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| Henrique
Cambiaghi Filho |
| O novo presidente da Asbea |
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Henrique Cambiaghi
tem escritório próprio,
o CFA Cambiaghi Arquitetura, desde 1981.
Cambiaghi irá compartilhar a direção
da Asbea no biênio 2002-2004 com os vice-presidentes
Elizabeth Goldfarb, José Eduardo Tibiriçá,
Marcel Monacelli, Roberto Aflalo, Luiz Augusto Contier
e Sérgio Augusto Misorelli |
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"Pretendemos que as
recomendações
da Asbea fomentem compromissos
éticos entre os arquitetos" |
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"Acho muito difícil
a aprovação do Colégio Brasileiro
de Arquitetos em ano eleitoral. Isso deve ocorrer em dois
ou três anos" |
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O arquiteto Henrique
Cambiaghi Filho teve seu nome referendado para a presidência
da Asbea
- Associação Brasileira dos Escritórios
de Arquitetura na assembléia da entidade, realizada
entre 27 e 29 de abril último.
Atuante principalmente nas questões da qualidade
do projeto de arquitetura, Cambiaghi quer marcar sua gestão
com atos que busquem a solidificação da
entidade e incentivem o profissionalismo das empresas
associadas.
E tudo com uma estratégia de marketing que mostre
à sociedade os benefícios de um bom projeto
de arquitetura. |
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| Como seu nome foi escolhido para
a presidência? |
Temos procurado, na Asbea, dar uma
seqüência lógica ao processo de
sucessão. Assim, a escolha do nome do presidente
recai sempre sobre alguém ligado anteriormente
à diretoria. Estou na entidade há dez
anos, sempre fazendo parte da diretoria, e agora,
naturalmente, chegou o momento de cumprir minha missão
- pois é como missão que encaro o comando
da entidade.
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| Quais as principais metas de sua
gestão? |
Quando entrei na Asbea, em 1991,
tínhamos 44 associados. Hoje, contando com
as regionais, temos quase 300. Durante nossa última
assembléia geral foram oficializadas as representações
da entidade no Rio Grande do Sul e no Paraná,
e falta pouco para formalizar a do Rio de Janeiro.
A entidade já tem credibilidade e visibilidade
suficientes. Sua evolução é um
processo contínuo, por isso não pretendemos
nenhuma ruptura, nem fazer campanha para aumentar
o número de associados.
Em linhas gerais, queremos solidificar cada vez mais
a Asbea, com realismo e o respaldo de todos. E também
incentivar o aumento do profissionalismo entre os
associados. Nesse sentido, foram divulgadas durante
nossa 30ª Assembléia Geral algumas recomendações
de condutas éticas desejáveis.
Queremos desenvolver um marketing mais forte da profissão,
mostrando que a arquitetura não se resume a
questões estéticas e funcionais, mas
envolve soluções, resultados, viabilização
de empreendimentos, tanto tecnológica quanto
financeiramente.
Com essa idéia, estamos organizando uma exposição
e uma premiação de projetos, juntamente
com a revista PROJETODESIGN, para divulgar
nossos trabalhos. Enfim, precisamos deixar claro que
arquitetura é uma atividade bem mais envolvente
do que se pode pensar.
Vamos divulgar isso para o público, colocar
na mídia a importância do trabalho do
arquiteto.
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| A Asbea era conhecida por reunir
os grandes escritórios de arquitetura do país.
Isso mudou nos últimos anos? |
A Asbea nasceu da necessidade que
os escritórios maiores tinham de uma organização
administrativa e fiscal. Um grupo de arquitetos começou
a se reunir para discutir como se estruturar e qual
deveria ser o tratamento jurídico mais adequado
para seus escritórios. Esse grupo acabou por
criar a Asbea e foi crescendo aos poucos, passando
a congregar escritórios de todos os tamanhos.
Hoje, o associado pode ser pequeno ou grande, o que
interessa é seu espírito de profissionalismo.
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| O que é preciso para um escritório
se associar à Asbea? |
A condição básica
é que se trate de pessoa jurídica. Precisa
da indicação de um de nossos associados
e seu trabalho deve apresentar certo padrão
de qualidade. Mas não há nenhuma restrição
quanto ao tamanho do escritório.
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| A entidade pensa em exigir, no futuro,
o certificado da ISO 9000 de suas associadas? |
A ISO 9000 é uma série
de normas para a gestão da qualidade em relação
às questões gerenciais e operacionais.
Não tem nada a ver com aspectos estéticos
e funcionais.
A ISO foi feita basicamente para a indústria
e tem uma série de questões preparadas
para o setor industrial, que dizem respeito à
produção em série. Se no meio
de cem produtos fabricados sai um com defeito, corrige-se
o erro e dá-se continuidade ao trabalho industrial.
Já um escritório de arquitetura tem
dinâmica de trabalho muito diferente, cada projeto
tem seu próprio programa, um terreno diferente.
Isso complica a questão da ISO.
Pensamos em desenvolver um Selo Asbea, acessível
aos associados que estejam ligados a um programa de
qualidade nosso. O selo não seria obrigatório
nem teria o cunho de auditoria, mas os interessados
precisariam cumprir determinações relativas
à qualidade do projeto.
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| Esse selo tem alguma ligação
com as recomendações de postura ética,
que foram feitas durante a última assembléia
da entidade? |
Não, o documento divulgado
pela Asbea reúne apenas recomendações
pertinentes a nosso trabalho e já exigidas
por entidades como Crea, IAB, UIA e Sinaenco. A idéia
é que as recomendações fomentem
compromissos éticos entre os arquitetos.
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| Por que tantos arquitetos presentes
à assembléia se posicionaram contra essas
recomendações, apresentadas na ocasião
como termo de adesão? |
Uma das tarefas determinadas na assembléia
anterior era criar um termo de adesão, que
reunisse critérios para que uma empresa fosse
associada à Asbea. Só que, na prática,
da maneira como ficou o documento, certas posturas
ainda não seriam viáveis, como por exemplo,
as questões de preço, de concorrência
e de comissões, que são muito extensas
e não poderiam ser discutidas em uma única
reunião. Então, numa primeira etapa,
resolvemos torná-las recomendações,
para melhor divulgação e aceitação
pelos associados. Com o tempo, eventualmente, as recomendações
podem vir a ser referência para todos filiados.
Não adianta ser obrigatório agora e
não ser cumprido.
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| Quando o texto definitivo das recomendações
vai ficar pronto para divulgação? |
Devemos retomar o assunto dentro
de algumas semanas, mas não é uma coisa
para a mídia, é só para arquitetos.
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| A bandeira do Colégio Brasileiro
de Arquitetos continua sendo defendida pela Asbea? |
A criação do Colégio
Brasileiro de Arquitetos passa, atualmente, por um
impasse, uma vez que as cinco entidades comprometidas
estão procurando desenvolver melhor a idéia.
O problema é que a cada período de seis
meses elas se revezam na coordenação
do trabalho e, atualmente, está tudo parado.
Por outro lado, as entidades ainda não estão
inteiramente afinadas e discutem algumas divergências.
Foi a Asbea que contratou o escritório de advocacia
para fazer a minuta da lei de criação
do CBA, cujos itens estão sendo estudados.
Como este é um ano eleitoral, acho muito difícil
conseguir agora a aprovação do Colégio.
Nossa expectativa é que isso ocorra dentro
de dois ou três anos.
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| Mas a Asbea continua apoiando o CBA?
A criação da entidade é uma das metas
de sua gestão? |
Vamos trabalhar de duas formas: primeiro,
continuar com o Colégio Brasileiro de Arquitetos,
que é um projeto de solução a
prazo mais ou menos longo; e, ao mesmo tempo, lutar
para conseguir do Crea melhores condições
para as empresas de arquitetura. As câmaras
de arquitetura do Crea tratam de nossas questões
sempre de forma muito punitiva, como fiscais, quase
nunca para nos ajudar. Quando somos nós que
precisamos, o órgão é extremamente
burocrático e demonstra pouco vontade de defender
nossos interesses. Gostaríamos, por exemplo,
que o Crea cobrasse a existência de um projeto
de arquitetura em todas as obras; que exigisse a presença
de responsáveis técnicos pela obra,
e não que nos punisse por causa de pagamento
de ART ou por não colocar uma placa.
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| A pesquisa de opinião sobre
a criação do Colégio será
feita entre os arquitetos? |
Acho que não. O próprio
Crea ficou de financiar a pesquisa, mas até
agora nada.
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| Quais foram as propostas do consultor
de marketing contratado pela Asbea para orientar os arquitetos
no que se refere à valorização da
profissão? |
O primeiro trabalho dele foi sentir
o que está acontecendo, detectar onde estão
os problemas, quais os caminhos que podemos percorrer,
e daí tirar algumas conclusões. O primeiro
diagnóstico constatou que, basicamente, os
arquitetos divulgam seus trabalhos nas revistas especializadas,
lidas apenas pelos próprios profissionais.
Precisamos começar a divulgar nossos projetos
em outros meios, não só para nós
mesmos. E essa divulgação deve se referir
não apenas às questões espaciais,
funcionais e estéticas, mas também aos
benefícios que o projeto trouxe para a obra,
as soluções interessantes que o arquiteto
conseguiu.
Um exemplo do que a boa arquitetura pode fazer é
o Guggenheim de Bilbao, Espanha. A cidade passou a
ser ponto turístico internacional.
As pessoas vão até lá para conhecer
o museu; hospedam-se, fazem compras, consomem, e assim
movimentam a economia da cidade.
Esse tipo de valorização que uma obra
de arquitetura pode proporcionar deve ser divulgado.
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| A presença de escritórios
de arquitetura estrangeiros ainda incomoda os associados
da Asbea? |
Apesar do movimento cambial, que
reduziu a contratação desses escritórios,
eles ainda atuam em segmentos do mercado, fazendo
consultorias e mantendo parcerias legais com escritórios
brasileiros. Mas houve certa acomodação,
pois os próprios empresários aqui instalados
perceberam que os estrangeiros não tocam o
projeto sozinhos, precisam de um parceiro nacional.
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| Quando foi criado o IAB, as preocupações
eram muito semelhantes com as que culminaram com a criação
da Asbea, inclusive a empresarial. Em sua opinião,
em que momento se sentiu a necessidade de uma nova entidade?
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Essa preocupação empresarial
o IAB ainda tem, uma vez que o arquiteto já
não pode exercer sua profissão como
autônomo. Só organizado em empresa ele
pode fazer um projeto para o setor público,
por exemplo. Se não tiver uma empresa, por
menor que seja, o imposto retido na fonte pode até
ser maior do que a remuneração que o
arquiteto vai receber. O foco do IAB atinge um pouco
essas preocupações, mas ficou mais centrado
nas questões da arquitetura em si, do profissional
individualmente, como pessoa física, com o
urbanismo, com a cidade, com os concursos de arquitetura.
Já a Asbea tem seu foco na necessidade de estruturar
melhor os escritórios para que eles atendam
o cliente como empresa.
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| Como está atualmente o mercado
profissional de arquitetura? |
Com a grande quantidade de profissionais
que todo ano chega ao mercado, ele se torna cada vez
mais competitivo, principalmente porque agora, com
apenas um computador, e-mail e fax, consegue-se trabalhar
em casa, não é necessário montar
a estrutura de escritório. Em São Paulo,
mais de 8% das pessoas estão trabalhando em
casa, índice que nos Estados Unidos supera
15%. Mas, como em toda profissão, com vontade,
talento e trabalho se consegue ir em frente.
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| O senhor tem idéia de quantos
novos profissionais chegam a cada ano ao mercado? |
Cerca de 10 mil novos profissionais
saem das quase 150 escolas do país. É
muita gente.
No entanto, foram criados mercados novos.
Há algum tempo, por exemplo, era até
pejorativo ser decorador; hoje, esse setor está
inteiramente tomado pelos arquitetos. Por outro lado,
muitos profissionais hoje são funcionários
das empresas de material de construção,
auxiliando na especificação de produtos.
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| Que tipo de trabalhos o senhor vinha
desenvolvendo antes de assumir a Asbea? |
Como arquiteto, tenho trabalhado
com projetos de edifícios residenciais. Não
que eu tenha escolhido essa área, fui levado
a ela naturalmente. Para a Asbea, acabamos de organizar
o Manual de procedimentos de CAD, no qual definimos
nomenclaturas, leis, programação, linguagem
e adequamos as normas internacionais às nossas
necessidades. Nesse trabalho, envolvemos muitas outras
entidades, como Secovi, Sinduscon, e o pessoal de
software. O trabalho está pronto, só
aguardando o patrocínio para ser lançado.
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Por Éride
Moura, Fernando Serapião e Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 268 Junho 2002 |
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