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| A era da sustentabilidade
instalou-se definitivamente
no mundo e o Brasil dá os
primeiros passos em direção
ao universo verde. Enquanto
instituições privadas, governamentais e ONGs empenham-se em campanhas de conscientização da população,
o segmento da engenharia e
da arquitetura ganha uma entidade específica
para normatizar e certificar as construções: o
Green Building Council Brasil (GBCB). O principal
desafio dessa ONG é difundir o conceito
de sustentabilidade na construção civil no
país, nos próximos anos, além de tropicalizar
as diretrizes do sistema Leadership in Energy
& Environmental Design (Leed), o mais reconhecido
mundialmente na avaliação e na
certificação dos chamados
green buildings. Para explicar
as atividades do novo GBCB,
Finestra entrevistou seu diretor
executivo, o engenheiro
Nelson Kawakami. “A sustentabilidade
não cria nada
novo, mas resgata coisas que
já existiram. Deverá vir, certamente,
por bem ou por mal.
A partir da década de 1970, o meio ambiente
se viu invadido por prédios inadequados ao conforto ambiental, mas agora todos estão
preocupados em recuperar as antigas questões,
pensar na função do edifício, além da
forma”, afirma Kawakami. Ele cita o pensador
húngaro Ervin László: “A globalização e
a mudança do mundo chegaram a um ponto
que é o caos ou o mundo sustentável”. |
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| De maneira geral, no Brasil, as preocupações
com os temas ambientais
aumentaram muito? |
As pessoas passaram a se preocupar
muito com a sustentabilidade no Brasil
porque o assunto tem ocupado mais
espaço na mídia e chamado a atenção
de vários setores, inclusive o da
construção civil. Vale lembrar que até
2006 havia poucos edifícios registrados
no sistema Leed e em 2007 já temos
47 processos registrados de obras em execução para passar por auditoria em
busca da certificação. Há um único
prédio no Brasil que já a possui: o do
Banco Real, agência Granja Viana, em
Cotia [SP], o primeiro da América
do Sul. Agora teremos concluídos os edifícios Eldorado Business Tower, em
processo de certificação, e o Rochaverá, ambos em São Paulo, além dos Ecolifes residenciais no bairro do Butantã,
também na capital paulista.
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| Quando foi criado o Green Building
Council Brasil? |
Em março de 2007. Ele começou a
operar em junho, já com toda a formalização
junto ao World Green Building,
uma organização internacional que
tem como meta fazer a expansão dos escritórios do Green Building Council
ao redor do mundo. O primeiro escritório
foi aberto nos Estados Unidos e
os processos brasileiros foram registrados
lá. Os 47 processos em andamento
estão seguindo as normas e especificações americanas, porém adaptadas às características do Brasil.
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| "Até 2006 havia poucos edifícios no Brasil registrados no sistema
Leed e em 2007 foram 47
processos para passar por auditoria" |
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| Como ocorreu esse processo se quando
esses edifícios foram projetados não
existia a organização no Brasil? |
Existem vários GBC no mundo. O
primeiro foi nos Estados Unidos, o
USGBC. Foram eles que desenvolveram
a ferramenta Leed. Todos esses
processos atualmente estão sendo registrados
no sistema Leed americano
e vão continuar assim, pois a certificação
está centralizada nos Estados
Unidos. O primeiro GBC foi criado
em 1993. Alguns países, como Japão
e Austrália, têm sistema de certificação próprio. Outros, como Canadá,
México e Brasil, resolveram adotar o
Leed. E estão no processo inicial de
adaptá-lo para cada um desses países.
Mas, por enquanto, o Banco Real, já
certificado, e os outros 46 edifícios estão sendo feitos no sistema norte-americano.
Por isso existiu antes uma possibilidade de certificação.
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| Essas 47 edificações registradas estão
distribuídas por quais regiões? |
No Brasil todo. Nas regiões Sul, Centro-
Sul e no Nordeste, inclusive em
Natal e no Ceará. No Centro-Oeste,
apenas em Brasília, onde um bairro
residencial, no setor noroeste, está surgindo e foi solicitado registro para certificação.
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| "Rino Levi, há mais de 50
anos, já se preocupava com
essas questões de ventilação
e iluminação, no desenho arquitetônico" |
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| O que é, exatamente, o Leed? |
É uma ferramenta que dá as diretrizes
para mensurar o grau de sustentabilidade
de cada prédio. De acordo com o índice a ser atingido, será determinada
a pontuação do edifício e o grau de
certificação. Pode ser um certificado
simples ou nas classificações prata,
ouro e platina. E dentro de cada uma
delas existem as diretrizes de espaço
onde o prédio será implantado, infraestrutura
do local, oferta de transporte
público e questões como se a área era
contaminada e foi recuperada, estacionamento
e acessos facilitados ou não, como o metrô. Outra diretriz refere-se à eficiência energética - potência de
iluminação, automação, sistemas de
leitura. Há também a eficiência no manejo
da água, a não-utilização de água
potável para irrigação, reúso da água
da chuva, tratamento de esgoto.
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| Quais os outros critérios que entram
na avaliação? |
A qualidade ambiental interna também
é avaliada a partir da verificação de
itens como uso de materiais de forte
odor (verniz, cola), emprego de madeira
certificada, materiais reciclados
etc. Um item especial é chamado de
inovações, ou seja, a introdução de
novas tecnologias que reforcem o caráter
de prédio sustentável.
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| E quanto à arquitetura? Existem arquitetos,
como Norman Foster, que
criam na própria arquitetura soluções
para utilização de ventilação
natural, de modo a minimizar o uso
de ar condicionado. Isso é considerado
pelo Leed? |
Isso está incluído na diretriz que trata
do meio ambiente, na qual quanto mais
renovação do ar, melhor, a edificação
ganha mais pontos. Quanto mais utilizar
luz natural, teto com isolamento
térmico e jardins que ajudam na absorção
do CO2, enfim, uma série de recomendações, maior a pontuação.
Tudo isso vai determinar o grau de
sustentabilidade do edifício. A parte
de arquitetura é distribuída em vários
itens - vista externa, telhados verdes
etc. Todos esses requisitos levam à
criação de um projeto de arquitetura
integrado. A sustentabilidade não
cria nada novo, mas resgata coisas que
já existiram. Rino Levi, há mais de
50 anos, já se preocupava com essas questões de ventilação e iluminação,
no desenho arquitetônico. Mas nem
todos tinham essa mesma linha. Hoje
estamos tentando teorizar em cima de
tudo isso e fazer com que a sociedade
reflita sobre o meio ambiente, que, a
partir da década de 1970, se viu invadido
por prédios gigantescos, com
sistemas de ar condicionado muito sofisticados e inadequados ao conforto
ambiental. Perdeu-se a linha que agora
está sendo recuperada. Todos estão
preocupados em retomar as antigas
questões, pensar na função do edifício,
além da forma.
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| Existem normas específicas brasileiras
direcionadas para a questão dos edifícios
sustentáveis e de produtos? |
Com relação a produtos, não entramos
nesse mercado, mas o Instituto
Falcão Bauer está desenvolvendo um
sistema de certificação deles. Estamos
fazendo para o Brasil a tropicalização
do Leed. Diversas atividades já têm
normas brasileiras específicas, como,
por exemplo, a recuperação de solos,
com recomendações técnicas. Vamos
buscar referências nessas normas.
Outro exemplo é a norma de resíduos
de construção, que dá orientações de
como proceder. O que não existe ainda é algo que feche tudo isso, que seria
o sistema Leed de certificação, dando todos os parâmetros para depois consultar
as normas nacionais.
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| Quais seriam as adaptações a fazer em
função da realidade brasileira, ou
seja, a chamada tropicalização? |
Quanto ao aspecto técnico, não há adaptações profundas a serem feitas,
porque muitas normas brasileiras
são baseadas nas norte-americanas.
Mas existem algumas coisas a serem
adaptadas de acordo com o nosso ambiente.
Por enquanto, há uma comissão
analisando o assunto para, depois,
concluir o trabalho. Talvez o item que
mais chame a atenção seja a responsabilidade
social. Nos Estados Unidos
não dão muita ênfase a isso, mas no
Brasil acho que teremos de fazer uma distinção, colocar a questão em destaque,
dar pontuações para quando a
empresa trabalhar com a comunidade.
Esse aspecto social talvez seja incentivado
pelas normas.
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| "Pesquisas nos Estados
Unidos mostram o aumento
de produtividade e a
diminuição de doenças
em ambientes mais
confortáveis" |
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| Essa comissão é ligada ao GBCB? |
Sim. Foram criados vários comitês,
como os de captação de membros,
avaliação do Leed, marketing e vendas,
materiais, fiscal e auditoria, de educação e eventos, e o comitê de relações
governamentais e institucionais.
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| Para a edificação, quais as vantagens
da sustentabilidade? |
A edificação ganha em funcionalidade,
em performance, em energia, em
facilidade de conservação. O usuário
ganha em conforto e, conforme pesquisas
realizadas nos Estados Unidos,
há um aumento de produtividade por
causa da diminuição de doenças, num
ambiente mais confortável. Nas escolas,
o nível de aproveitamento dos alunos
cresceu 20%. Lá, já existem 8 mil prédios
certificados, correspondendo a 1
milhão de moradias.
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| "Ao adotar os parâmetros
do Leed, a construção de
um edifício comercial padrão
tem seu custo reduzido em
até 5% sobre o total" |
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| O empreendedor parece estar mais
pautado pela questão do custo, e
não pelas necessidades e bem-estar
do usuário. |
Se pensarmos no ciclo de 25 anos de
vida de um prédio, 80% do custo é operacional
e 20% de construção. Então,
se você reduz os custos da operação
- energia, água etc. -, o empreendedor
terá vantagens com a sustentabilidade.
Se você fizer uma análise financeira
de um ciclo completo, ele será sempre
positivo, caso essas medidas sejam adotadas. A diferença é que no Brasil
estamos acostumados a olhar somente
os dois ou três primeiros anos de um
prédio, enquanto nos Estados Unidos
eles enxergam mais longe.
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| E no caso do empreendedor que
constrói para vender, como ocorre
no Brasil, o que pode ser atrativo
na sustentabilidade? |
O Leed tem uma modalidade específica
para os investidores, porque essa
preocupação já existe no mercado
brasileiro, pois um certificado que
contém esses parâmetros de sustentabilidade é mais valorizado. Tanto que
esse empreendedor é mais procurado
para novas obras. A demanda é maior,
o potencial de venda cresce muito, inclusive
porque o condomínio desses
prédios é cerca de 40% mais baixo.
Existe uma redução significativa de custo condominial e isso se reflete nas
vendas. De 3% a 5% de sobrevalorização
no aluguel obtém-se com a redução
operacional e a velocidade de vendas
também é maior. O importante mesmo é a conscientização e o posicionamento
das pessoas, porque a redução de
custos é um fator fundamental, mas
a mudança de postura é o que conta.
Isso porque o mundo todo necessita, urgentemente, de atitudes mais positivas
com relação ao meio ambiente. É preciso repensar a maneira de proceder
daqui para a frente.
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| Com relação ao custo de construção,
o que muda? |
Ao adotar os parâmetros do Leed, a construção de um edifício comercial
padrão, com 20 andares, tem seu custo
reduzido em aproximadamente 5%
sobre o total. Em termos residenciais,
o percentual cai para 2%.
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| Quais as principais dificuldades, no
Brasil, para a implantação de uma
obra sustentável? |
A principal dificuldade é a obtenção
de materiais e alguns tipos de serviço
adequados aos conceitos exigidos. Os
fornecedores talvez sejam os que precisam
de um período de maturação um
pouco maior. Isso porque, enquanto
está em projeto, o papel aceita tudo,
mas quando vai para a obra enfrenta
dificuldades. Em algumas cidades, há
limitações quanto a materiais. Se for
em São Paulo ou na Região Sul, os
problemas são bem menores. Mas não
é nada conveniente pegar um material
aqui em São Paulo e transportá-lo para
uma obra em Manaus. Aí acaba com a sustentabilidade queimando petróleo
daqui até lá. Além do que, vai gerar
poluição.
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| É então necessário desenvolver fornecedores
em nível nacional? |
Os grandes fornecedores já têm essa
rede de distribuição. E, com o aumento
da demanda, o panorama deve se
modificar. Por exemplo, quando começamos
a fazer projetos de bancos,
havia apenas um fornecedor de tintas praticamente sem cheiro e agora, no
final do ano, já tínhamos quatro. A
demanda está aumentando e o mercado
vai atrás.
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| "A edificação ganha
em funcionalidade,
em performance, em
energia, em facilidade de
conservação" |
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| O que distingue essa tinta daquela normalmente
utilizada no mercado? |
Ela tem um composto orgânico volátil
e sem cheiro. Nas tintas normais,
o cheiro desaparece em uma semana,
mas os componentes químicos ficam
no ar por seis meses. Isso causa mal à saúde, tanto de quem aplica, quanto
dos usuários.
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| Qual o trabalho que o GBCB faz em
relação a essa área de produtos? |
Existe um comitê de materiais que estuda
o assunto e verifica as demandas
e carências da área. Por exemplo: outros
tipos de revestimento, de tinta, de
fornecedores de forro. Aí as empresas
começam a desenvolver esse mercado,
ir atrás de tecnologia, para atender à
demanda nacional. A idéia do GBCB é começar a sinalizar aquilo de que o
mercado está precisando, dimensionar
as demandas e as necessidades e
discutir com os fornecedores as possibilidades.
A Deca lançou no Brasil,
há uns três anos, a válvula de duplo fluxo, que foi tirada do mercado pois
não havia demanda. Recentemente, começou a haver procura por esse
produto, que passou a ser importado,
e agora a Deca fez novo lançamento,
para atender às solicitações.
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| Há algum sistema de capacitação para
o trabalho das construtoras? |
Temos realizado cursos para algumas
empresas, o que representa um grande
apoio educacional. Mas não existe
um certificado de construtora verde.
O que há é a certificação do prédio.
O que temos feito em algumas empresas
ou obras públicas é oferecer
suporte educacional. Esse é o nosso
papel principal, atuar fortemente na
formação de pessoas com esse conceito,
junto às empresas que trabalham
com a construção civil.
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| De maneira geral, e não apenas na
construção civil, tudo é verde, tudo é sustentável. O sistema econômico
está realmente interessado na
preservação do meio ambiente ou é mero modismo? |
Tem um pouco de moda, mas é inevitável
que a parte econômica leve
isso em conta, porque se hoje ainda é viável, amanhã não será mais. Então
quanto mais cedo os conceitos de
sustentabilidade começarem a ser
aplicados, não só na construção civil,
como em outros setores, mais fácil será
ter um mundo mais sustentável. Porque
isso virá certamente, por bem ou por mal. Um pensador húngaro contemporâneo,
Ervin László, afirma: “A globalização e a mudança do mundo
levaram a um ponto que é o caos ou
o mundo sustentável”. A definição e a
velocidade com que isso ocorrerá vão
depender da capacidade e da rapidez
do ser humano em se adaptar a essas
novas funções. Porque não tem jeito
- algum dia haverá uma crise. E não
queremos crise, queremos sustentabilidade.
Então é importante o homem
começar a se reposicionar rapidamente.
Já existem vários elementos
econômicos que levam à certeza de
que vale a pena adotar a sustentabilidade.
Além disso, as pessoas precisam
querer trabalhar para que as mudanças
aconteçam o mais rápido possível. A
prefeitura de São Paulo agora exige
aquecimento solar em novos empreendimentos
a partir de determinado tamanho. É bom lembrar que muitas
normas existem, mas ninguém leva
em consideração, talvez até por desconhecimento.
Por isso, acho que a
legislação precisa ser mais clara.
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| "O mundo todo necessita,
urgentemente, de atitudes
mais positivas com relação
ao meio ambiente" |
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| A reciclagem de PET tornou-se uma
febre, mas de forma artesanal. Há
alguma produção industrial direcionada para a construção civil? |
Sim, há uma indústria que faz tubos
de esgoto, em São Paulo, criada para
atender à demanda, pois as primeiras
tubulações vieram da Argentina.
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| O Eldorado Business Tower tem um
pré-certificado Leed. Em quanto
tempo o edifício receberá a certificação oficial? |
Depois que acaba a obra, a demora é de quatro a seis meses para certificar,
porque é preciso verificar se o
funcionamento do prédio está atingindo
a meta ou se é necessário fazer o “condicionamento melhorado”. É
feito todo tipo de condicionamento,
testes, análises. Até então, o prédio
tem apenas a pré-certificação.
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| A propaganda de lançamento de
alguns empreendimentos usa a certificação
como atrativo de vendas.
Mas não é isso que ocorre, então? |
Na verdade, eles não têm a certificação,
e sim a pré-certificação, que é um
compromisso. E o comprador deve
cobrar o cumprimento da promessa
de certificação e analisar bem as pessoas
que estão prometendo, verificar
a idoneidade da empresa.
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| Quais os cuidados que a empresa deve
ter quando se apropria dessa imagem
como instrumento de venda? |
Trata-se de uma pré-certificação. É
preciso deixar claro que a certificação
só será dada no final da obra. Quando
a empresa é conhecida no mercado,
todo mundo sabe que ela vai honrar o
compromisso. A idoneidade é fundamental,
a certeza de que ela cumprirá
o que está prometendo.
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| "Uma válvula de descarga
de duplo fluxo foi lançada e
retirada do mercado há três
anos, e agora está voltando
porque há demanda" |
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| E no caso daquelas empresas que se
aproveitam dessa onda verde, mas
não cumprem efetivamente esse
compromisso? |
No momento em que a empresa se
compromete com um processo de
sustentabilidade, já demonstra a mentalidade
de implantar todos os itens
que tornam a edificação verde. A idéia
de sustentabilidade já tem embutida
a lisura do processo. Portanto, quem
nele se insere necessariamente o faz
com convicção. Por isso é muito importante
a distinção entre certificação
e pré-certificação.
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| Há algum trabalho em comum entre
o GBCB e o Conselho Brasileiro de
Construção Sustentável? |
Não existe ainda uma grande unidade
de colaboração entre as duas
entidades, mas podemos trabalhar
juntos, com mais integração, porque
os objetivos são comuns. Queremos
descobrir pontos de apoio, parcerias.
Trata-se de um grupo muito
forte, tecnicamente muito bem preparado.
Temos uma aproximação
muito boa.
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Publicada originalmente em Finestra
Edição 52 Março de 2008 |
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