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| Paulo
Bastos |
"No
caos da cidade, os carros não andam, a poluição
é insuportável e as crianças
não podem sair à rua" |
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PAULO DE MELLO BASTOS
diplomou-se pela FAU/USP em 1959 e, desde 1978, é
professor titular da FAU/PUC de Santos-SP. Foi presidente
do Condephaat e é membro do International Council
on Monuments and Sites (Icomos), órgão consultor
da Unesco, do qual foi secretário geral no Brasil;
é vice-presidente do Movimento Defenda São
Paulo e representante das entidades ambientalistas no
Conselho Estadual de Meio Ambiente paulista |
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"Nós, arquitetos,
sempre nos queixamos de não haver crítica
arquitetônica, e ela precisa ser feita, preferencialmente
não por arquitetos" |
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"É preciso estabelecer um sistema
de transporte coletivo de boa qualidade, diversificado,
multimodal, desestimular
o tráfego de automóvel e estruturar as
vias. Fazendo isso, teríamos o tráfego
local preservado"
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"Se multiplicarmos os 5 milhões de automóveis
de São Paulo pelos 30 m2 que ocupam e dividirmos
por uma rua média de 15 metros
(a maioria tem 10), seriam precisos 10 mil km de vias
para pôr toda a frota na rua. Isso, obviamente,
não é possível"
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"Acho que os edifícios devem ter uso habitacional,
comercial, qualquer uso. Recicla-se o patrimônio
para ele ser usado. O que melhor conserva é o
uso, a vida"
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| Autor de inúmeros
projetos que são referência em São
Paulo, como o Clube Paineiras do Morumby e o Comando Militar
do Sudeste, no Ibirapuera, o arquiteto e professor Paulo
de Mello Bastos vem atuando com destaque, nos últimos
anos, nas áreas de urbanismo. Seu nome está
ligado às entidades que lutam pela preservação
dos bens culturais e do meio ambiente, e por melhores
condições de vida na cidade. |
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| Como o senhor, que tem participado
de vários projetos de preservação,
vê o atual interesse pela preservação
em São Paulo? |
Dado o estado de abandono que a cidade
atingiu nos últimos anos e o papel que ela
desempenha de importante centro de decisões,
algumas até de caráter internacional,
São Paulo é o que se chama hoje de capital
mundial. E, se o Mercosul vingar, teremos, ainda com
mais força, a centralização das
grandes decisões. Para cumprir esse papel,
São Paulo não pode ser essa "Babel"
atual, precisa se requalificar para oferecer funções
urbanas, principalmente no setor terciário,
com serviços, turismo e sistemas modernos de
comunicação. São Paulo tem um
centro histórico, onde nasceu, importante do
ponto de vista simbólico, mas possui outras
áreas importantes de centralidade. No Carandiru
é possível uma intervenção
que revitalize todo o entorno. Na Luz também.
O que está acontecendo, especialmente no centro
histórico, é que se está iniciando
o processo de revitalização de alguns
bens culturais, o que, de certa forma, atende à
necessidade de requalificar a cidade.
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| Isso basta? |
Não. É preciso requalificar
a cidade do ponto de vista urbanístico. Não
se pode ter um centro com edifícios restaurados,
expulsando a população. Nem um centro
com edifícios que fecham às seis horas
e deixam tudo escuro, porque é perigoso. Então
se tem que caminhar para a associação
de funções de habitação,
inclusive de baixa renda, mas qualificada, de revitalização,
com lazer, bares e restaurantes que propiciem vida
durante 24 horas. Ao articular essas exigências
e criar condições para que a iniciativa
privada possa se estabelecer e operar, inicia-se a
qualificação de áreas diversas
da cidade.
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| Nas discussões sobre a revitalização
do centro de São Paulo, a volta das habitações
é tomada como ponto básico. Há espaço
para moradia na área? |
Grande parte dos prédios comerciais
e de escritórios no centro está vazia.
Então, já se tem no local estruturas
materiais que podem ter novo uso - no caso, a habitação.
E há ainda áreas junto ao centro, como
o pátio do Pari, eixo ao longo da ferrovia,
com enorme trecho de possível ocupação,
em parte já revitalizado. Ali existe oferta
de infra-estrutura fabulosa, com água, luz,
esgoto, transportes. Há também os cortiços
que podem ser requalificados, para que as pessoas
possam morar bem e com preservação do
patrimônio.
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| Na recuperação da Catedral
da Sé, em São Paulo, sua proposta de colocar
torres de cristal azul foi provocação? |
Não. Foi e é uma posição.
A Catedral da Sé apresenta problemas de estabilidade,
de patologia da edificação, por causa
da construção da linha do metrô,
mas não é nada grave. Outro problema
é que ela está incompleta, precisava
ser concluída, mas não se sabia como.
Ela é desproporcional porque faltam partes.
E para sua volumetria estavam previstos, além
das torres principais, muitos torreões e agulhas
que davam o sentido de elevação que
a arquitetura gótica tem, se bem que a catedral
paulistana é eclética, pois sua cúpula
é elemento da arquitetura românica. Parti
do princípio de que não tinha sentido
fazer torre gótica hoje; já não
tinha quando foi feita, foi um anacronismo. Mas, de
qualquer forma, a catedral é referência
urbana importante na cidade. Imaginei fazer as agulhas
em cristal azul translúcido profundo e auto-iluminado
porque a catedral teria sua volumetria recomposta,
mas com a marca de uma intervenção contemporânea,
que lhe daria outra característica, durante
o dia e à noite, principalmente. A cúria,
no entanto, preferiu completar a obra de acordo com
a concepção original.
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| E isso é possível?
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Só mediante a documentação
do projeto, que não tínhamos. Mas, removendo
os entulhos que estavam acumulados no coro, foram
encontrados desenhos com as vistas de todas as torres,
que eram indicativos das proporções.
Com enorme trabalho, transformamos tudo em plantas
diversas. Depois de compararmos com as torres existentes,
conseguimos reconstituir a geometria, extremamente
complexa, das torres previstas. Outro problema era
como executar aquilo tudo. Prospecções
e sondagens revelaram que teríamos problemas
técnicos sérios se a carga representada
pelas torres fosse muito grande; com o impulso do
vento, haveria recalques diferenciais e trincas. Isso
exigia uma estrutura leve, e optamos por estrutura
de aço, para eliminar ao máximo a carga
e obter o máximo de resistência. Vamos
usar peças de argamassa armada, que são
moldáveis e têm grande impermeabilidade.
Estamos fazendo torres góticas com processo
bem contemporâneo.
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| Mario Botta, quando esteve em São
Paulo no ano passado, comentou que, na Europa, ninguém
consegue dar outro uso para os edifícios antigos
que não seja o cultural. O que o senhor acha disso?
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Acho que os edifícios devem
ter uso habitacional, comercial, qualquer uso. Recicla-se
o patrimônio para ele ser usado. O que melhor
conserva é o uso, a vida. Nesse sentido, o
plano de revitalização de Havana é
exemplar. Os edifícios com piscina estão
lá, com as pessoas usando. Não tem sentido
expulsar a população.
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| O arquiteto Haroldo Gallo, em artigo
publicado em PROJETO DESIGN 252, comparou dois grandes
projetos de revitalização em São
Paulo, a partir do diálogo que mantiveram com os
edifícios tombados. Segundo Gallo, isso existiu
na Sala São Paulo mas não na Pinacoteca.
O senhor concorda com intervenção em obra
tombada? |
Acho que se podem fazer intervenções
até mesmo para atualizar o imóvel. Claro
que algumas são desrespeitosas para com o bem
cultural, outras são complementadoras e enriquecedoras.
Com relação à Estação
Júlio Prestes, acho que o local não
é o indicado para um teatro. É uma estação
de trem, um cubo, e se teve de lançar mão
de diversos elementos para compensar as insuficiências
que o espaço apresentava, principalmente com
relação à acústica. A
velha sala do Teatro de Cultura Artística,
projetada por Rino Levi, sem nenhum equipamento, tem
acústica melhor que a sala da Júlio
Prestes, com toda aquela parafernália. Com
os 24 milhões gastos na sala, quantos teatros
de boa qualidade poderiam ter sido feitos? Claro que
foi muito bom ter o prédio revitalizado, mas
a função deveria ter sido mesmo aquela?
Na Pinacoteca, o problema é a mudança
do eixo que Paulo Mendes da Rocha resolveu fazer.
Não fiquei satisfeito com a demolição
da escadaria feita em função do eixo
da rua São Caetano, já estabelecido.
E há a concepção típica
de Ramos de Azevedo, da escadaria com uma espécie
de átrio que não é secundário,
é principal. O fato de fazer a entrada pelo
outro lado não significa que devesse destruir
o que estava feito. Por outro lado, na Pinacoteca
os resultados internos são muito bonitos, adequados,
bem resolvidos, como é do escopo do trabalho
de Paulo.
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| A Associação dos Moradores
do Alto de Pinheiros, da qual o senhor foi presidente,
conseguiu alterar, recentemente, um empreendimento imobiliário.
Como isso ocorreu? |
O Alto de Pinheiros é Z-1,
bairro estritamente de residências unifamiliares,
e teve concepção urbanística
bem particular, com muita permeabilidade do solo e
baixo índice de ocupação. Do
ponto de vista ambiental, o bairro é extremamente
avançado em relação ao que se
fez depois na cidade. O prédio em questão
será construído em zona de transição,
Z-17, que pode ser adensada e verticalizada até
25 m. Ao negociar a compra do terreno onde serão
construídos os edifícios, os empreendedores
procuraram a associação para saber se
os moradores teriam alguma objeção.
Apresentaram então o projeto já na maquete,
e era uma coisa terrível: um bunker, com 12
grandes volumes com mansardas - como os antigos prédios
parisienses -, voltados para um pátio interno
e de costas para o entorno verde do bairro. Argumentei
que aquilo era um absurdo, principalmente num bairro
verde, com casas dos anos 50, com repertório
interessante de arquitetura, e onde aquele bunker
ficaria deslocado. Eles reestudaram o projeto, e começou
então a negociação, que se prolongou
por um ano, com uma comissão de moradores.
No final, conseguimos reduzir o número de prédios
para seis e o de apartamentos, de mais de 300, para
190. O estilo não melhorou muito, mas se chegou
a um acordo, aprovado por unanimidade. Essa é
uma forma de negociação civilizada,
moderna.
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| Quando argumentou que o projeto não
tinha o perfil do bairro, o senhor não emitiu juízo
estético sobre o trabalho de outro profissional?
Isso não foi desconfortável? |
A repulsa ao projeto partiu de todos
os moradores. Por estar na direção da
associação e por ser arquiteto, mesmo
não tendo a menor vocação para
censor estético, manifestei minha opinião
até pelos jornais, dizendo que a arquitetura
do projeto não tinha nada a ver com a cultura
brasileira. Essas coisas precisam ser enfrentadas
e ditas. Nós, arquitetos, sempre nos queixamos
de não haver crítica arquitetônica,
e ela precisa ser feita, preferencialmente não
por arquitetos. Falei sob o ponto de vista urbano,
indicando a necessidade de maior permeabilidade entre
os prédios. No final, isso tudo foi importante
para levantar a polêmica sobre esses estilos
que aparecem pela cidade, que incomodam muita gente,
mas todo mundo fica calado.
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| Como o senhor vê o fechamento
de ruas pelos moradores, transformando as vias públicas
em particulares? |
Temos um projeto de bolsões
em Pinheiros, cuja discussão tem sido desvirtuada,
aliás, acho até que de má-fé.
Dizem que é uma elite que quer se encastelar.
Mas o problema do bolsão não tem nada
a ver com isso; deveria ter sido responsabilidade
do governo, até porque isso estava estabelecido
- e ele não cumpriu -, pois se trata de definir
uma hierarquia viária na cidade. Há
as vias estruturais - por onde passam coletivos e
tráfego rápido - e as de tráfego
local. Não há essa hierarquização
e a política da companhia de tráfego
municipal estabeleceu que as ruas são para
circulação sobretudo de automóveis,
sem levar em conta se elas têm capacidade ou
não, ou se são residenciais. Então
a cidade virou o caos atual, em que os carros não
andam, a poluição é insuportável,
as árvores morrem e as crianças não
podem sair à rua.
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| Qual a proposta para o bairro de
Pinheiros? |
É que nas áreas residenciais,
para as quais existe uma lei municipal desde a gestão
de Luíza Erundina, sejam instalados bolsões.
É uma providência de controle de tráfego,
para que ele passe apenas nas ruas que têm caixa
suficiente, inclusive para dispersar poluentes. As
ruas locais ficam para o tráfego local e, sobretudo,
para uso de pedestres. Os bolsões são
um bloqueio de tráfego, que pode ser feito
no chão, com jardineiras ou com elevação
da calçada. É a idéia do calçadão,
só que para tráfego local e de pedestres.
E a lei não limita isso só para as ruas
incluídas em Z-1, mas para qualquer tipo de
rua, inclusive para as comerciais. Na Europa, pinta-se
uma faixa amarela contínua e todo mundo respeita,
pois sabe que é via só para tráfego
local.
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| E não vai chegar a hora de
o bolsão também ser fechado por cancela?
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Não, isso é proibido
nos bolsões.
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| Se essa proposta fosse implantada
em toda a cidade, em alguns bairros restaria muito pouco
espaço para a circulação de carros.
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É exatamente isso que deveria
acontecer, porque o tráfego passaria a ocupar
só a estrutura viária. Todos acham que
podem circular por onde querem com seu carro. O automóvel
particular transporta, em média, só
1,2 passageiro e ocupa no mínimo 30 m2. Num
cálculo muito generoso, se multiplicarmos os
5 milhões de automóveis de São
Paulo pelos 30 m2 que ocupam e dividirmos por uma
rua média de 15 metros (a maioria tem 10),
seria preciso 10 mil km de vias para pôr toda
a frota na rua. Isso, obviamente, não é
possível.
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| A solução seria incrementar
o transporte coletivo, que não é privilegiado
no país? |
É preciso estabelecer um sistema
de transporte coletivo de boa qualidade, diversificado,
multimodal, desestimular o tráfego de automóvel
e estruturar as vias. Com isso, teríamos o
tráfego local preservado. O projeto dos bolsões
não foi feito de maneira aleatória e
superficial. Ele foi submetido a empresa de engenharia
de tráfego, que fez dedução do
fluxo, sentido, número de veículos etc.
Em função desse fluxo - com projeção
de dez anos - se analisou o projeto do bolsão.
Verificaram-se os pontos que precisavam ser mudados
e constatou-se que haveria enorme melhora do fluxo
nos grandes eixos estruturais do bairro. Isso porque,
quando se diminui o número de entradas e saídas,
são eliminadas as desacelarações
e os faróis de cruzamento.
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| Qual a situação de
quem está na periferia do bolsão, voltado
para essas vias, e não se beneficia diretamente?
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Indiretamente se beneficia, porque
pode usufruir como qualquer um. A associação
reuniu a empresa consultora e uma comissão
dos moradores que têm casas voltadas para esse
desvio de tráfego e também os seus vizinhos
de fundo, que aparentemente teriam interesses contraditórios.
Foi feita uma pauta de discussões, com algumas
sugestões, e, surpreendentemente, eles chegaram
logo a um acordo. Pela proposta da comissão,
quem estivesse no corredor de tráfego aceitaria
mudança de uso, semelhante ao do corredor para
zona residencial, criada pela lei de zoneamento, que
admite só alguns usos, controlados. Seriam
mantidos todos os requisitos de urbanismo da City,
empresa que projetou o bairro - recuo, afastamento,
permeabilidade do solo, ocupação, aproveitamento.
Não haveria comércio, outdoor, indicativo
das atividades; as calçadas verdes e os recuos
frontais não seriam pavimentados e não
seria permitido estacionar nas vias.
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| E a questão do estacionamento?
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Seria resolvida com a possibilidade
de mudança de uso de alguns lotes ao longo
da via para estacionamento dos usuários e funcionários
dessas empresas, só que essas áreas
precisariam ser permeáveis e arborizadas. Casas
que passassem a ter uso comercial poderiam ocupar
terrenos muito grandes e, nesses casos, parte deles
se transformaria em estacionamento. A fiscalização
seria feita pela própria associação,
em convênio com a prefeitura, para evitar desobediência
à legislação, comum em vários
pontos de São Paulo. Trata-se, na verdade,
de um plano local mas que pode ser usado em outras
áreas, adaptado aos problemas de cada bairro,
articulado com diretrizes estratégicas do conjunto
da cidade. É uma espécie de dialética
entre o local e o geral.
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Entrevista realizada por
Adilson Melendez, Fernando Serapião
e Éride Moura |
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 255 Maio 2001 |
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