
uso de solo e transferência de potencial construtivo.
No enfoque do plano diretor, essas operações
adquirem o papel de instrumento de gestão de
capitalização de bairro e de corredores.
Esse conceito de operação urbana é
mais amplo do que o utilizado nos últimos tempos
e retoma a visão anterior, que a considerava
um fator de dinamização da cidade.
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| E os corredores? |
Nós nos referimos não
apenas aos corredores comerciais no meio de zonas
residenciais, mas também aos de transportes
de massa, como metrô e de ônibus, em faixa
própria, que determinam - e dinamizam ao longo
do eixo - uma série de atividades muito especiais.
A questão dos corredores comerciais em zonas
residenciais diz respeito à preservação
da habitabilidade, devido à elevação
da taxa de motorização da cidade. Estamos
nos reunindo com representantes das associações
de moradores das zonas 1 para discutir esse tipo de
problema. Ninguém quer atrapalhar a habitabilidade
de uma ZI, queremos mantê-la, mas temos de enfrentar
um dado da realidade, que é o aumento da taxa
de motorização de São Paulo,
muito superior à da época em que a Lei
de Zoneamento foi aprovada.
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| A administração anterior
falava de uma possível operação urbana
no eixo do Tamanduateí. O que o senhor pensa disso?
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Estamos começando a trabalhar
na fixação das operações
urbanas mais urgentes. Já temos quatro em estudo
e que serão retomadas: Faria Lima, Centro,
Água Branca e Águas Espraiadas. Começamos
a visualizar outras para depois dessas e o vale do
Tamanduateí será possivelmente uma delas,
mas ainda não foi configurada a diretriz para
formalizar o eixo.
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| Quais os problemas urbanos que mais
o incomodam em São Paulo? |
De forma geral, é a perda
e a deterioração dos espaços
públicos. Aquilo que deveria ser o espaço
de todos virou terra de ninguém. A tendência
causada pela insegurança pública, com
as pessoas se fechando em condomínios e casas
cercadas, na realidade aumentou o problema. Não
há nada mais inseguro do que uma rua deserta,
onde as pessoas passam apressadamente e não
há presença da prefeitura nem de autoridade.
E se o setor público não demonstra seu
poder nas áreas públicas, outros poderes
comparecem, e geralmente não são bons.
E chegamos a um nível insuportável de
congestionamento nos transportes, sem perspectivas
de solução a curto prazo. O ritmo da
ampliação de transportes de massa, basicamente
o metrô, é muito vagaroso em São
Paulo. Só nos resta o ônibus, que não
pode circular em faixa própria. E sem isso
não há como ele ser pontual. E se não
é pontual não serve, pois quem se locomove
de ônibus para ir ao trabalho ou à escola
precisa de pontualidade.
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| Os corredores exclusivos são
mesmo necessários? Mas alguns não solucionaram
o problema e deram um aspecto muito feio à cidade...
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O corredor urbano deve pegar as ruas
ao lado, o quarteirão ao lado, e em alguns
casos até dois quarteirões ao lado.
O corredor deve ser muito mais largo, muito mais bem
planejado. No caso do corredor da avenida Santo Amaro,
por exemplo, em que a faixa carroçável
de ônibus é estreita e a calçada
que sobra é pequena, claro que o comércio
deveria ter se voltado para dentro da quadra. É
preciso estimular sempre outras formas de utilização
mais interessantes. São Paulo precisa ser vista
muito cuidadosamente, pois se trata da segunda cidade
do mundo. Muitas vezes, quem estava na prefeitura
olhava para a cidade e sugeria soluções
mesquinhas, provincianas, não na escala de
uma metrópole mundial. O administrador precisa
ter generosidade, pensar grande.
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| De que maneira os arquitetos da cidade
poderão ajudar a pensar São Paulo? Eles
serão chamados a colaborar? |
Confio inteiramente na capacidade
e no talento dos arquitetos, que tanto no setor privado
quanto no público podem tornar a cidade mais
bonita e melhor. Para isso, na medida do possível,
a prefeitura, através da Empresa Municipal
de Urbanização, mobilizará equipes
de arquitetos para o atendimento às subprefeituras.
Precisamos dar qualidade à cidade e, para isso,
é vital a participação desses
profissionais, principalmente no desenho urbano. A
cidade necessita de desenho urbano de melhor qualidade,
correto, adequado, com escala. E as operações
urbanas podem abrir perspectivas para projetos de
grande importância.
Como qualquer metrópole, São Paulo deve
ter obras que se destaquem pela boa arquitetura. E
elas são raras na cidade, que precisa de projetos
que sirvam de referência e de estímulo
aos jovens arquitetos. Nos últimos anos, a
operação urbana ficou limitada a determinar
algumas obras viárias e a transferir potencial
construtivo para permitir que empreendedores imobiliários
construíssem mais alguns metros do que o permitido
pela Lei de Zoneamento. O mecanismo é bom como
sistema, mas foi posto a serviço de revitalizações
pequenas, que não resultaram em espaços
públicos importantes, como praças, passeios,
pontos de encontro, ou mesmo estacionamentos. Não
entendo por que a Operação Faria Lima
não projetou, ao longo da avenida, um estacionamento
subterrâneo.
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| A administração anterior
promoveu o concurso São Paulo, Eu te Amo, que propôs
intervenções pontuais na cidade. Pretende-se
executar esses projetos? |
O concurso foi promovido pela Secretaria
das Administrações Regionais e os resultados
estão engavetados. Já solicitei o envio
dos projetos premiados à Emurb, agora ligada
à Sempla, para que possamos estudar como implantá-los,
ao menos os mais prioritários.
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| Muito discutido e nunca aprovado,
o plano diretor terá condições de
ser aprovado agora? |
O plano não foi aprovado até
hoje por falta de vontade política dos prefeitos
e dos vereadores, não por falta de qualidades
técnicas ou de discussões públicas.
Agora não temos dúvida de que há
vontade política por parte da prefeita e de
grande parte dos vereadores. Estou consciente de que
desta vez o plano diretor sai.
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| A sua visão técnica
de planejador não se chocará, em algum momento,
com a visão mais social do Partido dos Trabalhadores,
como no caso do uso de imóveis da área central
para habitação social? |
Não sou filiado ao PT, mas
isso não impede que não defendamos as
mesmas teses. As divergências devem existir,
pois não se trata de partido de pensamento
único. O planejador precisa abordar os problemas
com os pés no chão e suas decisões
deverão ser forçosamente sociais. A
qualificação do centro interessa a todos
nós; não se trata de revitalização,
pois a região é muito viva durante o
dia. Só perde a vitalidade durante a noite
e nos fins de semana, quando apresenta certo ar de
abandono, que aumenta a sensação de
insegurança. Essas atividades podem ser garantidas
com o aumento de habitações.
Como é o local da cidade mais bem servido pelos
meios de transporte, faz sentido levar para lá
a habitação popular. Há grandes
áreas nos bairros centrais que estão
subutilizadas e poderiam ter densidade bem maior.
Não se trata de fazer grandes conjuntos, pois
a área já está ocupada. O ideal
seria aproveitar melhor alguns terrenos ou algumas
zonas em transformação para implantar
habitações financiadas pela Caixa Econômica.
Outra hipótese é transformar em escolas
edifícios subutilizados. E onde tem estudante,
tem bar, café, jornaleiro, livraria. Uma terceira
idéia seria incentivar a melhor qualidade dos
equipamentos de cinema e teatro da área. De
qualquer forma, a mistura de classes sociais deve
ser garantida.
Alguns estacionamentos subterrâneos permitiriam
que a população chegasse mais facilmente
ao centro. É necessário também
disciplinar o comércio de rua: ele não
pode existir no eixo que compreende o pátio
do Colégio, a praça da Sé e o
largo do Arouche. Estudamos alternativas a serem oferecidas
a esses comerciantes. Uma delas são os shoppings
populares, ou seja, o pequeno comerciante passa a
ocupar o interior dos térreos de alguns edifícios,
como já ocorre em vários pontos da cidade.
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| Nos últimos anos, a cada início
de administração há a promessa de
transferir a zona cerealista para outro ponto da cidade.
No final, fica tudo como antes. O senhor tem planos para
a região? |
Na realidade, a minha intenção
é fazer ali uma operação urbana
para transformar o local em bairro residencial, mas
isso só será possível depois
de longa negociação com os comerciantes
da área. A dificuldade é o mecanismo
a ser utilizado. Os lotes são de propriedade
privada e a prefeitura terá de transferir a
zona cerealista para outro lugar. Uma hipótese
em estudo é tornar os comerciantes sócios
da operação; eles entrariam com os terrenos
como capital.
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Texto resumido a partir de entrevista
realizada por
Adilson Melendez, Éride Moura e Fernando
Serapião
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 253 Março 2001 |
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