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| Acácio
Gil Borsoi |
“Arquitetura é construção.
O projeto é apenas um meio para se chegar
ao produto" |
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Acácio Gil Borsoi
é arquiteto diplomado em 1949, pela Faculdade de
Arquitetura da Escola Nacional de Belas-Artes, no Rio
de Janeiro. Mantém escritórios em Recife,
Rio, Teresina e, mais recentemente, São Paulo |
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"Se o arquiteto quer fazer um projeto
correto, deve conhecer todas as maneiras
de construí-lo, procurando ser fiel a seu pensamento,
não só no todo, mas nas partes"
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"A arquitetura é
produto da construção,
não do projeto. O projeto é o meio
de se chegar ao produto" |
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Arquiteto,
filho de desenhista-arquiteto, casado com arquiteta, pai
e avô de arquitetos, o carioca Acácio Gil
Borsoi diplomou-se no final dos anos 40. Depois de trabalhar
no Patrimônio Histórico, numa época
em que teve como superiores Rodrigo de Melo Franco e Lúcio
Costa, seguiu para Recife, onde, durante 28 anos, lecionou
na UFPE-Universidade Federal de Pernambuco. Aos 76 anos,
ele consegue conciliar obras em vários estados
brasileiros, com diversos programas: residências,
edifícios públicos, comerciais e residenciais,
além de incursões na área de urbanismo.
Atua também, ao lado da mulher, Janete Costa, na
restauração de edifícios históricos,
sua mais antiga paixão.
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| Como foi sua opção
pela carreira de arquiteto? |
Sempre tive muito interesse em arquitetura,
pois meu pai, filho de imigrantes italianos do Vêneto,
diplomou-se desenhista-arquiteto no Liceu de Artes
e Ofícios, em São Paulo, onde morou
antes de ir para o Rio de Janeiro. Ele fez desenhos
para a Confeitaria Colombo, o Corpo de Bombeiros,
o Palácio do Governo, a Biblioteca Nacional
e muitas outras obras importantes do Rio. Desde cedo
passei a trabalhar com ele, ajudando nos desenhos.
E como me interessei, fui para a Escola de Belas-Artes
estudar arquitetura.
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| Como foi o início de sua profissão
no Rio, com Affonso Reidy, Alcides da Rocha Miranda e
tantos outros profissionais de renome? |
Trabalhei com Reidy e Rocha Miranda
quando ainda era estudante de arquitetura. Quando
eles projetaram o teatro de Salvador, Joaquim Cardozo
fez os cálculos e eu os desenhos, mas na condição
de estudante. Ainda hoje sou amigo de Rocha Miranda.
Janete e eu tínhamos um carinho muito especial
por Roberto Burle Marx e sentimos muita falta dele.
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| E com Lúcio Costa? |
Com Lúcio Costa e com Joaquim
Cardozo tivemos uma lição de vida. Antes
de qualquer coisa, uma lição de comportamento,
de caráter, de postura profissional. Não
cheguei a trabalhar diretamente com Lúcio Costa
no Patrimônio; ele era diretor e estava sempre
muito presente. Foi um dos períodos mais ricos
de minha vida.
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| O senhor, recém-formado, trabalhou
no Patrimônio Histórico? |
Quando me formei, no final dos anos
40, fui trabalhar com Rodrigo de Melo Franco, no Patrimônio
Histórico, ajudando Alcides da Rocha Miranda.
Depois, como eles queriam que eu entrasse no quadro
do Patrimônio e eu me recusava, saí.
Mas, em Recife, atuei como consultor do Patrimônio
durante 15 anos.
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| O senhor chegou a trabalhar com Oscar
Niemeyer? |
Nunca trabalhei com ele. Nós
nos damos bem, mas há certa diferença
entre meus princípios e os dele. Respeito plenamente
o trabalho dele e o que ele pensa, mas acho que arquitetura
não é só arquitetura, é
criatividade, conhecimento, e também construção.
É preciso conhecer muito sobre construção
para projetar. Não se pode projetar na pedra
sem saber como é o trabalho na pedra. O mesmo
com o ferro e outros materiais. Lúcio Costa
também via a arquitetura dessa forma, e esses
foram os fundamentos do ensino que lancei em Recife.
Outro dia, assisti a um documentário na TV
sobre [Ieoh Ming] Pei, que projetou a pirâmide
do Louvre, em que ele fala que, no seu trabalho, a
forma só surge após o pleno conhecimento
do processo tecnológico para executá-la.
E nunca a forma pela forma, pela poesia. Por isso
nunca trabalhei com Oscar, mas reconheço a
importância de seu trabalho, fundamental para
divulgar a arquitetura brasileira em todo o mundo.
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| Como surgiu a oportunidade de trabalhar
em Recife? |
Foi através de Lucas Mayerhofer,
que tinha sido meu professor na Belas-Artes. Ele foi
a Recife participar de uma banca examinadora na escola
de arquitetura, e lá lhe pediram que indicasse
alguém para a cadeira de pequenas composições.
Ele me indicou e aceitei. O período era semelhante
a esse que estamos vivendo, de abertura política,
mas com a diferença de que, naquela época,
havia muita esperança, as pessoas viam o futuro
com clareza, otimismo. Fui para Recife não
como aventura, mas para lutar por certos princípios,
contribuir com alguma coisa, queria mudar o ensino
de alguma forma. E fiquei 28 anos como professor.
Permaneci na faculdade até a época do
[presidente Emílio] Garrastazu Médici,
quando houve intervenção na escola e
eu pedi demissão.
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| E a experiência na universidade,
como foi? |
Eu vinha de fora e trazia muitas
idéias novas, que mexiam com a congregação.
Procurava mostrar aos alunos que a arquitetura, no
fundo, resulta em construção. Mas uma
construção que se distingue porque atinge
os valores subjetivos da beleza e da emoção,
que transcendem as coisas materiais. Meu objetivo
sempre foi ensinar a arquitetura como produto da construção,
não do projeto. O projeto é o meio de
se chegar ao produto. Quem quiser fazer um projeto
correto deve conhecer todas as maneiras de construí-lo,
procurando ser fiel a seu pensamento, não só
no todo, mas nas partes. Até hoje, as escolas
de arquitetura ainda dão mais ênfase
ao projeto do que à construção.
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| O senhor é sempre citado pelos
arquitetos pernambucanos, juntamente com Delfim Moreira
e Luís Nunes, como fundadores da escola de Recife.
É correto falar em escola? Ela ainda existe? |
Certa vez, o Jornal do Brasil me
fez pergunta semelhante. Respondi que, se forem válidas
como escolas as expressões arquitetônicas
do Rio - em que existe a preocupação
de criar no sentido da emoção e de valores
subjetivos - e de São Paulo - que, sob a orientação
de Artigas, transformava tudo em bunkers de concreto,
caixas de concreto com pestanas -, então a
do Nordeste existe sim. É uma expressão
arquitetônica em que a luz, a sombra, o vento
e a transparência fazem parte do projeto. E
que faz uso de terraços, grandes beirais, muita
sombra, por causa do calor. Essa preocupação
com o conforto ambiental fez parte da nossa pauta
de trabalho na escola de arquitetura da Universidade
Federal de Pernambuco e dela saiu uma tipologia característica.
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| Qual foi seu primeiro projeto moderno
no Nordeste? |
Foi a casa Lisanel Melo Mota, ainda
nos moldes da arquitetura de Jorge Moreira, de Niemeyer,
com plano inclinado e coisas chanfradas. Depois comecei
a fazer uma série de outras casas, em Recife,
João Pessoa, Maceió, Natal, Teresina,
Fortaleza, mas com uma arquitetura mais livre dessas
influências e apropriada à região.
Os primeiros prédios foram o do Banco Lar Brasileiro,
em Recife, o Lagoa Mar e o Banco do Estado, em Maceió.
Eles marcaram uma grande mudança na arquitetura
dessas cidades, que tinham edifícios muito
ruins na época.
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| O senhor sempre cita como obras fundamentais,
em seu trabalho, o fórum de Teresina e o conjunto
administrativo de Uberlândia. Por quê? |
O fórum representou não
só uma racionalização da obra,
mas também uma ligação entre
a atitude criativa, de expressão, e o produto
final, que é a construção. A
edificação foi toda armada com meia
dúzia de peças; trata-se de um processo
antecipado de pré-fabricação.
Todos os projetos que fizemos depois evoluíram
desse. Em Uberlândia, utilizamos o pré-fabricado,
com vigas e painéis moldados fora e armados
no local.
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| Com grande experiência em obras
de restauração, como o senhor analisa as
intervenções em sítios de valor histórico
que estão sendo executadas atualmente? |
Não estou de acordo com os
que não aceitam alterações em
determinados locais ou obras. Muitas vezes é
preciso fazer alterações até
o prédio ou o sítio atingirem a perfeição,
chegarem ao ponto definitivo. Claro que se deve obedecer
a um processo cultural, de conhecimento, de respeito
pela obra. Hoje, já não se pode imaginar
o Louvre sem a pirâmide de Pei, tão criticada
na época. Ela se integrou de tal maneira que
passou a fazer parte do conjunto. Já a praça
de São Marcos, em Veneza, foi sendo modificada
durante séculos e só quando completou
500 anos não pôde mais ser alterada.
No Rio de Janeiro, as pessoas confundem tudo. Por
exemplo, não se pode mexer na pedra da Gávea.
Só que ela já está alterada,
tem até favela lá em cima. Não
se pode construir um edifício ali, tudo bem;
mas a prefeitura pôde fazer escoras na pedra
sem nenhum critério de unidade ou beleza, e
ninguém diz nada. Claro que a escora era necessária
para a pedra não cair, mas por que não
fizeram uma coisa bonita? O problema do patrimônio
histórico no Brasil é que só
se pensa na intervenção em determinado
prédio, nunca no entorno.
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| No Maranhão, o senhor tem
atuado nessa área... |
Junto com Janete, fiz a restauração
do Teatro Artur Azevedo, de São Luís,
um dos mais antigos do país, inaugurado em
1817. Até chegar a nossas mãos, ele
já tinha passado por uma infinidade de reformas.
No início do século passado, ganhou
a fachada eclética que apresenta hoje, mas
que modificou completamente suas características.
Era uma construção com princípios
neoclássicos, mas assimétrica, o que
é incomum e interessante. Mas não tínhamos
como reconstituí-la, pois não havia
fotos. O que fizemos foi aproveitar os poucos elementos
antigos que ainda existiam e fazer uma reconstitução
do teatro, procurando recuperar o nível de
expressão que o edifício representava
para a cidade. Claro que dentro de certos princípios,
respeitando sua forma. O teatro de Gênova, que
tinha sido bombardeado, foi reformado por Aldo Rossi;
ele subiu tanto a caixa de palco que marcou a paisagem.
Aqui é que existe essa história de não
mexer. Em São Luís, como a intenção
do governo era transformar o velho teatro em um teatro
clássico, de ópera, a primeira coisa
que fiz foi construir um palco dentro dos padrões
de teatro de ópera, derrubando o velho.
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| E isso foi feito sem problemas? |
Para conseguir fazê-lo, tive
de bater de frente com o Patrimônio, mas terminei
construindo a caixa de palco nova, sem interferir
na cidade, nem agredir as vistas das ruas. Procuramos
corrigir as partes que não tinham unidade com
o todo, resolvendo o palco; restauramos a ornamentação
a partir das fotos disponíveis e mantivemos
a ferradura da platéia, que era original, em
pedra. Uma reforma anterior tinha refeito todas as
frisas e camarotes, que eram de madeira, em concreto.
A solução foi ajustar o concreto para
dar uma imagem de teatro clássico, de época,
coerente com a fachada. Concluída a obra, tempos
depois, em Paris, peguei por acaso um suplemento dominical
do jornal Le Figaro, que trazia reportagem sobre São
Luís. Não falava das edificações,
das restaurações feitas na cidade, apenas
das comidas, das praias, da ligação
com a França. Mas recomendava, entre as coisas
que o visitante não deixasse de ver o “Teatro
Artur Azevedo, magnificamente restaurado”. Bem, agora
estamos fazendo o palácio do governo estadual,
e, se tudo der certo, será minha obra mais
importante na cidade.
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| Vamos falar de outro projeto seu,
o Cajueiro Seco, no Grande Recife, em 1964. Foi uma solução
que buscava o desenvolvimento do indivíduo, não?
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Cajueiro Seco tinha grande significado
social; foi uma tentativa de realmente eliminar os
núcleos de pobreza. No governo [Miguel] Arraes,
o arquiteto Gildo Guerra foi escolhido para presidir
a Liga Social contra o Mocambo e me convidou para
ser diretor. O período era tumultuado, e havia
uma invasão do sítio histórico
da batalha dos Guararapes, uma área do Exército.
O governo estadual não tinha nada com a briga,
mas eu e Gildo resolvemos conversar com as 800 famílias
e passamos a desenvolver o projeto de um núcleo
de auto-ajuda e criar os meios de trabalho. Tentava-se
dar uma profissão àquelas pessoas, para
que, dentro do sistema de autogestão, tivessem
condições econômicas de sair da
miséria.
Conseguimos uma área próxima ao terreno
invadido, Cajueiro Seco, e fiz um plano para a primeira
fase do núcleo, gerido pela associação
de bairro. Construímos escola, centro de trabalho
comunitário, lavanderia comum, sanitários,
acesso a telefone, arruamento, quadras etc. A idéia
era fazer com que as pessoas que quisessem participar
do núcleo recebessem um terreno dentro de uma
nova comunidade, bem estruturada e com transporte,
para construir suas casas. Na época, o projeto
provocou uma revolução e se tornou uma
comunidade padrão, apesar da reação
das pessoas que pensavam de maneira assistencialista.
As casas foram construídas dentro de uma ordem,
de um plano. Havia grande integração
e solidariedade entre os habitantes. Com o golpe militar,
foi tudo destruído e fui preso como um criminoso
qualquer.
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| Recentemente, um projeto social desenvolvido
pelo senhor recebeu um prêmio da União Internacional
dos Arquitetos. Que trabalho foi esse? |
A prefeitura do Rio abriu concurso
para o projeto Favela-Bairro e me candidatei com o
arquiteto Sérgio Gueron, com quem tinha trabalhado
no extinto Banco Nacional da Habitação,
depois de Cajueiro Seco. Fomos selecionados e ficamos
com a favela Caminho de Job, na Pavuna. A premissa
de nosso trabalho era que a favela existe por causa
da miséria; ela não é a causa,
mas o resultado. Portanto, a doença é
a miséria; ela que deve ser tratada, não
a favela. A idéia é uma continuidade
amadurecida do projeto de Cajueiro Seco. Nossa proposta
era valorizar o potencial humano. Denominamos o sistema
de Empresário Capital Zero; era direcionado
às pessoas que tinham aspiração
para se desenvolver mas não possuíam
meios. A favela passaria a ser o depositário
dos que não tinham aspirações
de vencer, e a prefeitura cederia área onde
nós geraríamos uma nova comunidade,
como aconteceu em Cajueiro Seco.
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| Como seria essa comunidade? |
Nesse novo núcleo - Unidade
de Desenvolvimento e Renda -, que poderia vir a gerar
um bairro ou uma cidade-satélite, seriam oferecidas
condições de trabalho para a comunidade.
Com o tempo, seriam criados condomínios industriais
- que não são a mesma coisa que as faladas
incubadeiras industriais -, porque o sistema não
pode ser dirigido de cima para baixo, tem de ser estruturado
com a própria comunidade, para que os participantes
passem a ser responsáveis pelo sucesso do processo.
É diferente do que tem sido feito, quando se
desapropria o terreno ocupado pela favela e, no local,
são construídos os edifícios.
Não concordo com a destruição
das antigas moradias, pois as pessoas têm o
direito de continuar no lugar delas se quiserem. Pelo
nosso projeto, como fica um número menor de
moradores na favela, há espaço para
melhor urbanização em função
das novas necessidades, e assim surge uma comunidade
mais equilibrada com o entorno. Por ser inteiramente
diferente dos demais projetos apresentados, houve
reação dos “técnicos” de habitação
da prefeitura, que criaram dificuldades, e o resultado
foi um trabalho sem consistência. Enviei o projeto
para o congresso da UIA em Bucareste, na Romênia,
e ele foi premiado de maneira gratificante: das três
premiações concedidas para as Américas,
a única para a América do Sul foi a
nossa. E concorremos com 386 trabalhos.
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Texto resumido a partir de reportagem
de Éride Moura
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 257 Julho 2001 |
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